quarta, 22 de maio de 2024

Penitenciária de Bernardino de Campos tem quase o dobro de presos do que sua capacidade

Números recentes da própria Secretaria de Administração Penitenciária informam que na Penitenciária de Bernardino de Campos, inaugurada há pouco mais de dois anos, já há superlotação: onde deveria haver no máximo 847 pessoas, hoje há 1626 – quase o dobro. “Lá dentro eles são obrigados a dividir colchão e a revezar na hora de dormir. Celas que deveriam dormir 12 dormem 28 às vezes até 30”, afirma J. S. J., irmã de um detento.

Em sua inauguração, a Unidade Prisional de Bernardino de Campos fora apresentada como uma unidade padrão – havia a promessa de que não haveria nenhum dos problemas que aterrorizam os demais presídios do Estado de São Paulo. Se analisados os dados da SAP, das 83 unidades de regime fechado no estado, a maioria funciona com superlotação. Com o número maior de presos, falta colchões suficientes, roupas e a alimentação é escassa.

A realidade, no entanto, se mostrou inalterada – além de todos os problemas relacionados ao excesso de detentos, há também denúncias das mais diversas violações de direitos.

Segundo visitantes, os problemas que envolvem o sistema penitenciário são diversos, desde a forma de tratamento de funcionários com os familiares até com os próprios detentos. “Entendo que eles estejam cumprindo pena por crimes condenados não só pela justiça, mas também pela sociedade que não quer que pessoas assim, convivam com ela, porém, eles estão cumprindo o que devem à justiça. Os Direitos Humanos garantem dignidade para o preso e também para o visitante. A forma com a qual eles se dirigem a nós, a maneira com a qual eles ironizam certas situações, e até mesmo o constrangimento e a falta de educação de muitos funcionários, são situações pelas quais nós familiares somos obrigados a passar”, conta a esposa de um outro presidiário, que pediu para que nem suas iniciais fossem divulgadas.

“Todas as vezes que vou visitar meu marido, sinceramente, a humilhação para mim já começa a partir da entrada, quando temos que percorrer quase 600 metros a pé ou até mais com a bolsa pesada até o prédio da revista. Se caso algo que eu levei não entra por regras da casa, lá vou eu descer a ladeira para guardar em meu carro e subir de novo. Eu ainda sou jovem, mas e as senhoras de idade? Fico me perguntando se isso aí é castigo também. Quem errou está atrás das grades, nós somos seres humanos como qualquer outro, que inclusive também está sujeito a passar pela mesma situação que estamos passando um dia”, lamenta.

 

Procurada pelo jornalismo do Jornal Novo Negocião, a Secretaria de Administração Penitenciária, por meio de sua assessoria de imprensa, alegou que não há registros de violações de direitos, maus tratos ou qualquer outra situação que prejudique detentos ou visitantes. Sobre a situação de superlotação, no entanto, a Secretaria foi evasiva e insistiu que a demanda é muito grande, tornando quase impossível se manter o número de presos das unidades dentro da capacidade prevista.

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