sexta, 01 de março de 2024

Onda de furtos na cidade de Ourinhos vêm assustando moradores

Alexandre Mansinho

Na última semana, várias foram as ocorrências de furtos em comércios na região central e em bairros periféricos da cidade. Embora tenham sido cometidos por diferentes indivíduos, esses crimes ilustram bem como tem sido o padrão de ação dos criminosos: invasão na madrugada, uso de ferramentas ou objetos improvisados para entrar no estabelecimento, furto de objetos de fácil comércio ou troca (geralmente visando a posterior aquisição de drogas) e ação destrutiva, quebrando ou danificando objetos de valor.

Na noite de domingo, 18, dois indivíduos quebraram os vidros de uma loja de joias no centro de Ourinhos e subtraíram do local várias peças. Na madrugada da segunda-feira, 19, uma hamburgueria da Rua Euclides da Cunha foi invadida pela quarta vez, segundo o proprietário, causando mais prejuízo. Os ladrões levaram além de dinheiro, televisão, celulares, eletrodomésticos.

Continuando a onda de furtos, na madrugada da terça-feira, 20, uma loja no Jardim Itamaraty foi furtada e contabilizou muitos reais em prejuízo. 

Ainda na madrugada da terça-feira, um restaurante estabelecido também na Rua Euclides da Cunha foi invadido e teve várias ferramentas furtadas.

Um morador de rua também invadiu uma funilaria no Jardim América na noite da terça-feira e foi preso e policias impediram o furto de um carro na madrugada da quarta, 21.

Nem mesmo O Centro Pastoral da Igreja Catedral de Ourinhos e a Cúria Diocesana foram poupados e tiveram suas dependências invadidas na madrugada do domingo, 25.

POLÍCIA MILITAR – Segundo o Capitão Denilson Alysson Corrêa, responsável pelo policiamento ostensivo e pelo trabalho da Força Tática, 15 indivíduos envolvidos com as ocorrências de furto nessa semana já foram identificados e boa parte deles já foram presos. O Capitão também ressaltou que não há ocorrência que não seja atendida pela Polícia Militar e que, posteriormente, não seja investigada pela Polícia Civil: “nós entendemos que a população se sinta com medo, mas o trabalho tem sim sido feito e os resultados estão aparecendo”.

POLÍCIA CIVIL – O delegado titular da DIG – Delegacia de Investigações Gerais de Ourinhos, que concentra a apuração de casos de furtos e roubos, Dr. João Ildes Beffa, afirma que a população tem motivos para se sentir insegura, no entanto existem fatores importantes que estão ocorrendo e que acabam não chamando muito a atenção: “as investigações são feitas e indivíduos são presos, inclusive temos uma quantidade grande de itens furtados que são recuperados, ou seja, há investigações, prisões e recuperação de itens”, afirma o delegado.

APLICATIVO PARA DENÚNCIAS – Ainda segundo o Capitão Alysson, agora a população já pode fazer denúncias por meio de um aplicativo android desenvolvido para facilitar a comunicação das pessoas com a polícia. O “31bpmi denuncias” já está disponível no Google Play para que as pessoas possam mandar textos e até fotos de ações criminosas para que a polícia possa tomar as providências cabíveis. 

“ESTAMOS INVESTINDO EM INTELIGÊNCIA” – Dr. Wagner Soares, secretário da Secretaria Municipal de Segurança Pública, afirmou em diversas ocasiões ao Jornal Negocião que a função da sua pasta é funcionar como auxiliar das tradicionais forças de segurança pública e que o levantamento de informações pertinentes e a instalação de câmeras de monitoramento em locais estratégicos irão produzir resultados positivos: “estamos investindo em inteligência”.

PROBLEMAS SOCIAIS – O Jornal Negocião foi ouvir a Ten. Cel. Cenize Araújo Calazans, comandante do 31º Batalhão de Polícia Militar de Ourinhos, sobre as ações da PM para combater o problema dos furtos, sobretudo os em estabelecimentos comerciais. A comandante disse que as ações cabíveis ao 31º BPM têm sido feitas, as estratégias de policiamento têm sido constantemente reestruturadas e o tempo de resposta para as ocorrências tem diminuído.

Porém, ainda segundo a Cel. Cenize, há um forte problema social que acaba estimulando esse tipo de ação delituosa: “nós enfrentamos muitas dificuldades, mas o problema social do vício em drogas, que acaba sendo o fator de estímulo desse tipo de crime, é o mais grave na atualidade”.

HISTÓRIAS DE MEDO E INCERTEZAS – A reportagem do jornal procurou algumas das vítimas dos furtos a estabelecimentos comerciais e pode perceber que o clima é de medo e incertezas sobre o futuro dos empreendimentos. Elisângela Gomes de Souza, proprietária de uma loja de roupas no Jardim Itamaraty, foi vítima de um furto na madrugada de terça-feira e contabilizou milhares de reais de prejuízo: “foram mais de 40 peças de roupa (…) agora terei que ter mais gastos ainda com segurança (…) estou insegura e não sei se vou continuar com a loja”.

Jair Domingues, empresário do ramo de tintas, conta uma história ainda mais aterrorizante – segundo ele, o mesmo bandido furtou seu estabelecimento por três vezes e ainda passou na loja, durante o expediente, para dizer “olha, já estou solto”: “nós trabalhamos com medo”, afirma Jair.

Devanir da Silva Souza, gerente de uma lanchonete, relata que teve o estabelecimento furtado várias vezes e que já presenciou um bandido fazendo ameaças do tipo “eu vou ser solto e volto aqui de novo”. Para Devanir a lei é muito branda e estimula esse tipo de ação: “eles não têm mais medo das câmeras e nem medo da polícia”.

Já com Daniel Gallan, proprietário do restaurante invadido também esta semana, um detalhe causa mais indignação: “entraram pela janela, roubaram tudo que estava ao alcance e eu nem abri o estabelecimento ao público ainda”.

ESTATÍSTICAS – Em 2017, segundo dados da Secretaria Estadual da Segurança Pública, essa modalidade criminosa contra o patrimônio alheio, que é cometida na ausência da vítima, o furto, registrou em Ourinhos 1.503 ocorrências. Nesse número estão computados os furtos a residências e a estabelecimentos comerciais, e também os cometidos na via pública. Comparando a quantidade de ocorrências com as registradas em 2016, 1.413 casos, percebe-se o aumento de 6,4% – o que perfaz 90 casos a mais.

Os roubos, que são crimes contra o patrimônio nos quais os bandidos usam de armas ou grave ameaça contra a vítima, considerado por especialistas uma modalidade muito grave, pois pode resultar em ferimentos e até morte, também teve seus números aumentados em 6,3% em Ourinhos. Comparando os casos registrados em 2016, 146 ocorrências, com as 156 ocorrências de 2017, e levando-se em conta que o uso de armas de fogo tem crescido também, percebe-se que as ações têm sido mais violentas e incrementado negativamente as estatísticas.

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