terça, 10 de março de 2026
Publicado em 06 out 2020 - 12:52:54
Segundo os produtores a mortalidade de galinhas produtivas aumentou na última semana
Marcília Estefani
As altas temperaturas registradas nos últimos dias podem prejudicar também a produção de ovos da cidade, devido a morte de grande número de galinhas. Uma das granjas ourinhenses por exemplo, em um só dia perdeu cerca de 300 cabeças.
Bastos, cidade que tem a maior produção de ovos do estado de São Paulo, registrou nos últimos dias a morte de mais de 30 mil galinhas, conforme publicação do G1.
Segundo Katumi Kuwana, produtor de ovos em Ourinhos, a situação é preocupante e o produto pode até faltar.

“De quinta para sexta-feira (1 e 2 de outubro) da semana passada, aqui na granja, tivemos uma perda de 300 cabeças, ouvi dizer que outros produtores vizinhos também já perderam muito nesses dias, uns 1.200, outros 2.000 galinhas. Nunca vimos um calor assim, e por tantos dias”, diz Katumi.
Segundo o avicultor, a primavera é um período de safra para os criadores, com o calor muito forte a produção diminui. E com a morte das galinhas, há uma queda ainda maior, o que certamente vai interferir no preço final, podendo causar até a falta do produto.
Em Ourinhos, na quarta-feira, 30 de setembro, os termômetros marcaram 40,4º, seguidos de 40º na quinta e 39,4 na sexta-feira. O final de semana teve um clima mais ameno devido à ventania que dominou a cidade.
Números extremamente altos estão sendo projetados para os próximos dias, com mínima de 19º e máxima de até 43ºc novamente entre a quarta e sexta-feira. O Inmet informa que o bloqueio atmosférico deve durar até por volta dos dias 12 e 13 de outubro.
Situação em Bastos não é diferente, sem previsão de temperaturas mais amenas
De acordo com o Inmet, Bastos registrou temperaturas acima de 40ºC nesta semana, chegando a atingir 41,4ºC no sábado (3). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a umidade ideal é entre 60% e 80%, mas a cidade chegou a ter índices bem reduzidos, ficando abaixo de 9% de umidade em alguns momentos.
Segundo o avicultor e veterinário Sérgio Kakimoto, a temperatura ideal para as aves é de 28ºC. “Elas suportam um calor de até 39ºC, esse é o limite na sensação térmica, mas tem feito mais de 40ºC, então elas não estão aguentando”, explica.

Por causa disso, os produtores relataram que as galinhas estão se alimentando menos e bebendo mais água, o que faz elas botarem ovos menores e em menos quantidade. A estimativa é de que 30% da produção deve cair por conta disso.
“Com as galinhas que se alimentam mais o problema é maior, porque com esse calor, a ração começa a fermentar no intestino delas e o calor começa vir de dentro. É como se elas cozinhassem por dentro, o que é uma das causas da morte pelo calor”, explica o veterinário.
As granjas de Bastos comandam 36% da produção do estado, segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Com a produção menor, os produtores informaram que o preço do produto deve subir nos próximos dias.

Para tentar amenizar o calor e, consequentemente, o prejuízo, os avicultores estão jogando água com um produto à base de eucalipto nas galinhas. Porém, segundo Sérgio é preciso ter cuidado com o vapor que esse sistema pode gerar.
“A combinação do forte calor e da baixa umidade relativa do ar, que chegou a 9% em alguns dias, tem sido fatal para as galinhas. E a ventilação nem sempre funciona porque o ar quente pode sufocar as aves”, comenta.
(Com conteúdo G1)
© 1990 - 2023 Jornal Negocião - Seu melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.