terça, 10 de março de 2026

Prefeitura de Ourinhos propõe política intermunicipal de saúde para resolver o problema de falta de leitos na Santa Casa

Publicado em 28 jul 2017 - 04:08:21

           

Alexandre Mansinho

Atualmente a cidade de Ourinhos vive uma situação delicada na área da saúde. O fato de ser referência no atendimento de urgência e emergência para as cidades vizinhas somado ao fato de também ser polo regional de atendimento no SUS para exames e inúmeros outros procedimentos médicos aliada a uma crise sem precedentes na arrecadação de recursos, transformou a saúde pública ourinhense em um complicado emaranhado de problemas. Algumas ações implementadas em 2017 pela gestão municipal foram bem recebidas pela população.

UPA e Santa Casa – Entre todos os problemas existentes na saúde pública municipal, sem dúvida o que mais chama a atenção é a relação de logística no atendimento dos pacientes que dão entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e necessitam de posterior internação na Santa Casa. O administrador Fernando Abreu explicou que a principal dificuldade não é a falta de leitos, e sim a falta de recursos: “nosso hospital tem uma capacidade de atendimento de toda a demanda apresentada, no entanto não há recursos para subsidiar (…) temos o famoso problema do “cobertor curto”, o que nos obriga a usar critérios médicos para priorizar procedimentos”.

Edvaldo Lúcio Abel, o vereador Vadinho, tem uma visão diferente sobre esse problema. Em discursos na tribuna da Câmara dos Vereadores, Vadinho acusa o sistema de logística e priorização de atendimentos de irresponsável: “levamos ao Ministério Público uma denúncia, baseada em diversas situações de espera na UPA por um tempo maior que o recomendado, acusando a Secretaria de Saúde e as direções da UPA e da Santa Casa por estarem faltando com a responsabilidade na gestão do sistema de urgência e emergência”.

Critérios para priorização de atendimento – De acordo com o Conselho Federal de Medicina, por meio de seu website, a RESOLUÇÃO CFM nº 2.077/14 ressalta que há uma classificação de risco, realizada por profissionais de saúde treinados, que dão prioridade a casos mais graves. O vereador Alexandre Enfermeiro, presidente da comissão de saúde da câmara, explica que todos os critérios usados nos protocolos de atendimento da UPA e da Santa Casa respeitam critérios técnicos que levam em consideração o risco de vida do paciente: “sabemos que é um sofrimento enorme para quem está na UPA aguardando liberação de leito na Santa Casa, no entanto o sistema leva em conta critérios de responsabilidade médica para fazer tal priorização”. 

Exames de Alta Complexidade – Sobre a grande lista de espera para exames de alta complexidade, Alexandre Enfermeiro explicou que a responsabilidade de subsidiar esses exames é do Governo do Estado e que a prefeitura ultrapassa sua competência para que a situação dos que esperam não seja ainda mais ruim: “é necessário explicar que os recursos para a saúde são obtidos de diversas fontes, os exames de alta complexidade, como ressonância magnética por exemplo, são feitos pelo Governo do Estado de São Paulo – existe sim uma carência nessa área (…) a prefeitura estuda adquirir alguns aparelhos para fazer, por meio de recursos municipais, esses procedimentos”.

Política Intermunicipal de Saúde – O governo municipal de Ourinhos tem promovido várias reuniões com todos os envolvidos no atendimento do sistema de saúde de Ourinhos, o objetivo de tais reuniões é aprimorar os protocolos de atendimento para que se possa atender mais pessoas nos hospitais e descentralizar os atendimentos menos complexos para os ambulatórios. Essa mesma ideia está sendo aplicada no nível intermunicipal. Ainda segundo Alexandre: “no caso dos pacientes de outros municípios que são atendidos na Santa Casa, observamos que ele muitas vezes poderia ter seu tratamento finalizado em sua própria cidade (…) melhor dizendo, após o primeiro atendimento e afastado o risco de perder a vida, os “ciclos de antibióticos” que devem ser aplicados via soro em ambiente hospitalar poderiam ser ministrados no próprio município do paciente, tornando a liberação de leitos da Santa Casa mais rápida e aumentando a rotatividade (…) é para essa e outras tantas definições de caráter prático que estamos realizando reuniões com todos os secretários de saúde dos municípios que têm Ourinhos como referência para, em conjunto, encontrarmos soluções para melhorar o atendimento”.

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