terça, 18 de junho de 2024

População promete lotar a Câmara novamente na segunda-feira

José Luiz Martins

A exemplo do que aconteceu nas cidades de Santo Antônio da Platina e Jacarezinho no Paraná, manifestantes ocuparam o plenário da Câmara de Ourinhos na última segunda-feira (17/08) para cobrar a redução dos salários dos vereadores. O manifesto teve início com a convocação da população pelas redes sociais mobilizando alguns munícipes que se misturaram entre as cerca de 200 pessoas que ocuparam o plenário, ante sala e frente da Câmara.

Para chamar a atenção dos parlamentares cartazes foram exibidos com a reinvindicação, sem que ninguém se apresentasse como representante de algum movimento organizado ou entidade. Embora qualquer cidadão possa, como manda o regimento, se inscrever antecipadamente através de requerimento para usar a tribuna livre, nenhuma inscrição foi protocolada para aquela sessão.

O assunto não era pauta da casa e tão pouco algum projeto relacionado a questão estaria sendo apresentado. Porém, muitos dos presentes tinham a informação de que naquela noite os vereadores estariam votando um aumento dos seus próprios subsídios elevando dos atuais R$ 7.577,00 para R$ 12.000,00. Embora a ideia de manifestação estivesse circulando pela rede social, a notícia do aumento era falsa e foi divulgada pela internet fazendo com que muitas dessas pessoas fossem a câmara protestar e exigir que os subsídios dos edis sejam reduzidos. 

As sessões da Câmara Municipal de Ourinhos normalmente ocorrem com o plenário vazio, a população não tem o hábito de comparecer e acompanhar os trabalhos do legislativo. Na ocasião da votação que aprovou o aumento do número de vereadores de 11 para 15 para a próxima legislatura, no ano passado, o plenário estava as moscas sem que nenhuma manifestação contrária ocorresse desde que a proposta começou a tramitar.

Na última sessão foi diferente e os poucos habituais e parte da imprensa que acompanha semanalmente as sessões espantaram-se ao ver até um grupo de integrantes da maçonaria presente a acalorada reunião. Havia também políticos, comerciantes, empresários, professores e estudantes que somaram-se ao protesto de munícipes do movimento “Meu Partido é o Brasil”.

Mesmo com a pressão popular os parlamentares não se manifestaram sobre o assunto e trataram somente do que constava na pauta da sessão, ainda sim os presentes acompanharam o desenrolar dos trabalhos encerrados por volta das 21 horas. A imprensa presente, acostumada a ser atendida para entrevistas ao final de cada sessão, desta vez ficou a ver navios. Nenhum dos 11 vereadores permaneceu no plenário, com alguns se ausentando pouco antes do presidente encerrar os trabalhos. 

A reportagem do NovoNegocião entrou em contato com o presidente do legislativo ourinhense Roberto Tasca para saber o posicionamento da Câmara após a manifestação da última segunda-feira. Conforme Tasca, os vereadores estarão se reunindo hoje para entre outros assuntos, discutir a questão relacionada aos subsídios dos vereadores, pauta que será cobrada pelos manifestantes que pretendem voltar a casa na próxima segunda-feira (24) quando acontecerá a 28ª Sessão Ordinária de 2015.

 

Veja a opinião de alguns dos presentes a sessão

Macalé Isidoro – Empresário – “Eles deveriam ganhar por produção, ou seja, quantidade de recursos Estaduais ou Federais ou indústrias que trouxessem para nossa cidade, porém determinados vereadores só para fazem requerimentos para colocar nome de rua, trocar lâmpadas, buraco e muitas outras coisas pequenas. Ainda existem muitos cargos de confiança e assessores, alguns vereadores têm mais de 30 cargos de confiança. E a população como é que fica por exemplo na situação da saúde? Se fizer um cálculo mais ou menos sobraria para a saúde ou asfalto da cidade R$ 1.600.000,00 (Um milhão e seiscentos mil reais). Mas a questão não se restringe só ao salário do vereador R$ 7.500,00 e do assessor R$ 5.150,00. Cargos de confiança produtivos devem existir, atualmente existem muitos improdutivos e ou sem qualificação nenhuma. Vereador não é profissão. Hoje foi lançada uma semente aqui para mudar essa realidade”.

