sábado, 20 de abril de 2024

Ourinhos e mais quatro cidades da região enfrentam epidemia de dengue

Entre a população ourinhense já são contabilizados 601 casos confirmados

 

José Luiz Martins

 

A falta do inseticida Cielo UVL, o fumacê, tem sido um problema para a saúde pública no país. Dados do Ministério da Saúde indicam que os casos de dengue subiram 46% e de chikungunya 142% nos três primeiros meses do ano em comparação ao mesmo período no ano passado.

A falta mundial do insumo que produz a substância que mata o Aedes Aegypti na fase adulta atrasou o repasse do órgão responsável aos estados desde o ano passado, o que tem contribuído para propagação das doenças transmitidas pelo mosquito.

Em Ourinhos o estoque do produto acabou em janeiro após várias aplicações em regiões distintas da cidade, e mesmo com a queda na temperatura e a diminuição das chuvas a dengue continua avançando. O município teve um aumento da incidência de dengue com 601 casos confirmados, o que coloca o munícipio na condição de epidemia.

As informações são do gerente do Núcleo de Controle de Vetores da Secretaria Municipal de Saúde, Wagner Antônio de Sousa. “Hoje são 601 casos confirmados, acima de 300 casos já enquadra a cidade na condição de epidemia, até o momento nenhuma morte foi confirmada, mas há óbitos em que a causa está sendo investigada dependendo de laudos laboratoriais”, revelou o gerente à reportagem do Negocião na última quinta-feira (27/04).

Há confirmações de casos em 23 bairros de Ourinhos, as localidades com maior incidência são Jardim Eldorado, Parque Minas Gerais, Jardim Matilde, Nova Ourinhos e Jardim Paulista. Juntos esses bairros têm 30% do total de casos na cidade. Já os locais com maior número de criadouros estão nas regiões mais periféricas nas encostas do município como Orlando Quagliato.

Núcleo de Controle de Vetores – atividade

Epidemia regional

 

Em outros municípios da região a situação é mais preocupante, quatro cidades limítrofes com Ourinhos tiveram um grande aumento de casos, Santa Cruz do Rio Pardo, Salto Grande, São Pedro do Turvo e Ribeirão do Sul sofrem com a disseminação do vírus. Em Ribeirão do Sul, cuja população é de pouco mais que 4.500 habitantes, mais de 20% dos moradores pegaram dengue.

De acordo com Wagner Antônio de Sousa, a quantidade do produto importado pelo Ministério da Saúde (MS) não tem sido suficiente, o órgão informa que até o mês de julho deste ano o inseticida será novamente disponibilizado.

Apesar de o fumacê atuar muito bem em casos emergenciais, onde há descontrole da proliferação do mosquito, o gerente do Núcleo de Controle de Vetores alerta que a principal forma de prevenção das doenças causadas pelo Aedes Aegypti continua sendo evitar água parada.

“Enquanto aguardamos a chegada do inseticida para nebulização, os agentes estão fazendo o trabalho de bloqueio nas casas eliminando criadouros e orientando os moradores, a prioridade para o envio do inseticida são as cidades que estão na condição de epidemia instalada, caso dessas cidades da nossa região”.

– Wagner Antônio de Sousa. gerente do Núcleo de Controle de Vetores

 

Cuidando da saúde da população

 

Além da tarefa de visitar casa a casa com trabalho de bloqueio e controle de criadouros, a equipe do Núcleo empenha-se em outras frentes, como a estratégia de fiscalização em locais como depósitos de sucatas entre outros. Também são feitas campanhas de conscientização nas escolas, publicações, divulgação de alertas chamando a atenção para o fato de que, a maneira mais eficaz no combate a doença é eliminar criadouros não deixando água acumulada, pois ainda falta conscientização por parte da população.

“O nosso trabalho de rotina é quando não há casos de dengue confirmados, quando não estamos em situação de epidemia. Além dos agentes que visitam as casas eliminando criadouros, retirando material inservível que acumula água, tem a fiscalização estratégica em locais como depósito de ferro velho e borracharias, ações de demanda por reclamações, campanhas de conscientização”.

Núcleo de Controle de Vetores – atividade

O aedes aegypt é também o transmissor da chikungunya e do Zika vírus. Segundo Wagner, não há registro de casos dessas doenças em Ourinhos, mas na região a cidade de Cambará no Paraná e na vizinha Salto Grande há casos de chikungunya registrados.

 Núcleo de Controle de Vetores – equipe

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