terça, 10 de março de 2026

Após anunciar áudio que o inocenta Lucas Pocay deixa de se pronunciar

Publicado em 03 jun 2020 - 17:26:00

           

Lives que eram constantes em suas redes sociais não foram divulgadas nos últimos dias; Câmara realiza primeira reunião da CPI

 

Marcília Estefani

 

Após a denúncia feita pelo empresário Ricardo Xavier Simões à Polícia Federal, contra o prefeito Lucas Pocay e secretários da administração e a instalação de uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito – pela Câmara Municipal, o prefeito apresentou documentação na Câmara. Pocay argumenta que o processo foi extinto porque a Delfim Verde não cumpriu com o estipulado. E ainda anunciou a existência de um áudio que esclarece os fatos, que seria apresentado à polícia e deveria inocentá-lo. Depois disto, o prefeito não se manifestou mais.

 

“FAKE NEWS” – Após a denúncia feita pelo Jornal Debate de Santa Cruz do Rio Pardo, Lucas Pocay publicou através de vídeo em suas redes sociais, que ficou sabendo dos fatos pela imprensa e classificou a notícia como Fake News, de interesses pessoais e eleitoreiros. Disse ainda que confia na justiça e que entraria com ação de denunciação caluniosa, danos morais.

 

O prefeito Lucas Pocay em sua última live

 

DOCUMENTOS – Na terça-feira, 26, foi enviado documento à Câmara Municipal de Ourinhos, cópias dos processos administrativos que resultaram em revogação do procedimento de Dação, em razão do descumprimento de cláusula do contrato pela Delfim Verde.

No ofício consta ainda que o conteúdo da matéria publicada pelo Jornal Debate coloca em dúvida os princípios de transparência e da moralidade administrativa que norteiam a administração, e que a matéria tem cunho maldoso, eleitoreiro e calunioso.

 

PREFEITO SE CALOU – Depois nada mais foi falado ou divulgado por parte da prefeitura sobre o assunto. Tanto a mídia local e regional quanto a população, têm encarado com estranheza o silêncio do prefeito, que fazia uso constante das redes sociais para se comunicar com os munícipes e também com a imprensa, por meio de lives e postagens de suas atividades e projetos. Algumas postagens formam feitas em sua página no Instagram, mas no Facebook, a última tem data do dia 21 de maio.

Na noite do domingo, 31, foi publicada por um site da cidade, matéria citando que no processo de falência da Delfim Verde há uma auditoria realizada pela KPMG, e que em relatório apresentado pela empresa, consta que a dação em pagamento somente não foi finalizada porque a própria Delfim Verde quem não concluiu o processo, devido a sua inércia.

 

ÚLTIMA POSTAGEM – A última postagem do prefeito em sua página do Facebook diz respeito a uma matéria publicada pelo Jornal Tribuna Ourinhense, que classifica o prefeito como o melhor da história de Ourinhos. O fato é alvo de uma outra denúncia contra Pocay, protocolada pelo Deputado Federal Capitão Augusto no dia 22 de maio, junto ao Ministério Público Estadual.

O parlamentar acusa o prefeito e o secretário de comunicação Felipe Chamorro, por suposta promoção pessoal de agente público, feita no Jornal Tribuna Ourinhense e por meio de vídeos divulgados nas redes sociais. Consta ainda na representação que a edição a qual o deputado ressalta, foi feita com uma tiragem de mais de 50.000 exemplares, e que foi distribuída gratuitamente.

 

PRIMEIRA REUNIÃO DA CPI – Na tarde da terça-feira, 2, os vereadores Cícero de Aquino “Cícero Investigador”, Edvaldo Lucio Abel “Vadinho”, Anísio Felicetti, Flávio Luis Ambrozim “Flavinho do Açougue”, Santiago de Lucas Ãngelo e Alexandre Araujo Dauage “Alexandre Zóio” realizaram a primeira reunião. Compõe a CPI também o vereador Caio Lima (DEM), que não esteve presente.

