segunda, 9 de março de 2026

O Rio Grande do Sul chora suas vítimas

Publicado em 11 maio 2024 - 09:50:31

           

Tragédia que atinge o estado há mais de 10 dias já atingiu quase 1,9 milhão de pessoas.

Por Fernando Lima

Uma das maiores tragédias climáticas a atingir nosso país está devastando cidades, destruindo casas, comércios, rodovias, pontes e ceifando vidas no Rio Grande do Sul.

Porto Alegre, capital do estado e as cidades em seu entorno são as mais atingidas pelos temporais, mas, ao todo 435 das 497 cidades do estado registraram ocorrências causadas pelo temporal que já dura mais de 10 dias. O enorme volume de chuvas fez com que os rios do estado transbordassem e inundassem centenas de cidades. Até o fechamento desta edição 113 pessoas morreram, 146 estão desaparecidas e 406,7 mil foram expulsas de casa. A Defesa Civil estima que foram afetados 1,9 milhão de pessoas.

Em meio a este enorme caos, forças públicas, privadas e do terceiro setor se unem em uma força tarefa para o resgate das vidas que ainda estão em perigo. 

O Brasil e o exterior se unem em uma corrente para arrecadarem tudo o que for possível para a ajuda das vítimas, campanhas em várias cidades do país, ajuda aérea de outros países, doações financeiras chegam de todos os lugares do mundo, de artistas, celebridades, políticos, igrejas, pessoas comuns, além de organizações que se deslocaram até o RS para ajudarem pessoalmente nos resgates.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), alertou nesta quinta-feira (09), que mais chuvas estão previstas para o estado no fim de semana, indicando que os níveis dos rios podem atingir patamares superiores aos atuais.

“Ainda temos essa projeção de chuvas pelo final de semana que podem atingir talvez 300 milímetros em determinadas localidades, fazendo com que a água que está baixando volte a subir, talvez em níveis superiores aos que a gente já observou”, disse Leite em entrevista à GloboNews.

Na quarta-feira (08), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontou para a possibilidade “muito alta” de “novas ocorrências hidrológicas” no sudeste e sudoeste do estado e na capital, Porto Alegre. No comunicado, o órgão disse que as novas ocorrências podem ocorrer em regiões como as bacias do Rio Uruguai, do Lago Guaíba e do Rio Camaquã.

Em outro alerta divulgado na quarta-feira (08), a empresa de pesquisa meteorológica MetSul Meteorologia disse que as enchentes no sul do estado também vão aumentar nos próximos dias. A instituição afirmou que a enchente decorrente da cheia da Lagoa dos Patos vai se agravar “no restante desta semana e ainda na semana que vem”.

Diante da possibilidade de novas chuvas, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul alertou que ainda não é hora das pessoas que foram resgatadas — em número que está na casa das dezenas de milhares — retornarem às suas casas.

“A Defesa Civil do Estado orienta a população, especialmente as pessoas resgatadas na região metropolitana de Porto Alegre, que não retornem às áreas alagadas, inundadas, ou sob risco de movimentos de massa”, informou o órgão em comunicado na quarta-feira.

As chuvas recentes estão sendo apontadas por autoridades como o pior desastre climático da história do Estado.

O governo estadual ainda relatou nesta quinta-feira (09) que existem mais de 379 mil pontos sem energia elétrica no Estado, enquanto 66 municípios estão sem serviços de telefonia e internet e mais de 452 mil moradores não possuem abastecimento de água no momento.

Em meio a todo este cenário de destruição, onde pessoas culpam governos, instituições ambientalistas dizem que tragédias como estas serão cada vez mais frequentes devido a fenômenos como o aquecimento global, causado pela própria população mundial.

O Instituto Genial/Quaest realizou uma pesquisa e ouviu, presencialmente, 2.045 brasileiros de 16 anos de idade ou mais, em todos os estados do país. O grau de confiabilidade do levantamento é de 95%, e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. 

