sábado, 30 de agosto de 2025
Publicado em 15 jul 2025 - 14:57:34
14 trabalhadores paraguaios em condições análogas a de escravo são flagrados no local
Da redação
A Polícia Federal, em ação conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego, fechou uma fábrica clandestina de cigarros localizada no Distrito Industrial II em Ourinhos.
A ação conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego e Polícia Federal, é parte da Operação CHRYSÓS, destinada a desarticular organização criminosa transnacional que recrutava e explorava estrangeiros por meio de contratos estabelecidos no país vizinho.
INSTALAÇÕES EM OURINHOS – No local havia ainda 14 trabalhadores paraguaios mantidos em condições análogas à escravidão. Um homem de 40 anos foi preso.
A promessa era de que os trabalhadores receberiam um salário R$ 4 mil a R$ 5 mil por mês. Ao contrário, eram submetidos a exaustivas e ininterruptas jornadas de trabalho e durante dias se alimentaram apenas com bolachas.
INVESTIGAÇÕES – Segundo as investigações, os cidadãos paraguaios eram recrutados por representantes da organização criminosa através de grupos de aplicativo de mensagens e entravam em território nacional via terrestre, através da fronteira do Paraguai com o Paraná, principalmente a partir de Guaíra (PR).
E eram conduzidos por integrantes da organização criminosa até o local onde funcionava a operação clandestina. A promessa era de receberem um salário R$ 4.000 a R$ 5.000 por mês.
CÁRCERE PRIVADO – Porém, durante todo o período de produção, os trabalhadores tiveram seus aparelhos celulares apreendidos e permaneciam em cárcere privado, além de dormir em alojamentos precários, em instalações insalubres, submetidos a exaustivas e ininterruptas jornadas de trabalho.
Eles foram levados para a delegacia da Polícia Federal em Marília/SP, onde prestaram depoimentos e em relato ao MPT afirmaram que durante dias se alimentaram apenas com bolachas.
O procurador do Trabalho Gustavo Rizzo Ricardo, que acompanhou a operação, entrevistou os 14 trabalhadores e realizou o cálculo das verbas rescisórias devidas que serão requeridas na Justiça.
O Ministério do Trabalho e Emprego irá lavrar o auto de infração referente ao resgate dos trabalhadores, garantindo o pagamento do seguro desemprego previsto em lei. As vítimas serão conduzidas a Ciudad Del Leste para retornarem às suas casas.
ESQUEMA EM OURINHOS – Estima-se que a capacidade de produção da fábrica instalada no município era de aproximadamente 60.000 (sessenta mil) maços de cigarro por dia, operando com marcas falsificadas, o que caracteriza crimes de contrabando, falsificação e lesão à saúde pública.
A estrutura clandestina era itinerante e seria desmontada nos próximos dias para se instalar em outro município, possivelmente Marília, e seria a primeira desse tipo identificada no interior de São Paulo e a maior até o momento na região Centro-Oeste Paulista.
A OPERAÇÃO – Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva em três estados: São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. A Justiça também determinou o bloqueio de bens da organização criminosa, totalizando R$ 20 milhões.
A ação mobilizou o efetivo de cerca de 50 policiais federais, além de servidores do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho, no cumprimento de mandados expedidos pela 1ª Vara Federal de Guaíra, no Oeste do Paraná.
O nome da operação faz alusão ao município onde a organização criminosa instalou a fábrica clandestina de cigarros, sendo que “Chrysós”, em grego, significa “ouro”.
A ação conjunta destinava a desarticulação de organização criminosa transnacional que explorava mão de obra de estrangeiros.
© 1990 - 2023 Jornal Negocião - Seu melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.