sábado, 15 de junho de 2024

Restaurante da “Dona Cinira”, um bom motivo para visitar o Mercadão

José Luiz Martins

De família de agricultores, Alcenira Maria de Oliveira Teodoro Morgueto nasceu em 1930 na cidade de Óleo, distante 70 km de Ourinhos, trabalhou na roça plantando e colhendo milho, café, feijão até os primeiros anos de sua adolescência. Nas poucas vezes em que ela e a família deixaram o sítio Lageado, de propriedade de seu pai, para vir a Ourinhos foi a procura de assistência médica.

Tinha pouco mais de 20 anos quando, já casada e com o primeiro filho, mudou-se para Ourinhos em busca de melhores oportunidades de trabalho para o marido caminhoneiro, a motivação da mudança também incluía a preocupação de poder dar melhor estudo para os filhos. Logo que chegou a cidade foi morar na vila Moraes, próximo a Santa Casa, e desde então vem colocando em prática toda sua vocação para culinária.

Começou a fazer salgadinhos em casa para ajudar no orçamento familiar, com o tempo viu suas encomendas aumentarem rapidamente e percebeu que podia ir além, e o trabalho não parou de aumentar. A freguesia se formou também com a venda ambulante dos produtos que foram ficando famosos, como os deliciosos salgados da “Dona Cinira”. Esses foram os primeiros passos para que ela, com ajuda dos familiares, montasse um trailer na praça em frente ao hospital, que além de salgados passou a oferecer lanches, bebidas e doces.

O local era um ponto estratégico para esse tipo de comércio, e o momento era mais uma etapa de um caminho a ser percorrido em busca de uma vida melhor através do trabalho feito com amor e dedicação. Dona Cinira falou à reportagem do NOVO NEGOCIÃO na última terça-feira, hoje seu nome e sua atividade representam um exemplo de empreendedorismo que vai além de sucesso pessoal, aquele que contribui para que outros também alavanquem seus negócios, como aconteceu desde que ela se estabeleceu no Mercado Municipal com um pequeno restaurante que fez aumentar o movimento em um dos mais antigos e tradicionais pontos de comércio da cidade.

Suas lembranças do tempo que as dificuldades foram sendo superadas estão vivas na memória, na mesma medida que está presente a simplificação do seu nome que de Alcenira passou a ser “Cinira”. Ganhou a corruptela do nome ainda criança no convívio familiar e hoje são raras as vezes que a chamam pelo nome de batismo. Mas não são raras as vezes que os comerciantes do Mercado Municipal e seus clientes se referem a ela com carinho e admiração, simpatia adquirida nos 13 anos de convívio diário de trabalho no mercadão, onde também mantém uma lanchonete e um empório de secos e molhados e quitanda.

Como foi que a “Dona Cinira” chegou a ser dona de restaurante no mercadão?

Eu sempre tive a vontade de crescer, não queria ficar parada no tempo, queria um negócio diferente. Quando cheguei no mercadão peguei um box pequeno, aí os boxes ao lado do meu foram desocupando e fui ampliando e hoje está assim. No começo fiquei uns seis meses só vendendo salgados e cozinhava o almoço para meus filhos, mas aí o pessoal que trabalha no mercado começou a pedir que servisse a eles também e quando me dei conta já estava servindo mais de cem refeições. Aí decidi pôr o buffet de self service e o movimento foi aumentando.

A senhora teve muita dificuldade para chegar até onde chegou?

Sempre foi difícil, pois a gente no começo arriscava e acabava fazendo as coisas acontecerem mesmo com pouco dinheiro sobrando, trabalhamos por muito tempo no vermelho mas acreditando que tudo iria melhorar. E graças a Deus hoje eu não posso reclamar mais, toda vida eu procurei trabalhar corretamente com bastante carinho, pois você sabe que tudo que é feito honestamente com gosto, amor e carinho segue o caminho para dar certo. 

Quando a senhora se estabeleceu no Mercadão havia o movimento que tem hoje?

Não tinha movimento nenhum, tanto que a parte do mercadão onde comecei vendendo salgados estava com muitos boxes vazios, estava praticamente sozinha naquele canto. Os clientes cortavam volta e entravam no mercado pela porta do meio pois aqui só tinha eu e uma loja de lingerie nesse lado. As pessoas que tem lojas e comércio aqui até falam que depois que o restaurante cresceu o movimento do Mercadão aumentou também para eles. Os clientes vêm pro almoço e depois saem pra ver as lojas que tem aqui, acho que isso acabou ajudando os outros comerciantes. 

O restaurante da “Dona Cinira” foi o primeiro do Mercadão? 

Quando vim pra cá tinha a Geralda que servia prato feito do outro lado, mas ela não continuou e fiquei sozinha servindo refeições até que vieram outros no mesmo ramo. Alguns fecharam e hoje tem eu, o japonês, que serve massas e a dona Tomazia que serve pratos orientais e comida caseira também. Tem ainda as lanchonetes que não servem refeição.

Quem são os fregueses e qual o cardápio do restaurante?

São pessoas que trabalham nas redondezas e não comem em casa, mas cada vez mais vem gente de todo canto, tem empresas que pagam refeições a seus funcionários e eles vem almoçar aqui durante a semana e no sábado muitas dessas pessoas vem com a família comer nossa comida caseira. Mas tem muita gente de fora que passa por aqui, de Pirajú, Sta Cruz, Bernardino, Cerqueira Cesar, Manduri, Assis, Ibirarema, Palmital e muita gente das cidades do Paraná que é bem perto daqui. No cardápio todo dia tem 3 tipos de carne, refogados de legumes, farofa, macarrão, oito tipos de saladas. Hoje não servimos mais prato feito, só self service pra comer a vontade por 15 reais, ou no sistema de servir uma vez por 13 reais. O movimento diário é das 11 até as duas horas e em média servimos umas 300 refeições todos os dias. 

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