segunda, 9 de março de 2026
Publicado em 16 jan 2026 - 12:31:37
Parceria com cooperativa de crédito faz paróquias de Ourinhos ampliarem rentabilidade e público dos eventos
Juliana Neves – Especial para o EN DIA
Tradicionais na cidade de Ourinhos, as quermesses têm apostado na modernização trazida pelo uso de máquinas de cartão e pelo sistema de cardápios digitais para ampliar a rentabilidade e o público desses eventos.
A estratégia de profissionalização começou a ser adotada no ano passado, a partir da experiência dos Freis Agostinianos (leia mais abaixo). Hoje, a maioria das paróquias de Ourinhos adota máquinas de cartão e sistema de cardápios digitais em seus eventos.
Este foi o caso da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que registrou aumento nas vendas dos produtos da praça de alimentação e de visitantes após modernizar a estrutura do evento.
“O número de visitantes da nossa quermesse mais tradicional, realizada em novembro, foi superior ao registrado nos outros anos. Havia pessoas no Salão Paroquial e muito mais do lado de fora, na rua. As vendas também aumentaram após adotarmos o sistema de cardápio digital”, relata o padre João Marcos Redondo, pároco da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
A paróquia promove três quermesses durante o ano. A decisão de experienciar fichas automatizadas de impressão instantânea foi tomada após a aprovação do seu conselho de festa, em agosto. No evento experimental foram utilizadas cinco máquinas.
Com a percepção de redução de filas e agilidade no fechamento do caixa, a festa oficial, em novembro, passou a ter oito máquinas. O resultado, segundo o padre, agregou valor à quermesse e tornou a estratégia definitiva. Ele garante que não há volta para as fichas de papéis.
“Os paroquianos elogiaram a implementação do sistema de cardápio digital pela facilidade da compra das fichas dos produtos que desejavam consumir. Não tivemos problema de estorno. A única “dificuldade” era informar à pessoa que o produto havia acabado, mas que poderia usar a ficha, mesmo com outro nome, para pegar outro produto do mesmo valor durante a festa”, comenta José Augusto de Luigi, membro do conselho de festa da Paróquia.

A profissionalização das quermesses da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e de outras paróquias de Ourinhos foi possível por meio de parceria com a agência de Cooperativa de Crédito Sicredi Ourinhos Centro, que é a primeira agência da cooperativa a ser criada, inaugurada, dentro do estado de São Paulo, em 2011.
O acordo recebe o nome de Combo Entidades Religiosas. O “kit festa” consiste em PIX isento, o uso da parceria do sistema “Zero fila” para o cadastro dos produtos e a utilização do cardápio digital.
O combo dispõe de cinco modelos de impressão das fichas e relatórios, dois modelos à escolha da Paróquia do aplicativo e o fornecimento de brindes para rodadas do Show de Prêmios ou outras brincadeiras de sorteio.
O combo de negociações para as quermesses da Paróquia foi lançado em abril de 2025 e tomou corpo no final do primeiro semestre, como explica Givian Vinicius Gaspar Santos, gerente de meios de pagamento da base sede da agência de Ourinhos, a Sicredi Norte Sul, que atende aos estados de Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.
“Demos maior ênfase a essa oferta de serviço a partir de julho, momento do ano em que se tem maior registro de festas católicas. O que fizemos foi retirar a visão de uma condição estritamente comercial, porque conseguimos uma flexibilização nas formas de subsídio e pagamento com as Paróquias”, complementa Givian.
A adoção do combo envolve custo de manutenção. “Porém entendemos que isso é convertido na proximidade entre a cooperativa de crédito e a instituição religiosa. Um relacionamento de entrega de valor que as Paróquias estão colhendo os frutos ao analisar os resultados das quermesses”, afirma o gerente.
José Augusto de Luigi, membro do conselho de festa da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, comprova os efeitos positivos da parceria com o Sicredi. De acordo com ele, não há nenhum peso no “bolso” da instituição religiosa. Pelo resultado conquistado na quermesse teste e na oficial em novembro, diz ele, a taxa de manutenção é irrisória.

