quinta, 18 de julho de 2024

O ideal seria que a Prefeitura tivesse uma casa para tratar os dependentes químicos

Publicado em 03 maio 2017 - 12:04:07

           

Alexandre Mansinho

Números da Secretaria de Segurança Pública dão conta que, na cidade de Ourinhos, tem crescido o número de ocorrências criminais envolvendo tráfico de drogas, tal crescimento também reflete um aumento do número de usuários crônicos de drogas ilícitas, fato que afeta diretamente toda a população.

Os viciados em substâncias ilícitas, com destaque para os dependentes de crack, representam um problema de saúde pública e um problema social imenso – como não há ações públicas eficientes no tratamento dos usuários, os mesmos acabam se envolvendo em ações criminosas e, como resultado, acabam engrossando as estatísticas de prisões.

No primeiro trimestre de 2017, como resultado de um maior combate por parte das forças de segurança no município de Ourinhos, os números de ocorrências ultrapassam a média do estado: foram 13 em janeiro; 24 em fevereiro e 39 em março, um aumento de 300%. Já o número de prisões realizadas em flagrante, também cresceu: 35 em janeiro, 49 em fevereiro e 61 em março, aumento que beira os 200%.

Especialistas explicam que, do total de pessoas presas por tráfico todos os meses, cerca de 40% são de pessoas que se envolvem com essa atividade para sustentar o próprio vício: “o dependente que trafica para sustentar o vício é mais um problema de saúde pública do que de segurança. Os juízes já têm levado isso em consideração quando da elaboração das penas”, diz Dr. Luiz Flávio Gomes, especialista em Direito Penal.

Casas de tratamento – “O ideal seria que a Prefeitura tivesse uma casa para tratar os dependentes químicos, mas a Secretaria da Saúde não dispõe de dinheiro para criar essa instituição, a solução de imediato, seria a parceria com instituições privadas para acolher os casos mais graves”, diz a vereadora Raquel Spada, procurada pela reportagem do Novo Negocião para se manifestar sobre o problema. “É importante também que a prefeitura invista em ações que possam prevenir o uso e posterior dependência das drogas, ações sociais são até mais importantes que ações médicas e terapêuticas, nós precisamos chegar antes do traficante”, completa Raquel.    

Tratamento médico ineficiente – Atualmente o protocolo médico para atendimento dos dependentes químicos é ineficaz, informações colhidas na rede municipal de saúde mostram que é necessário que o dependente procure um clínico geral na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua casa e, de posse de uma guia, solicite o atendimento no Ambulatório de Saúde Mental que fará o agendamento da consulta. Atualmente o prazo para obtenção de uma consulta com um médico psiquiatra é de 4 meses. Nos casos gravíssimos, há a possibilidade de internação temporária no Hospital de Saúde Mental, mas não é um tratamento que tenha uma continuidade. 

Solange Ferreira da Rocha, educadora, diz que é urgente a construção de uma casa de tratamento para dependentes químicos em Ourinhos: “embora haja poucos municípios que tenham uma casa de tratamento que funcione com verba pública, é urgente que nossa cidade procure, mesmo que seja por meio de parcerias, alternativas para atender essa população”. Patrícia Nunes de Faria, moradora de Ourinhos, acredita que é urgente um atendimento especializado, mesmo que seja apenas para os casos mais graves: “a demanda é grande, mas ao menos para os casos mais graves seria importante que tivéssemos uma alternativa imediata”.

CAPS AD em Ourinhos – A Assessoria de comunicação da Prefeitura de Ourinhos informou que em nossa cidade existe o O CAPS AD Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e outras Drogas, unidade de saúde especializada para atendimento aos dependentes através de um planejamento terapêutico dentro de uma perspectiva individualizada, de evolução contínua dentro das diretrizes preconizadas pelo Ministério da Saúde, que tem por base o tratamento do paciente em liberdade, buscando sua reinserção social. Na unidade são oferecidas consultas médicas com clínico e psiquiatra; psicoterapia; oficinas terapêuticas, entre outras atividades que a equipe entenda ser pertinente no rol dos projetos terapêuticos propostos. O CAPS AD está localizado na Travessa 13 de Dezembro, n. 46 e atende cerca de 25 a 30 pessoas por dia através de grupos e atividades diversas. Funciona das 8 ás 18 horas de segunda a sexta-feira e atende também pelo fone 3326-3069.

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