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domingo, 29 de maio de 2022

‘Pacheco Chaves’ reclama de abandono e não acha justo pagar asfalto

Hernani Corrêa

Esta semana quem pede piedade e clemência da prefeitura de Ourinhos é o Parque Pacheco Chaves. Localizado praticamente na divisa do Estado do Paraná, o bairro é um dos mais distantes do centro da cidade.

Moradores solicitaram a presença de nossa reportagem para relatar o caos em que vivem, pelas condições das ruas esburacadas e do córrego que passa na parte baixa do bairro e deságua no Rio Paranapanema. A jovem Gleice Gomes, moradora da Rua Geraldo Jacob Tavares, nº 170 – esquina com Rua Achiler Zamboni (ao lado do córrego), é uma das que mais sofrem, junto com sua mãe e tia que moram no mesmo terreno.

“Temos que pagar um asfalto todo esburacado, animais peçonhentos e essa sujeira. Queríamos limpar, mas não deixam porque a beira de córrego é de preservação ambiental. Eles podem jogar esgoto, mas nós não podemos limpar as beiradas. Nós já matamos cobras, aranhas, escorpiões, mas já até acostumamos (satiriza). De quatro em quatro anos eles fazem o favor de vir limpar, mas os bichos se revoltam e vão se esconder dentro das casas”, reclama Gleice.

Ponto de Circular prejudicado – Mas não é só isso. O ponto de circular praticamente não existe na rua, pois está no meio do mato e em frente a grandes crateras no asfalto. “Temos dois cadeirantes no bairro e os dois usam a circular. A AVOA tá de parabéns, desce certinho os dois na maquininha, mas quando chega no chão tem que carregar a cadeira pra não caírem no buraco. Um deles tem até cadeira automática, mas não usa, de medo de cair. No ponto não tem cobertura e quando está sol, todos ficam esperando na sombra lá em cima e tem que vir correndo na hora em que ela aponta na esquina, um perigo de levar um tombo”, observa a jovem.

Não pagar o asfalto – Gleice considera ilegal pagar o asfalto do bairro, porque tem informação de que não precisa. “Aqui na frente da minha casa, segundo o mapa do loteamento que vi no Google, seria uma praça, bem em cima do córrego que tinha que estar canalizado. A gente foi informado assim, que pelo PAC não precisava pagar o asfalto. Entramos no Google, pesquisamos e lá diz que não precisamos pagar porque são benfeitorias do governo federal que vem lá de Brasilia, que favorece o município e regiões rurais, que é o nosso caso aqui. Estão cobrando da gente um preço exorbitante, a maioria não tá pagando porque chegou junto com o IPTU e acumulou. Eles não cobraram pela metragem do asfalto, cobraram por casa, isso tá errado. Cada casa paga um valor diferente, sendo que a metragem do asfalto é a mesma. Se eu somar as três casas deste terreno vai dar uns R$ 8.000. Todos receberam o carnê do asfalto, mas muitos, inclusive de outros bairros disseram que não vão pagar”, esbraveja.

Esquecidos – Segundo ela, o bairro é totalmente esquecido pelas autoridades ourinhenses. “Aqui no Pacheco é assim: de quatro em quatro anos vem prefeito, vem vereador pedindo renovação de voto. Aí eles passam máquinas, limpam, vem com tinta, pintam as faixas, fica tudo bonitinho. A gente liga na Rádio, reclama um monte de vezes, eles vem, trocam as lâmpadas, tapa dois buraquinhos. A SAE vem aqui sempre porque o cano deles vive estourando, mas eles só tapam o buraco que eles fazem, os outros não. Eles podem ter até material sobrando, mas não fazem, porque dizem que é serviço da prefeitura que nunca vem”, desabafa.

Conta alta de água – “Nossa conta de água veio R$ 380,00 porque nós usamos para lavar o quintal da água de esgoto que cai aqui dentro da casa. Tem duas “fontes” de esgoto aqui: tem o esgoto do riozinho, quando entope os tubos e das casas que caem aqui, porque os bueiros enchem de barro e entra aquela água preta, gordurosa. Quando o rio tá limpo, inunda pelos esgotos das casas, e com o calor, o cheiro fica insuportável”, pontua a moradora.

Falta de sinalização e acidente – “Placas de sinalização ali em cima da ponte não tem. Outro dia uma mulher pensou que podia encostar na beirada do mato e caiu pra dentro do rio com o carro. Sorte que foi do lado de cima, porque se fosse do outro lado, ela teria rodado com a força da água” lembra. 

Outra reclamante – Marlene da Silva, moradora da Rua Achiler Zamboni, nº 25 – tem um filho de 21 anos, cadeirante, e conta que “no ponto onde a gente pega a circular, que é própria para o transporte de deficientes, quando a gente desce, já cai no buraco, não tem como se movimentar com a cadeira, fica difícil pra mim, eu já quase derrubei meu filho dentro do buraco. O outro cadeirante que tem aqui já caiu e o meu menino teve que ajudar a levantar ele. Um outro menino de 10 anos, que mora no Diacuí, caiu de bicicleta naquele buraco ali (e indica o local), teve fratura exposta no braço, foi socorrido pelo Resgate e fez até cirurgia”, lembra a moradora.

Escuridão – “Ligaram todas as luzes que fazia quase seis meses que a gente estava sem, mas na frente da minha casa não ligaram e fica muito escuro aqui. A gente sai pra ir num médico de madrugada e é um perigo, tem muito mato perto”, reclama Dna. Marlene que chegou a presenciar o caminhão da CPFL ir ao local trocar as lâmpadas e voltar pra trás pois disseram que era serviço da prefeitura. “É um jogo de empurra-empurra. Reclama para a companhia, mandam chamar a prefeitura, reclama pra SAE, dizem que não são responsáveis. A gente fica sem entender e sem o serviço feito”, finaliza.

Ex-vereador opina – A reportagem consultou o ex vereador Antônio Amaral Júnior – Toninho do PT – sobre a legalidade de cobrança do asfalto. Segundo ele a cobrança é legal, porque não foi feito com recursos de emenda parlamentar, mas através de empréstimo. Que, quando vereador, solicitou ao ex-prefeito Toshio Misato o perdão desta dívida, pelo fato da prefeitura ter aumentado demasiadamente o IPTU na época, o que não foi aceito.

Outro lado – Questinonada, a prefeitura de Ourinhos informou até o fechamento desta edição que, em relação à substituição das lâmpadas, ainda não houve a assinatura do repasse dos ativos da iluminação pública para o município, ou seja, a CPFL ainda é responsável pela manutenção do Parque Pacheco Chaves. Para concretizar o termo de repasse do parque de iluminação para a municipalidade, a CPFL terá que apresentar um relatório completo sobre como está entregando esses ativos, ou seja, um raio x completo da iluminação pública de Ourinhos.

 

 

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