domingo, 31 de agosto de 2025

OMS alerta população sobre o uso de adoçantes para perda de peso

Publicado em 20 maio 2023 - 07:50:49

           

José Luiz Martins

 

Na última segunda-feira, 15 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um novo relatório surpreendente pedindo às pessoas que cortem adoçantes artificiais e outros substitutos do açúcar de suas dietas. Mas isso não significa que devam voltar a usar o açúcar real.

A recomendação é baseada nos resultados de uma revisão sistemática das evidências disponíveis que sugerem que o uso dos adoçantes não traz nenhum benefício em longo prazo na redução da gordura corporal em adultos ou crianças.

A diretriz da OMS se baseia principalmente em um efeito nulo de adoçantes artificiais para controle de peso e na redução de calorias e açúcar. As conclusões da OMS estão causando muita confusão entre os usuários desses produtos e consequentemente na área da saúde pública.

A diretriz não está sugerindo a proibição do uso de adoçantes, mas como um elemento da dieta que deve ser desencorajado. ​A questão mais crítica tem sido como estimular a mudança de comportamento por parte das pessoas.

 

OPINIÃO DE ESPECIALISTA OURINHENSE – A reportagem do Negocião repercutiu o assunto com nutricionistas, profissionais de saúde especializados no estudo da alimentação e nutrição, que auxiliam as pessoas sobre como manter um estilo de vida saudável.

Natalia Bonifácio, nutricionista da Clínica Magrass de Ourinhos, formada em Nutrição pela Universidade Paulista e Pós graduada em Nutrição Clínica e Terapia Nutricional pela Universidade do Oeste Paulista, diz que a nova diretriz da OMS tem o intuito de ajudar a enfrentar a epidemia da obesidade em nível mundial e as doenças associadas.

Ela ressalta que a diretriz saiu de uma revisão sistemática que não evidencia que os adoçantes beneficiariam a longo prazo na redução da gordura corporal ou na minimização dos riscos de desenvolver as doenças crônicas não transmissíveis. No entanto, esta recomendação não é válida para pessoas com quadro de diabetes pré-existente.

“Como nutricionista, enfatizo o termo “a longo prazo”. Nos atendimentos nutricionais precisamos entender todo o contexto dos hábitos dos nossos pacientes e trabalhar com a transição de hábitos e modulação do paladar. Por exemplo: uma pessoa que toma café com açúcar tem 3 opções: Tomar o café puro; reduzir o açúcar ou substituir para um adoçante natural. Apesar disso, as 2 últimas opções não devem parar nisso, pelo contrário, deve ir evoluindo para que um dia consiga ingerir sim o café sem nenhum meio que o adoce, afinal, o café por natureza é amargo”, destacou.

Natalia Bonifácio

 

A IMPORTÂNCIA DA TRANSIÇÃO DAS DIETAS ALIMENTARES – Segundo Natália quando se fala em transição de hábitos e modulação do paladar significa estar sempre evoluindo e buscando a melhor opção possível para os hábitos. Trocar o açúcar pelo adoçante ou vice-versa não proporcionará a modulação do paladar, pois o cérebro irá identificar como doce do mesmo jeito.

“É necessário fazer a transição do paladar da população. O termo paladar infantil vem ganhando força, colaborando para que a população fique cômoda em não realizar tal modulação/transição. Contudo, a grande questão é quando se tem a opção do adoçante disponível interpretada como saudável, fazendo as pessoas não quererem ou não entenderem a importância dessa transição. Uma vez feita o termo a longo prazo não chegará”, explicou.

De acordo com Natalia Bonifácio, a OMS sempre recomendou que as pessoas precisam considerar outras maneiras de reduzir a ingestão de açúcares livres, como consumir alimentos com açúcares naturais, como frutas, ou alimentos e bebidas sem açúcar. “Tal orientação já é enfatizada no Guia Alimentar para a População Brasileira desde 2014, na qual se recomenda que base alimentar das pessoas seja por alimentos naturais ou minimamente processados como: legumes, verduras, frutas, tubérculos, leguminosas, cereais, oleaginosas sem sal e nem açúcar, carnes, iogurtes, ovos, etc. Ou seja, priorizando a “comida de verdade” como a fórmula para manutenção da saúde, pontuou

ALERTA IMPORTANTE – A profissional, que também é Pós graduada em Nutrição Vegetariana pela Faculdade Educamais em parceria com a Sociedade Vegetariana Brasileira e em Marketing pela USP/Esalq, salienta que a diretiva da OMS não é para gerar desespero, é um alerta para a população e a indústria de alimentos. Ela frisa que atualmente o consumo do adoçante entre as pessoas, de alimentos ultra processados “está muito alto e frequente, as pessoas acreditam ser uma opção saudável, favorecendo o consumo desenfreado.

E reforça: “Nos meus atendimentos busco incessantemente trabalhar exatamente esse ponto da transição com meus pacientes. Esclareço que essa recomendação da OMS não é para dar abertura e incentivar a troca do adoçante por açúcar, pelo contrário, é incentivar a população a explorar e apreciar o sabor natural e real dos alimentos. Eu tenho certeza que irão se surpreender positivamente com essas mudanças. Isso sim irá proporcionar saúde e colaborar com o enfrentamento da epidemia de obesidade”.

A OMS recomenda também que a ingestão do açúcar não ultrapasse 10% das calorias diárias, contudo o brasileiro atinge patamares próximos a 16%, dado esse disposto antes dessa diretriz do dia 15, por isso, se as pessoas passarem a trocar adoçante por açúcar estarão colaborando para agravar ainda mais esse dado.

A nutricionista propõe ainda algumas reflexões como: “Será que o uso de adoçantes seria mais prejudicial do que o uso excessivo de açúcares para probabilidade em desenvolver doenças? Para quem consome o açúcar: qual a chance de permanecer numa reeducação alimentar se for retirada todos os doces, os com açúcar e os com adoçante? Será que as mais de 500 milhões de pessoas diabéticas se tornaram assim apenas pelo excesso de adoçante ou seria pelo excesso de açúcares e coisas a mais? Concluiu.

Instagram @nataliapaiao

© 1990 - 2023 Jornal Negocião - Seu melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.