segunda, 27 de maio de 2024

Preços dos combustíveis diferem até R$1,00 entre postos de Ourinhos

Antes da alta era possível encontrar o combustível da cana a R$4,39 em pelo menos três dos 21 revendedores de Ourinhos

 

José Luiz Martins

 

Responsáveis por empurrar a inflação para 11%, patamar há muito tempo não atingido, e desencadear a elevação geral dos preços de produtos e serviços; os altos valores da gasolina e etanol que, não param de subir, estão entre os maiores vilões da carestia na crise econômica e social que assola o país.

Até então considerado economicamente vantajoso na relação preço/consumo comparado com a gasolina, o preço do etanol nos postos de Ourinhos sofreu substancial alta nas últimas duas semanas enquanto a gasolina subiu menos. Com os preços praticados, abastecer os veículos flex com etanol deixou de ser vantajoso.

 

 

Antes da alta era possível encontrar o combustível da cana a R$4,39 em pelo menos três dos 21 revendedores de Ourinhos. Em 15 dias o produto foi reajustado duas vezes e em alguns estabelecimentos já passam dos R$5,39 com o preço mais baixo verificado de R$4,95. São R$0,56 centavos a mais comparado ao menor preço de duas semanas atrás.

Diferentemente de alguns anos atrás quando o cartel alinhava os preços em praticamente todos os revendedores, atualmente a variação de preços dos combustíveis entre os postos em Ourinhos mostra que há concorrência.

 

 

De um posto para outro o preço, tanto da gasolina quanto etanol, podem ser encontrados com disparidades que no final das contas fazem a diferença. No caso do etanol a diferença entre o maior e menor preço atinge R$0,44 centavos; no caso da gasolina a diferença chega a R$1,00.

 

VEJA VALORES PESQUISADOS PELA REPORTAGEM:

 

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***OBS: Valores pesquisados pela reportagem até a última quinta-feira, 14/4, e podem ter sofrido alterações.

 

MAIOR DEMANDA E ENTRESSAFRA IMPULSIONA AUMENTO

As recentes altas do valor do álcool hidratado foram desencadeadas inicialmente nas usinas dos estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso, a elevação de preços do etanol chega a 8% e ocorre em pelo menos 17 estados.

A justificativa dos produtores (usinas de cana de açúcar) é a grande demanda pelo biocombustível nos últimos meses, fato que ainda pressiona os preços, mas, segundo os usineiros a expectativa é que os valores comecem a baixar nas próximas semanas, com o início da colheita da safra de cana-de-açúcar.

No estado de São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, conforme pesquisa de levantamento de preços da ANP – Agência Nacional de Petróleo, feita em 107 cidades paulistas, o litro do biocombustível está custando em média R$ 4,756. Já o litro da gasolina está sendo vendido em média a R$ 6,96.

 

NOVA FORMA DE CÁLCULO – Em breve, postos terão de cortar a terceira casa decimal do valor por litro e exibir os valores com apenas dois dígitos após a vírgula. A mudança foi definida pela Agência Nacional de Petróleo no fim do ano passado e começa a vigorar em 02 de maio. Mas não agradou muito os donos de estabelecimentos.

É que no final das contas, o preço total da compra deve diminuir em alguns centavos, que deixam de entrar no faturamento dos postos a cada abastecimento. No fim do mês, pode representar centenas de reais que deixarão de entrar no caixa.

Para o consumidor será uma redução mínima. O que pode ocorrer é um arredondamento do valor por litro, que se for para cima, aí sim vai pesar no bolso principalmente de quem usa o veículo para trabalhar.

Como exemplo, se tomar por base o preço médio do litro de gasolina em São Paulo na primeira semana de abril R$7,192 centavos, o abastecimento com 30 litros custaria R$215,76 ao consumidor. No arredondamento para cima: R$7,20, o valor total subiria para R$216,24 centavos a mais para o consumidor.

Já a mesma base de cálculo com arredondamento para baixo: R$7,19, finalizaria em R$215,70 Os seis centavos a menos no caixa dos postos a cada 10 clientes representam 60 centavos a menos no faturamento.

 

Preço do Gás de cozinha baixa, mas não para o consumidor

O consumidor não está sentindo a queda de preço do gás de cozinha anunciado pela Petrobrás no sábado (9), com redução de 5,58% no preço, que representa R$ 0,25 por kg do GLP (Gás liquefeito de petróleo) vendido às distribuidoras.

A pequena queda do preço pouco representa um alívio no bolso do consumidor, na prática a redução tem um impacto nulo, pois o valor do botijão continua alto, para o consumidor final a redução média no preço do botijão, se ocorrer, deve ser de R$ 3,25.

 

 

Além disso, a prática do mercado revendedor é repassar diminuições de custo muito mais lentamente do que os aumentos aproveitando para melhorar o caixa das empresas que demoram a repassar a mudança para o consumidor.

A pequena diminuição pode ainda ser anulada por aumentos futuros de outros custos, como o da distribuição do produto que depende do preço dos combustíveis.

Ourinhos tem cerca de 30 revendedores de gás espalhados pela cidade, em uma rápida pesquisa via telefone, em sete revendedores pelo menos cinco disseram que ainda comercializam o estoque do produto comprado antes da redução.

O preço praticado por essas empresas varia de R$ 115 e R$ 125, ou seja, o mesmo preço que já vinham cobrando desde o último aumento de 16,06% ocorrido no mês março.

Na prática esses valores se repetem em todos os outros revendedores da cidade com rara exceção, demonstrando que a queda de preço praticada entre as refinarias e distribuidoras dificilmente chega ao consumidor.

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