Segundo a pesquisa, divulgada nesta quinta-feira (09), 68% dos entrevistados acham que o governo do estado tem muita responsabilidade pelo ocorrido, enquanto 20% dizem que a gestão tem pouca responsabilidade e 12% que não tem nenhuma responsabilidade.

Já quando questionados sobre o governo federal, 59% dizem que a federação tem muita responsabilidade, 24% que tem pouca e 17% nenhuma.

Em relação à atuação das prefeituras das cidades gaúchas, 64% dizem que elas têm muita responsabilidade pelo desastre, 20% acham que têm pouca e 16% nenhuma.

O público também foi indagado se, caso houvesse mais investimentos em infraestrutura, a tragédia poderia ter sido evitada. 70% disse que sim e 30% disse que a tragédia seria inevitável, mesmo com investimentos. 

No entanto, a maioria dos brasileiros avalia como positiva a atuação do governo do estado, apesar de atribuir muita responsabilidade aos governos estadual, federal e municipais. 59% dos entrevistados aprovam a ação da prefeitura de Porto Alegre, 54% aprovam a atuação do governo estadual e 53% a do governo federal.

A pesquisa apontou também que os brasileiros avaliam como positiva a atuação da população (88%), artistas e influenciadores (73%), lideranças locais (72%), igrejas (70%) e empresas (65%).

Quase unanimemente, 96% dos entrevistados dizem que os fenômenos climáticos mais severos têm aumentado, em intensidade e frequência, nos últimos anos.

A pesquisa, demonstra, de certo modo, o cenário atual do caos que se forma em todo o país, que apesar de ser muito solidário e se unir para ajudar como um todo na tragédia, há pessoas que se utilizam dessa situação de desespero e caos para dificultar, roubar e espalhar notícias falsas sobre a tragédia, o que é extremamente triste diante do cenário que o Rio Grande do Sul vive.

Gabriel Souza, vice-governador do Rio Grande do Sul, concedeu uma entrevista nesta quinta-feira (09) à Rádio Eldorado, onde lamentou o posicionamento pessoal e político de pessoas durante este momento de grande comoção.  Segundo ele, em meio aos resgates dramáticos de vítimas das enchentes, muitas fake news estão sendo disseminadas, principalmente no que diz respeito a brigas político/partidárias e anunciou que o Estado vai tomar providências legais contra todas as pessoas que estão disseminando notícias falsas. “Tivemos que montar uma força-tarefa só para combater fake news“, frisou.

O vice-governador do Rio Grande do Sul também lamentou a necessidade de deslocar policiais de operações de resgate para o combate de crimes, como vandalismo, saques, assaltos e casos de violência sexual em abrigos. Em meio a uma tragédia como esta, a maioria esmagadora das pessoas demonstra seu lado mais generoso, mas, algumas pessoas conseguem mostrar os piores lados do ser humano num momento tão delicado.

Por outro lado, associações, fundações, artistas, celebridades da internet e voluntários se descolaram até o estado para ajudar pessoalmente nos abrigos, nos regastes, com tratamentos de saúde, auxílio com alimentação, educação, resgate a abrigo de animais e tudo mais que as os milhares de resgatados necessitam.

Os resgates estão sendo feitos com a ajuda das diversas polícias, exércitos e organizações, bem como da sociedade civil, com a ajuda de barcos e helicópteros. As imagens dos resgates são impressionantes, já que pessoas e animais ficaram presos em telhados e outros lugares altos. 

É importante frisar que as doações sejam encaminhadas para lugares idôneos, que realmente destinam essas doações para o Rio Grande do Sul, como secretarias, prefeituras, empresas sérias, condomínios e comércio. 

O site www.praquemdoar.com.br, é um excelente aliado para procurar instituições sérias que recebem doações e as encaminham para os atingidos pela tragédia.

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Fontes: Infomoney, Reuters, Uol, G1.

Imagens: Reprodução/Google.

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