sábado, 13 de abril de 2024

Novas tecnologias podem promover mais qualidade de vida e independência aos idosos

CRAS I em Ourinhos oferece aulas para pessoas a partir de 50 anos de idade e colabora para a inclusão digital na melhor idade

 

José Luiz Martins

 

Cada vez mais a interação entre tecnologia e envelhecimento tem sido alvo de debates, estudos e pesquisas que demonstram que adultos mais velhos são a maior fatia da população dentro da chamada exclusão digital. Pessoas de maior idade são os que menos usam computadores e internet em um cenário que tem impacto direto na qualidade de vida das pessoas.

 

A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que o Brasil tenha quase 90 milhões de idosos em 2050. E para que envelhecer não signifique estar excluído das evoluções tecnológicas, é fundamental planejar e executar projetos para que os idosos possam acompanhar e fazer parte das transformações do mundo globalizado e digital.

 

EM OURINHOS – A reportagem do Negocião foi às ruas saber como os idosos, moradores do município, se relacionam com o mundo digital, com as tecnologias de informação/comunicação. Alguns enfrentam dificuldades como menor acesso ao aprendizado associadas ao que chamam de “complicado”, e o receio de cair em golpes ou simplesmente são avessos sem qualquer interesse.

 

Lucimar Alves de Sousa, prestes a completar 60 anos 

 

Izildo Baptista, de 70 anos, bancário aposentado que vive no Jardim Vista Alegre, disse que gosta da internet, mas tem bastante dificuldade em mexer no computador e no celular. “Eu não sei nada e não tenho muito interesse. Se precisar pagar uma conta não tem como, pra comprar menos ainda porque fico desconfiado, tem muito malandro por aí, não sei se estão me roubando (…) a gente vê muito golpe em aposentado, você está comprando e eles levam seu dinheiro e não tem volta, então é melhor não né!”.

Ele revelou que o máximo que consegue é ver pelo aplicativo no celular quando a sua aposentadoria está liberada. “Isso eu sei ver no celular, eu deveria ter vontade de aprender mais, fazer um curso para navegar na internet, descobrir e conhecer as coisas. Meus filhos que poderiam me ensinar moram em São Paulo, então o quase nada que sei aprendi na marra”, brincou.

A exclusão digital que afeta os idosos é uma preocupação mundial e tem características inerentes a individualidade própria das pessoas idosas. Fatores como baixa renda, escolaridade, a consequente falta de conhecimento de informática e a percepção da utilidade do meio digital e suas ferramentas, além de déficits físicos e cognitivos estão entre as razões que atingem em cheio as pessoas de mais idade.

O senhor Lucimar Alves de Sousa, vendedor autônomo, morador da Vila Sândano em Ourinhos, está prestes a completar 60 anos, diz que não está acostumado com o mundo digital de computadores e internet “estou totalmente fora desse mundo ainda, não sei como é que faz, tem meus filhos que entendem, mas todos moram fora então fica meio difícil”.

Ele reconhece que o mundo de tecnologia o qual diz estar totalmente alheio, facilita muito as coisas, mas ele só sabe enviar e receber mensagens e as vezes se atrapalha. “Minha esposa sabe mais do que eu, mas não é muita coisa, vontade de saber mexer a gente tem, mas é como se diz acho que é complicado. Eu nunca tentei ligar o computador, mas no celular só sei ver e mandar mensagem, e as vezes aperto um negócio errado e acaba estragando tudo no celular”, brincou

 

A dona de casa Jacira Almeida Ladeira de 65 anos

Moradora do Jardim América, a dona de casa Jacira Almeida Ladeira, de 65 anos, contou à reportagem do Negocião que só sabe tirar fotos e lidar com aplicativo de mensagens. “Não tenho nenhuma facilidade em lidar nem com o celular, computador nem chego perto. Quando tenho que correr com alguma coisa que dá pra fazer pelo computador ou telefone, peço ajuda só sei mandar mensagem, recado e bater foto essas coisas eu sei fazer”.

Vinda da capital paulista e residindo em Ourinhos a pouco tempo, dona Jacira conta que quando tenta se virar sozinha se confunde e se enerva com a dificuldade que tem para lidar com as funções do seu aparelho. “Eu já tentei, mas começo a me atrapalhar fico nervosa por isso nem mexo, meu filho Rafael é quem faz tudo pra mim. Quando tenho que mandar um Pix o chamo e resolvo rapidinho”.

Ela diz saber o quanto o mundo digital facilita o dia a dia das pessoas e que seu filho mais velho, morador em São Paulo, insiste para que ela aprenda mais “mãe a senhora precisa tentar fazer sozinha, a senhora não vai ter o Rafael sempre por perto, ele vai casar e mudar… então ele não deixa de ter razão. Uma hora eu aprendo kkk“, gargalhou a senhora.

Já o pastor Roberto Medeiros residente no Jardim das Paineiras tem 57 anos e diz que independentemente da idade hoje em dia é necessário saber usar as ferramentas do computador e celular no dia a dia para realizar várias tarefas que esses aparelhos e a internet possibilitam.

“Eu tenho alguma experiência nesta área sim, aprendi pela necessidade no dia a dia, facilitou bastante a vida. Uso bastante as redes sociais, dá para comprar de tudo pela internet com site de vendas, fazer pagamentos, receber online, serviços bancários. Veja o avanço que é o Pix, isso tudo melhorou muito a vida ficou muito legal, tudo muito ágil. Hoje as coisas são muito rápidas né, a internet está aí para acelerar a vida assim”.

 

Roberto Medeiros residente no Jardim das Paineiras tem 57 anos

 

Mas Medeiros alerta “Tem que tomar cuidado”, ele revela que foi vítima de fraude quando morava em Araçatuba e descobriu que estelionatários estavam fazendo compras em seu nome. “Na realidade compraram na minha conta no Mercado Livre, foi complicado, mas eu consegui conversar com o banco, entrei com todo aquele processo normal e consegui recuperar com o banco estornando o dinheiro”.

 

CRAS I OFERECE OFICINAS DE INCLUSÃO DIGITAL PARA IDOSOS – Acabar com a exclusão digital, reduzir a exclusão social por meio da informatização, facilitar a inclusão digital e alcançar maior inclusão de pessoas mais velhas no mundo digital são metas importantes. Essa é ideia da Secretaria Municipal de Assistência Social, que iniciou no final de 2022 o projeto de oficinas para inclusão digital das pessoas na terceira idade nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS I).

O curso que acontece todas as quintas-feiras às 14h, não tem caráter profissionalizante, o intuito é proporcionar aos idosos o acesso às novas tecnologias, para que saibam como utilizar o computador, o smartphone, os aplicativos de conversa e as redes sociais, compreendendo as funções dos aparelhos, suas funcionalidades, configurações e como manter um uso responsável e seguro.

Quando do lançamento do curso em outubro do ano passado, a Secretaria de Assistência Social informava que a ideia é expandir para outros CRASs do município para fortalecer os vínculos da comunidade.  Mas somente o CRAS I, localizado na Rua Celestino Lopes Bahia, 1051 na Vila São Luiz tem mantido o curso para pessoas acima de 50 anos por módulos para três turmas.

A atividade é desenvolvida em uma sala do CRAS I equipada com 8 computadores. Um instrutor profissional da área de informática é encarregado do ensino aos idosos em uma hora e meia de aula. Desde o início das oficinas há 7 meses, 15 idosos concluíram o curso.

Em outros CRAS a demanda maior foi por outros tipos de atividades, como  costura, artesanato, atividades físicas.

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