sábado, 20 de julho de 2024

Professor ourinhense usa Fake News para ensinar ciências na escola

Publicado em 28 abr 2018 - 07:39:27

           

Marcília Estefani

O Professor ourinhense Estevão Zilioli ganhou destaque nos últimos dias nas redes sociais em sites como BBC Brasil, G1, UOL, por desenvolver um projeto que desenvolve nos alunos o pensamento crítico, além de estimular o trabalho de pesquisa.

Estevão desenvolveu um curso semanal voluntário no contraturno para alunos do ensino médio e tem usado o impacto que as fake news – notícias inventadas e divulgadas pela internet, tem causado no mundo moderno. Os próprios estudantes buscam as notícias de cunho duvidoso para análise em sala de aula.

A ideia é que eles próprios se perguntem: essa notícia tem fontes e dados confiáveis? Merece ser acreditada – e compartilhada?

Segundo o professor, inicialmente foram analisadas notícias de ciências e saúde, mas os alunos se interessaram também por notícias de entretenimento e política, por estarmos em um ano eleitoral.

“O método de checagem é o mesmo para todas: buscar informações de fontes confiáveis. Estou falando de método científico, de busca de informações seguras que possam ser demonstradas, até para eles entenderem que não é simples provar as coisas”, conta Estevão.

Os alunos são incentivados a discutir as notícias e em encontrar formas de checar as informações online – buscando as fontes originais dos fatos ou pesquisando em artigos acadêmicos, periódicos científicos, IBGE e sites de tribunais eleitorais, por exemplo.

Entre as notícias já analisadas, estão:

De que frutas ingeridas em jejum curam câncer, que os alunos perceberam que não tinha fontes seguras para garantir a afirmação do título;

A de uma mãe que teria aplicado botox na filha pequena (os jovens foram atrás das imagens da mãe, que é participante de um reality show nos EUA, e estão tentando tirar suas próprias conclusões pelos vídeos);

Sobre o cientista Stephen Hawking, morto em março, falando sobre vida extraterrestre (os alunos descobriram que a notícia em si não era falsa, mas tinha um título exagerado);

De que o juiz Sergio Moro seria orador em cerimônia de universidade americana, a qual, apesar de ter algumas informações verdadeiras, trazia declarações falsamente atribuídas a um pesquisador da instituição;

Sobre terraplanismo, difícil de ser analisada justamente por colocar em xeque premissas científicas.

Zilioli afirma que através das pesquisas os alunos já concluíram que existem notícias falsas, mas também as que são baseadas em fatos verdadeiros, porém com títulos exagerados ou sensacionalistas.

O desenvolvimento do projeto vem causando uma mudança de atitudes nos alunos que antes achavam que se uma matéria era compartilhada muitas vezes, necessariamente era real. Agora, estão percebendo que esse critério numérico não vale. E mesmo que eles percebam logo de cara que a notícia é fake, têm de confirmar isso com a metodologia.

A ideia fez o professor ser selecionado para o projeto Inovadores, do Google, que o ajudou a idealizar um site – batizado pelos alunos de Ourinhos de HoaxBusters, ou Caça-boatos, que terá uma espécie de “termômetro” para identificar o quanto cada notícia analisada tem de veracidade.

(com informações do G1)

 

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