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sexta, 19 de agosto de 2022

Quem não lê rótulos pode comprar ‘alimentos fake’ ou ‘similares’

Sem muita atenção para o que estão adquirindo, consumidores acabam comprando “gato por lebre” e levando para casa produtos que parecem mas não são originais

 

José Luiz Martins

 

Com menos dinheiro no bolso consumidores ourinhenses e brasileiros em todo país estão comprando mais o que é rotulado na linguagem popular como “gato por lebre”. Usada para caracterizar uma situação em que se é enganado, a frase surgiu em remotos tempos de guerra e carestia, quando era comum comerciantes venderem algum produto como se fosse outro.

E é com muita propriedade que essa expressão pode ser utilizada atualmente, pois além de preços nas alturas, a cada ida aos supermercados os consumidores atentos vão se deparar com uma série de produtos, principalmente alimentos, “similares”, no qual os fabricantes buscam diminuir o custo da produção e manter o lucro.

Para isto, fabricam e põe no mercado produtos que misturam ingredientes diferentes dos originais, ou com peso e quantidades menores sem que isso esteja ostensivamente demonstrado para quem compra.

ALIMENTOS FAKE – Hoje chamados de “alimentos fake” (alimentos falsos) esses produtos industrializados “parecidos” têm sido largamente adquiridos por serem mais baratos, comparado aos elevados preços dos produtos ditos originais. De sucos até frutas como a cereja, leite em pó, azeite, iogurtes, creme de leite, queijos, chocolates, requeijão, massas e pão integral, muitos alimentos rotulados como “tipo, mistura, composto”, análogos ao original, estão nas gondolas contendo ingredientes extras como amido, goma, derivados de soja, soro lácteo, fubá, fibras de cereais, entre outros.

O design, cores, tipagem de letras das embalagens às vezes idênticas às originais também leva os consumidores a se confundirem e consumir produtos sem saber exatamente o que está ingerindo, embora obrigatoriamente as informações conste na lata, caixinha ou pacote. O problema é não prestar atenção nas informações contidas nos rótulos que, geralmente, são impressas em letras tão minúsculas, quase ilegíveis, talvez com intenção de desestimular a leitura.

Mas é lendo com atenção os rótulos que descobrimos se determinado alimento é ou não “fake” evitando enganos, pois se um alimento é vendido como suco, mas contêm somente 5% de suco natural e outros ingredientes não é suco. A maioria das pessoas não tem o hábito de conferir o que está descrito nas rotulagens, quando muito o que os desatentos conferem é a data de validade, informações nutricionais importantes também são ignoradas.

 

DIFERENÇAS DE SABOR – Mas desatentos ou não, a escolha é sempre de quem compra, como o empresário Alexandre Mariani, ouvido pela reportagem do Negocião, que se atém as informações de nutrição e já acabou comprando queijo mussarela que não tinha sabor de mussarela e também reclama sugerindo que certas marcas de leite têm água.

 

Alexandre Mariane – Empresário

 

Maria Cassiano de Oliveira – Dona de casa

“Procuro sempre olhar a data de validade, mas os ingredientes normalmente não faço a leitura. Eu costumo ver quanto de calorias tem, sal e o grau de açúcar, mas a fórmula especificamente dificilmente olho. A gente faz um pouquinho de opção pelos gourmet mas eu já comprei mussarela e depois senti que o sabor não era tanto de mussarela tinha alguma mistura, as vezes percebo em alguns produtos que está diferente, como no caso do leite que tem vindo bem aguado sabe”.

A jovem Patrícia Dutra Marcelino, que trabalha como analista de mercado, diz não ter o hábito de ler as informações das embalagens para ver ingredientes revelando que já comprou um produto que só quando foi utilizá-lo na cozinha percebeu que não era o que precisava. “Olha ver tudo o que está escrito no rótulo é uma coisa que eu não estou acostumada a fazer, sei que é importante principalmente pra quem precisa saber o quanto tem de carboidrato, calorias essas coisas. Outro dia fui fazer um estrogonofe com creme de leite só que o prato não ficou nada bom, só aí eu vi que não era o creme de leite, fui olhar lá na caixinha e era um que tinha mais soro que creme e outras coisas, estava escrito na embalagem, mas não vi quando comprei”, lamentou. 

 

Patricia Dutra Marelino a direita – Analista de mercado

 

Silvana Barreto – Dona de casa

“Comprei uma margarina na promoção para provar e não gostei, tinha uma textura e sabor muito estranho, mas era um preço bem menor”, relatou a dona de casa Silvana Barreto. Ela diz ler no rótulo principalmente a validade, estando atenta aos componentes do produto. “Também procuro ver o teor de colesterol, gordura saturada, sal, nitrato. É um cuidado que tem que ter, mas é escrito tão pequenininho que dificulta. Eu uso óculos e mesmo assim tem uns que são difíceis mesmo de ler”.

