quarta, 22 de maio de 2024

Saiba como foi a ação criminosa desastrosa que tirou a vida de Valdir Vitor da Silva

Alexandre Mansinho

O plano era aparentemente simples: render Valdir e sua esposa, entrar na residência e “fazer a limpa” – eles tinham informações privilegiadas, fornecidas por funcionários da Usina São Luiz, que indicavam que a vítima tinha dinheiro e objetos de valor em casa – era “fita dada”, seria um assalto perfeito. O que eles não contavam é que Valdir não iria se acovardar, ele reagiu e, no desespero, o bandido acabou tirando sua vida. O crime aconteceu no dia 10 de agosto, na quinta-feira de uma semana que entrou para a história de Ourinhos como “a semana sangrenta” – semana que a cidade contou com 3 homicídios.

QUEM FORAM OS LATROCIDAS – ao todo havia sete pessoas envolvidas – seis estão presos: Ramón Correia, 19 anos; Alysson Fernando Lopes, 22 anos; Victor Henrique Barone, 23 anos; Hector Gustavo Barone, 20 anos; Paulo Rogério Vissione (Pereba), 40 anos e o menor, de 17 anos – e um ainda está foragido: Rodolfo Antônio Bueno Barbosa, 21 anos. Na logística do crime havia duas armas de fogo, dois veículos, um rolo de fita adesiva e toucas. Embora a Polícia Civil não descarte o surgimento de outros envolvidos, como os que deram as informações privilegiadas do cotidiano de Valdir e, eventualmente, um ou outro mentor intelectual, é mais provável que sejam apenas esses sete indivíduos que tenham de fato tomado parte na ação.

ANTES DO CRIME – Alysson e Ramón obtiveram informações privilegiadas acerca do cotidiano de Valdir, como seus hábitos e rotinas, incluindo também a suposta existência de objetos de valor e dinheiro em espécie na residência da vítima. Com a “fita dada”, os dois convidaram o menor, que era residente de Chavantes. Os três, Alysson, Ramón e o menor, convidam mais dois comparsas, Rodolfo e Pereba, também de Chavantes. Por fim, os irmãos Victor e Hector Barone se juntam ao grupo.

QUAL FOI A PARTICIPAÇÃO DE CADA UM – O menor, além de participar da abordagem, conseguiu os dois revólveres, um emprestado e outro alugado, além de ceder o automóvel Golf que ficou no apoio. Alysson e Ramón fizeram a abordagem. Os irmãos Barone ficaram no apoio com o outro veículo, na Praça dos Skatistas, em um automóvel Fiesta; Pereba e Rodolfo ficaram no apoio, dentro do Golf, atentos para dar fuga.

NO DIA DO CRIME – Pereba dirige o automóvel Golf e, junto com o menor e Rodolfo, pegam Alysson e Ramón próximo ao Terminal Rodoviário. Por meio de aplicativos de celular os sete se organizam – os irmãos Barone ficam na Praça dos Skatistas com o objetivo de, após o crime, pegar os produtos do roubo, armas e outros objetos que poderiam servir de prova contra o grupo e auxiliar no processo de fuga.

A TRAGÉDIA – Alysson e o menor estavam armados, juntamente com Ramón eles desceram do automóvel Golf e foram para a abordagem do casal – o menor ficou a uma certa distância e, como tudo aconteceu muito rápido, nem pode se aproximar para auxiliar na dominação das vítimas. Ramón agarrou a esposa de Valdir pelos cabelos enquanto Alysson tentou dominá-lo. Como Valdir reagiu, durante a luta o celular de Alysson caiu – no desespero ele acabou puxando o gatilho da arma cujo disparo atingiu mortalmente a vítima. Com o fracasso da ação, o menor fugiu, sem nem ao menos ter tido tempo de se aproximar do casal, todos os bandidos se desesperaram indo cada um para um lado. A polícia chegou no local do crime junto com o SAMU, enquanto os paramédicos atendiam Valdir, os investigadores iniciaram os trabalhos apreendendo o celular que havia ficado no chão.

DEPOIS DO CRIME – Alysson foi identificado e preso no mesmo dia, com informações obtidas pelo celular e com o depoimento de sua namorada – com a prisão de Alysson, todos os envolvidos ficaram apreensivos e começaram a desenvolver estratégias para tentar escapar das investigações. Os irmãos Barone pressionaram Ramón, considerado o mais influenciável entre eles, para assumir parte da culpa e se entregar. No entanto, mesmo com a rendição de Ramón, a polícia tinha elementos suficientes para concluir que não havia apenas dois participantes no plano do crime. Com um paciente trabalho de investigação, a polícia identificou os sete partícipes e definiu o papel de cada um – precisando apenas produzir mais algumas provas para poder, enfim, efetuar a prisão de todos – fato que ocorreu na última sexta-feira (15/09).

DISPARO FATAL – durante as investigações os comparsas entregaram Alysson como sendo o autor do disparo: “a casa caiu, o dedo-mole matou a vítima”, disse Pereba durante interrogatório. Alysson, no entanto, nega a participação. Os irmãos Barone também negam a participação no crime.

MENOR – Ele foi responsável pela aquisição das armas, incluindo a que deu o tiro fatal; ele conduziu um dos carros; teve participação ativa na mentoria do crime, mas, como o fato ocorreu faltando 15 dias para ele completar 18 anos, o então menor latrocida poderá ser condenado a, no máximo, três anos de internação em instituição educacional.

Ao sair da delegacia, dentro da viatura com os outros dois presos pelo mesmo crime, o menor mandou um beijinho para a sua namorada: “já eu volto, amor”, disse o menor.

OBSERVAÇÃO: até o término dessa matéria, Rodolfo Antônio Bueno Barbosa continua foragido.

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