 

Primeira reunião da CPI na Câmara

 

PRIMEIRAS MEDIDAS – A CPI foi instaurada para apurar a denúncia do empresário Ricardo Simões e também investigar atos ilícitos, em tese, praticados por agentes públicos no exercício de suas funções. Foram discutidos os procedimentos necessários a serem adotados para a apuração dos fatos e estabelecido um cronograma de ações.

A CPI tem 90 dias para concluir os trabalhos. “Fizemos um cronograma de atividades para que possamos trabalhar de forma organizada e sempre com muita seriedade e ética. Vamos iniciar as oitivas e levantar o máximo de informações sobre o caso”, contou o vereador Cícero Investigador, que é o presidente da Comissão.

 

OUTRO LADO – Sobre o “silêncio” de Lucas Pocay, prefeitura informou que o prefeito teve sua página denunciada, supostamente pela oposição. Por isto não tem feito postagens através da mesma.

Sobre o caso Delfim Verde não há nenhuma novidade, apenas que entraram com uma ação para que Ricardo Simões responda pelas mentiras que denunciou. Sobre o áudio, foi informado que o mesmo já está na mão do judiciário.

 

RELEMBRE O CASO DELFIM VERDE: O empresário Ricardo Simões, proprietário da Delfim Verde, denunciou junto à Polícia Federal em Marília, possível esquema de extorsão envolvendo o prefeito de Ourinhos, Lucas Pocay (PSD), o ex-deputado Claury Alves da Silva, o ex-secretário de Assuntos Jurídicos, Pedro Vinha Júnior e o atual secretário de finanças Osvaldino de Araújo Alves.

 

Ricardo Simões, proprietário da Delfim Verde

 

Acontece que, com dificuldades financeiras, a empresa Delfim Verde acumulou uma dívida de IPTU e seu administrador tentou negociar com o município uma dação em pagamento, tipo de negociação totalmente legal, em que o devedor oferece ao credor um bem imóvel em vez de dinheiro, não sendo o credor obrigado a aceitar. Ricardo teria oferecido um terreno de 14.000m², localizado em área nobre, de frente ao Lago Municipal de Ourinhos.

A negociação começou no início de 2018, e Ricardo chegou a ser procurado por Pedro Vinha Júnior que, para processar com sucesso a demanda da dação em pagamento, afirmou que a Delfim teria de doar ou ceder quatro lotes do loteamento Royal Park Prime (Condomínio Fechado de Ourinhos), sendo em segundo momento aumentada para cinco lotes.

A proposta, segundo a denúncia, foi rechaçada por Ricardo e seu sócio à época, Mário Matheus, ficando a dívida pendente na prefeitura.

Após a extinção da Secretaria de Assuntos Jurídicos, Vinha teria procurado a Delfim Verde para oferecer seus serviços e em março de 2019 afirmou a Ricardo que “sem a contratação, o homem não vai assinar a dação”, se referindo a Lucas Pocay.

O empresário então teria desafiado Pedro Vinha a provar sua influência na prefeitura, apresentando o processo de dação em pagamento assinado pelo prefeito. Pedro Vinha, segundo depoimento de Ricardo, conseguiu e levou o projeto ao empresário já no dia seguinte. Mas, novamente, a proposta teria sido recusada por Ricardo.

Vinha teria insistido e feito outras duas ofertas. Segundo a denúncia, o advogado propôs comprar cotas da Delfim Verde pelo valor de R$ 7 milhões. Depois ofereceu comprar, também por R$ 7 milhões, três terrenos do empresário. A carta de intenção de compras das cotas empresariais seria feita em favor de um outro empresário ourinhense.

Todas as propostas foram recusadas segundo a denúncia, o que resultou no cancelamento da dação em pagamento por parte unilateral da prefeitura. Os títulos pendentes da Delfim Verde foram todos protestados em cartório pela Prefeitura de Ourinhos.

 

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