 

Silvana Barreto – Dona de casa

 

A aposentada Valdeci Dias também se decepcionou quando foi fazer um creme para um bolo e o leite condensado que havia comprado não era o que pensava ser e não conseguiu preparar o creme como gostaria. Para ela a carestia dos alimentos tem feito a maioria das pessoas comprar o que está mais barato mesmo sabendo que o produto é similar.

 

Valdeci Dias – Aposentada

 

Ela não tem o costume de verificar as informações de ingrediente e de nutrição nas embalagens. “Infelizmente não vejo nada disso, eu deveria, mas não faço, acho que todo mundo deveria, mas a gente vive na correria e agora com tudo custando um absurdo a gente vai pelo preço mais em conta e acaba comprando “gato por lebre. Tá muito difícil nunca vi os preços do jeito que estão a gente não tem saída ou compra esses parecidos mais baratos ou fica sem”.

Já a dona de casa Maria Aparecida Cassiano de Oliveira disse que o fato de vários produtos estarem muito caros, faz com que as pessoas optem por esses alimentos que não são o que parecem ser. “Vejo principalmente o vencimento e dependendo do produto vejo as outras informações também, como a procedência e o que contém, mas não é sempre. Eu compro as marcas que conheço a bastante tempo sabendo da qualidade, que é bom e posso confiar”.  

 

Maria Cassiano de Oliveira – Dona de casa

 

OPINIÃO DE UMA PROFISSIONAL – Atendendo a reportagem do Negocião a Nutricionista Heloane Andrade Vieira de Carvalho disse que a diferença mais gritante entre esses produtos “fakes” é a do composto lácteo com o mínimo de 51% de leite. A informação comumente passa despercebida destacando que o leite em pó para crianças, conforme a legislação tem que ser 100% leite e outros ingredientes misturados pode fazer mal, por exemplo, a quem é alérgico a determinado ingrediente.

Ela chama atenção também sobre a quantidade do produto que tem diminuído, mas mantém o preço da pesagem ou tamanho anterior à mudança. Veja o que disse a nutricionista responsável pelo Serviço de Nutrição e Dietética do Hospital de Agudos.

 

Nutricionista Heloane Andrade Vieira de Carvalho

 

Leite em pó com menos leite

“O leite em pó se você for ver na legislação ele tem que ser 100% leite, seja integral, desnatado ou semidesnatado, o composto lácteo tem que ter no mínimo 51% de leite podendo ter ainda aditivos. Por exemplo, os chamados compostos lácteos infantis, o leite é desnatado e tem o soro do leite desmineralizado com os micronutrientes que podem ser acrescidos como cálcio, ferro, zinco que ajudam a suplementar alimentação da criança. No caso do composto lácteo, tem o soro do leite que adicionam ao produto, se a criança não tiver nenhuma alergia, não tem problema. No caso dos queijos existe uma mistura que usa amido para engrossar e para dar liga então não é 100% leite”.

 


 

Rótulos com letras e cores iguais

“São vários outros produtos que têm ingredientes diferentes e muito pouco se muda nos rótulos. Poderiam ter cores diferentes para distinguir, no caso do composto lácteo e o leite em pó que usamos, a lata tem as cores idênticas. As pessoas na correria do supermercado levam e só vão perceber a diferença entre um e outro depois da compra. Tem consumidores que estão acostumados há tempos com determinados produtos e marcas, de repente lançam um produto aparentemente igual com a embalagem parecida confundindo a compra”.

 

Informações além das embalagens

“Penso que além das informações obrigatórias nas embalagens dispostas pelo fabricante de maneira que sejam mais visíveis, em destaque com cores diferentes, os supermercados deveriam dispor um aviso seja nas gôndolas, nas prateleiras chamando atenção para as diferenças. Veja, uma pessoa que não enxerga muito bem não vai ver, pois as letras são muito pequenas em um cantinho qualquer”.

 

Quantidade, preço e problemas de saúde

“O grande problema disso tudo são processos alérgicos que a pessoa tenha por ingestão de amido, derivados de soja, glúten e outros que senão for verificado pode causar sérias complicações de saúde. Fora isso é importante ver também o peso do produto, se você for ver por exemplo, bolachas, chocolate, farináceos, macarrão e até papel higiênico verá que que muitas marcas mudaram a quantidade, só que o preço diminuiu apenas centavos, ou é igual ou às vezes maior e isso não é mostrado claramente. É muito importante verificar o que diz os rótulos e ultimamente temos que ter essa atenção toda vez formos às compras”.

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