Para Ludmylla Dias Machado Cabral, gerente de comunicação e marketing do Sicredi, a parceria com as paróquias cria um ciclo virtuoso. “O Sicredi estará bem quando a comunidade também estiver. Um não funciona sem o outro. Quando o Sicredi está presente em algum evento católico, demonstramos não somente aporte financeiro, mas presença, verdadeira, para aquela comunidade. É algo que estreita o relacionamento”, sintetiza.
Outra vantagem da parceria é que os custos do combo são dissolvidos dentro da própria agência e não repassados para as Paróquias, fortalecendo o relacionamento entre ambos. “As paróquias confiam muito na cooperativa, deixam todas as movimentações e aplicações com o Sicredi. É uma via de mão dupla”, avalia Givian.
Ao lado das alegrias da parceria consolidada, existem as dificuldades e desafios. A principal é as pessoas entenderem que, se a instituição gera resultados, é necessário reciprocidade. “Existe um trabalho de conscientização de que o patrocínio ofertado às quermesses é um retorno de confiança”, pontua o gerente de meios de pagamento.
Outro desafio é a falta de planejamento detalhado de alguns párocos em relação às datas do ano. “Às vezes, há Paróquias com festas no mesmo dia, o que dificulta dispor de voluntários da agência para colaborar. Apesar disso, tentamos não deixar ninguém de fora e ser justo para todos”, comenta Carla Jordão Camacho Botelho, gerente de agência do Sicredi Ourinhos Centro.

A despeito das dificuldades de planejamento, as paróquias ouvidas pela reportagem confirmam que a modernização no sistema de cardápio digital permite uma gestão mais profissional dos eventos. Entre eles, a mensuração de itens vendidos, a informação sobre estoque e uma prestação de contas mais rápida ao fim da festa.
Um trabalho transparente por parte da cooperativa de crédito, baseado em atenção, proximidade, qualidade, pertencimento a um único negócio e respeito, foi o que fez a Paróquia São João Batista a investir na profissionalização, com sucesso, de suas quermesses.
“O sistema do cardápio digital foi adotado em período antecessor à minha entrada como pároco na Paróquia, que foi em agosto. Mas decidi manter porque foi uma ação eficaz. Torna a festa mais rápida e ágil. Nunca ouvi uma reclamação, somente elogios por parte de paroquianos, visitantes e equipe de festa. Proporciona mais rapidez e segurança”, afirma o padre Altair Gaiquer, pároco da São João Batista.

PARCERIA VAI ALÉM DA MAQUININHA – A parceria entre paróquias e cooperativa de crédito não se resume à solicitação da quantidade de máquinas de cartão. Até a data da festa, para redução de erros e imprevistos, a cooperativa realiza o treinamento de responsável ou responsáveis pelo evento, presencialmente ou por tutoriais em vídeo, como foi com a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Outra possibilidade é o fornecimento de funcionários pelo Sicredi, sob demanda de escala e modo voluntário, para colaborar nas barracas como caixas móveis, do início ao fim da festa. “A maior prova da parceria, visando nos fazer presentes e contribuir para a transformação social e econômica da comunidade, é atuar voluntariamente na quermesse”, avalia Ludmylla Dias Machado Cabral, gerente de comunicação e marketing do Sicredi.

Junto à maquininha, o Sicredi instala o aplicativo do sistema Zero Fila, um parceiro da cooperativa de crédito. Na sequência, instrui a paróquia sobre o cadastro de cada produto a ser vendido na praça de alimentação da quermesse, bem como orienta testes de impressão, para certificar da funcionalidade dos equipamentos e sistema.
Além dos ganhos financeiros, que permitem melhor sustentabilidade das atividades da Paróquia, como manutenção e folha de pagamento, a profissionalização das quermesses proporciona ganhos sociais.
A avaliação de paróquias e da cooperativa de crédito, é que a modernização permite à quermesse ser vista socialmente como um encontro de integração e motivação entre as pessoas, seja como espaço de voluntariado ou momento de entretenimento para “escapar” da rotina.
“Além do ponto de vista social, a quermesse contribui com a entidade religiosa na manutenção do patrimônio e na vivência da fé. Isto significa que a profissionalização é mais do que bem-vinda para aperfeiçoar a rentabilidade e melhorar a visibilidade da paróquia ao registrar sempre mais pessoas presentes”, conta o pároco Altair Gaiquer, da Paróquia São João Batista.
O padre João Marcos Redondo, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, concorda com Altair. “A quermesse é um ponto de encontro, um momento de lazer para as pessoas. E as festas, avaliando pelo lado financeiro, são a ação que nos ajuda a realizar grandes reformas, como a ampliação estrutural da nossa Paróquia. Queremos propiciar mais espaço para os fiéis e chamar atenção para melhorar a participação das pessoas e atrair novas pessoas à comunidade”, pontua.