Antonio Trevisan – Empresário  – “Na realidade a gente vê por aí em outros países que político não é profissão, acho que o vereador não deve ser profissão, isso vem bem a calhar com o momento que o país atravessa. Com a cidade e as instituições precisando de dinheiro e benefícios, eu me sentiria incomodado se fosse um vereador recebendo muito mais que alguém que trabalha o dia inteiro e não consegue ganhar tudo isso que o vereador ganha. Pelo trabalho do vereador o salário é incompatível, acho que com todas as benesses que acabam tendo, um subsídio por volta de dois mil reais estaria bem pago. Até as lojas maçônicas estão aí presentes fazendo uma pressão para que as coisas comecem a tomar um rumo um pouco mais dentro da realidade nossa. Em todos os setores as coisas precisam ser repensadas, as estruturas públicas que estão inchadas tem que ser revistas. Uma empresa privada quando enxuga gastos é para ter rentabilidade e sobreviver, a administração pública é gerida por recursos que são pagos pelos contribuintes e também deve se submeter a cortes, hoje nós estamos assim, a economia é isso”. 

Celso Zanutto – Industrial – “Olha eu acho que a gente deveria aproveitar esse exemplo e situação que se tornou aqui bem perto da gente. É uma coisa viável para a cidade melhorar, vereador não é profissão. Ser vereador é uma missão, é assim que as pessoas devem encarar isso. Deveriam pegar o percentual da arrecadação da prefeitura que é enviado para câmara para ajudar a cidade, a saúde, a educação e não tirar proveito disso. Temos que usar o que ocorreu nas cidades vizinhas e deixar isso de exemplo aqui. Não somos tão velhos assim mas, lembro do tempo que não existia salário na câmara, quem entrava era por vocação mesmo, para ajudar, para fiscalizar e devemos pensar nisso agora, mudar a história daqui e do Brasil afora. Seria bom que fosse um salário mínimo, pois aí iriamos medir a febre de quem tem vocação mesmo, essa missão de ajudar a cidade e o povo. Pode ter certeza que vai ter gente que vai querer encarar essa missão”.

Rafael Lefcadito – Jornalista – “A pressão popular está aí, a vontade do povo foi expressa aqui na Câmara hoje e ficou bem clara para eles que se esquivaram, nenhum vereador foi capaz de abordar o assunto de uma maneira corajosa e dialogar com a população. Minha opinião é como a de todos que estão cheios, ninguém aceita mais esse tipo de má utilização do dinheiro público. O que todos querem é que Ourinhos siga o exemplo dos outros municípios baixando o salário do vereador e cortando os cargos de confiança. Deixar a câmara livre para as pessoas que querem fazer um trabalho idealista, uma política apaixonada e dedicada a vontade popular, é o que a gente espera. Eu sugiro um valor simbólico de 900 reais como em Santo Antônio da Platina, de repente isso cobre os custos do vereador pra se locomover, poder estar aqui, visitar bairro e conversar com a população conhecendo mais de perto os problemas dos bairros. Mas não um salário de 7 mil já que eles trabalham uma vez por semana, a gente sabe que se for por produtividade não daria nem mil reais”. 

Maria Cristina – Professora aposentada – “Para se representar o povo tem que viver como o povo e com o salário do povo. Essa é minha opinião, é um trabalho de dedicação a cidade por ideal, na minha família tinha políticos, meu pai foi vereador, mas na época em que vereador não recebia nada. Penso que pode ter uma verba de representação mas, pequenininha. Não sabemos ainda se os vereadores virão ao encontro do que as pessoas que estão aqui querem, mas se estivermos sempre presentes é uma forma de pressão. Voltaremos”.

Carlos Miguel – vendedor – “Antigamente o vereador não ganhava nada e mesmo assim existia um trabalho profícuo em prol da população. Na minha opinião o cargo de vereador virou uma empresa que não paga imposto e não abre falência. Hoje também é como capitanias hereditárias, sai o pai, o avô e fica o filho, ou apadrinhados, eu até acho que é preciso um salário para vereador mas não pode ser exorbitante. Conheço vereadores idealistas, que trabalham e se dedicam a prestação de serviços à população, mas é preciso acabar com os cargos de confiança que eles colocam dentro da prefeitura e em outros órgãos. Não deveria existir essa barganha, isso prejudica demais a administração pública”.

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