PROFISSIONALIZAÇÃO CONTRIBUI PARA O MARKETING DAS PARÓQUIAS – A profissionalização das quermesses contribui para o marketing das Paróquias. Com o uso do cardápio digital, as comunidades católicas transmitem a ideia de modernização, acolhimento e leveza, sobretudo àqueles que não fazem parte da comunidade. É o que avalia a estrategista digital Maria Carolina Avis.
“Quando olhamos para a modernização destes eventos, especialmente no que diz respeito aos meios de pagamento, o impacto é direto na experiência do público. Em momentos de celebração e confraternização, é comum que as pessoas estejam com pouco tempo ou não queiram enfrentar filas longas, lidar com falta de troco ou processos confusos de compra. Sistemas que agilizam o pagamento, permitem o uso de PIX e cartão e já emitem automaticamente as fichas tornam a experiência muito mais fluida e convidativa”, explica a estrategista digital Maria Carolina Avis.
Ao profissionalizar seus processos e atendimento, comenta a estrategista, as paróquias transmitem uma imagem de organização, cuidado com o público e adaptação aos hábitos atuais de consumo. Além disso, a utilização de sistemas digitais aumenta a percepção de segurança e confiança, “pois já reduz erros, perdas e inconsistências comuns em processos manuais”, complementa Maria Carolina.
A estrategista frisa que a tecnologia não substitui o caráter comunitário e de fé da festa, mas é uma aliada para potencializar o ato de acolhimento, demonstrar profissionalismo e fortalecer o vínculo da paróquia com a sua comunidade.
Essa percepção é confirmada por quem frequenta quermesses. “Esta profissionalização é prática e ágil, economiza fila e permite que compremos especificamente o que desejamos. Observo que as pessoas consomem com mais consciência as fichas. Além disso, é muito bacana notar a presença dos voluntários da cooperativa, que sempre atendem com alegria e ajudam no que for preciso”, relata o policial rodoviário federal André Lúcio de Castro, frequentador de quermesse.
Para Elaine Herreira Bueno, professora aposentada e que gosta de participar de quermesse, o processo é inovador e desafiador, pois envolve educar o público e fornecer um sinal de internet acessível aos frequentadores e equipes.
“Ainda há algumas pessoas que se confundem com os papéis das fichas e, às vezes, em algum local, o sinal de internet não é tão bom. Mas ainda assim considero que o sistema melhora o fluxo das festas. As pessoas compram com mais rapidez e exatamente o que estão com vontade de consumir, sem enrolação”, comenta Elaine.
Para o economista Mauri da Silva, do ponto de vista econômico, a profissionalização dos eventos católicos proporciona somente vantagens. “No caso, a adoção do sistema de cardápio digital representa a transição da informalidade para uma administração racional, transparente e eficiente, capaz de impulsionar, proporcionar maior solidez e favorecer as finalidades pastorais e sociais da Paróquia”, analisa Mauri.
A redução de desperdícios e perdas operacionais é uma das características de uma gestão profissionalizada. “Pois permite o uso zeloso dos recursos humanos e materiais, assegurando que cada centavo doado gere o maior impacto possível nas obras sociais”, explica. Outra vantagem é o maior poder de barganha, já que compras antecipadas permitem adquirir insumos no atacado, com descontos e melhores condições de pagamento, segundo o economista.
Isso favorece a precificação correta, segundo ele, com política de fixação de preço baseada nos custos e na margem desejada, sem “achismo”, além de contribuir para a transparência. “Essencial para conquistar a confiança do fiel e da comunidade, pois a confiança é a moeda mais valiosa para organizações sem fins lucrativos”, afirma Mauri.
“A transformação de atividades tradicionais, provavelmente improvisadas, em processos organizados e planejados é uma ação que potencializa a arrecadação de recursos essenciais à continuidade das obras sociais das Paróquias”, finaliza o economista.
O estreitamento relacional entre a cooperativa e as paróquias de Ourinhos tem como origem o Colégio Santo Agostinho, instituição educacional que era administrada pelos freis agostinianos, ordem sacerdotal que esteve presente no Santuário Nossa Senhora Aparecida do Vagão Queimado e na Paróquia Santo Antônio.
Os freis ficaram por 25 anos em Ourinhos, período em que decidiram pela maior proximidade com a agência Sicredi Ourinhos Centro. A primeira parceria negociada foi para o evento Costela de Chão.
Com o sucesso da parceria, os freis foram indicando o Sicredi para outros padres. Isto criou oportunidades de conversas com os outros párocos e responsáveis pelo setor financeiro das paróquias.
“Quando ficávamos sabendo de algum evento, já apresentávamos as facilidades do combo desenvolvido para eles e, principalmente, o diferencial das fichas com um sistema de cardápio digital. No Paraná, já é de longa data a utilização do sistema, por isso a nossa estratégia foi de apresentar as estruturas das grandiosas festas e seus resultados com o cardápio digital”, lembra Carla Botelho, gerente de agência.
Ao compreender a realidade das paróquias, encontrar formas de ajuda e apoio para fomentar a economia local, fazendo a diferença na vida das pessoas de forma simples, próxima e ativa, a Sicredi trouxe a comunidade de Ourinhos para o centro de suas ações. A estratégia deu certo. “Hoje, temos todas as Paróquias do município como nossas associadas”, comemora Carla Jordão Camacho Botelho, gerente de agência do Sicredi Ourinhos Centro.
Dos 115.139 habitantes de Ourinhos, 57,5% são católicos.
A cidade é uma das integrantes da Diocese de Ourinhos, também responsável pelos municípios de Santa Cruz do Rio Pardo, Ocauçu e Piraju.
Em Ourinhos, os católicos contam com 11 Paróquias e algumas comunidades e capelas, como, por exemplo, as capelas do Sagrado Coração de Jesus, Santa Luzia e Nossa Senhora de Fátima.
As quermesses são os principais momentos de encontro entre os católicos ourinhenses, sendo considerados espaços significativos de união e partilha dos assuntos sobre as vivências de cada comunidade paroquial.

MOVIMENTO É OBSERVADO EM OUTRAS CIDADES – Como em Ourinhos, o ano de 2025 está marcado em Marília para algumas paróquias como o ano da profissionalização das quermesses. Em comunhão regional, partiu de padres párocos e do apoio do conselho econômico de Paróquias a busca pela modernização do sistema de fichas nas quermesses. Um dos exemplos é a Paróquia Santa Antonieta, que realiza três quermesses no ano, e passou a utilizar o cardápio digital somente em julho, na Festa Julina, com duração de três dias.
“Adotamos o sistema de cardápio digital para automatizar as fichas pela praticidade e pelo relatório do pós-festa, principalmente por ser a maior festa da nossa paróquia durante o ano. É, sem dúvidas, uma atitude definitiva que nos trouxe mais agilidade, diminuição de gastos e de riscos e conseguimos nos preparar melhor sempre para a próxima pelos dados detalhados de relatórios. O nosso estoque fica em nossas mãos o tempo todo, controlamos melhor a festa e os paroquianos se sentem mais acolhidos e confortáveis”, conta Luciana Gomes dos Santos, auxiliar administrativa financeira da Paróquia Santa Antonieta.

Na Paróquia Santa Edwiges, também de Marília, a profissionalização veio com o novo pároco, que procurou a agência do Sicredi para promover melhorias na quermesse. O teste foi durante a festa no mês de maio e a consolidação veio em outubro, com a utilização de 15 máquinas com o sistema do cardápio digital para a impressão das fichas. O resultado foi a triplicação do número de pessoas e o alcance de três dígitos no valor final de lucro.
“O feedback que recebemos foi somente positivo, porque o fluxo dos caixas estava mais rápido e a profissionalização reduziu três tarefas manuais a uma só de modo automático. É praticidade, agilidade, controle maior da receita e mais segurança. Além da parceria atenciosa e de prontidão com o Sicredi para tudo o que precisamos”, relata Tiago da Silva Santos, segundo tesoureiro e secretário do membro do Conselho Econômico da Paróquia Santa Edwiges.

Já em Santo Antônio da Platina, cidade do norte do Paraná e integrante da região administrativa de Ourinhos do Sicredi, o uso do cardápio digital para fichas automáticas começou há dois anos, com uma facilidade: lá, os paroquianos atuantes nas barracas de caixa já são funcionários do Sicredi. Ou seja, não houve necessidade de treinamentos e a taxa de erros é quase zero.
Para Adriano Guarini, gerente de agência do Sicredi de Santo Antônio da Platina, o sucesso da profissionalização é a parceria sólida e transparente entre a cooperativa e a paróquia da cidade paranaense.
“Ajudamos um ao outro além das quermesses. É uma ajuda mútua e que quem ganha é a sociedade, porque o cooperativismo é um princípio existente dentro do catolicismo. Portanto, somos duas instituições que se ajudam na totalidade. E o sistema do cardápio digital vem para alavancar a economia da Paróquia, o que contribui com a economia local, e o Sicredi entra em cena para ajudar a comunidade, fomentando as movimentações e apoiando em tudo o que for necessário”, sintetiza o gerente.
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