terça, 10 de março de 2026

Santa Casa de Ourinhos publica nota explicando rompimento de contrato com o IAMSPE

Publicado em 18 ago 2020 - 21:09:30

           

Segundo o hospital, a defasagem do contrato com o instituto era grande e foram inúmeros e-mails enviados, ofícios, tentativas de agendamentos de reuniões

 

Da redação

 

A Santa Casa de Misericórdia de Ourinhos divulgou nesta terça-feira, 18, nota explicativa, onde esclarece os motivos pelo qual não renovou o contrato do convênio com o IAMSPE, encerrado no último dia 8 de agosto.

De acordo com nota emitida pelo IAMSPE, a Santa Casa não manifestou interesse em manter os atendimentos, por alegar que o valor repassado pelo convênio não seria satisfatório a Instituição. Porém, os valores repassados aos Hospitais pelas consultas e procedimentos, seguem um padrão, não sendo possível a realização de pagamentos diferenciados.

Em agosto de 2020, a Santa Casa Ourinhos solicitou cancelamento de convênio com o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (IAMSPE). A Instituição pediu em maio deste ano uma nova proposta de reajuste da tabela de procedimentos, diferente do que foi acordado em contrato. A tabela de valores é padronizada e atende uma rede credenciada de cerca de 970 unidades entre Hospitais, Clínicas e Laboratórios em todo o Estado. Com a decisão da Santa Casa Ourinhos, os pacientes cadastrados poderão realizar atendimentos de urgência nas cidades de Marília, Cândido Mota, Santa Cruz do Rio Pardo e Tupã”.

O Instituto repassa ao hospital aproximadamente R$ 400 mil mensais, no chamado teto extra (quando é necessário um valor maior que o pago por ano), para atender aproximadamente 7.000 titulares, dependentes e agregados da região. Por ano, são 4.800.000 mil repassados à Santa Casa.

Santa Casa de Misericórdia de Ourinhos

A nota emitida e divulgada pela Santa Casa, consta que nos últimos anos, buscou-se constantemente estabelecer novos parâmetros no contrato com o Instituto, pois a defasagem do contrato era grande e foram inúmeros e-mails enviados, ofícios, tentativas de agendamentos de reuniões. Veja na íntegra:

“Colocando o atendimento e a prestação de serviços de qualidade aos pacientes sempre em primeiro lugar, nos últimos anos, a Santa Casa de Ourinhos buscou constantemente estabelecer novos parâmetros no contrato com o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo – o IAMSPE.

Ao longo do tempo, a medida tornou-se extremamente necessária e urgente. Para se ter ideia sobre o tamanho da defasagem do contrato, nos últimos 12 meses o saldo foi NEGATIVO em R$ 860.000,00, ou seja, havia um déficit crônico em relação ao convênio, o que levou a Santa Casa de Ourinhos a acumular prejuízos de monta nos procedimentos aos conveniados IAMSPE.

Ressalte-se que mesmo com nas condições citadas, a Santa Casa SEMPRE MANTEVE O PADRÃO nos atendimentos através do citado convênio, bem como buscou o diálogo com o Instituto.

Foram inúmeros e-mails enviados, ofícios, tentativas de agendamentos de reuniões.

Infelizmente, como as tentativas foram em vão, o hospital não teve mais como manter o citado déficit, o que motivou a emissão de NOTIFICAÇÃO àquele convênio, para que o convênio se manifestasse no prazo de 60 dias, caso contrário, o contrato seria encerrado. Como não houve interesse no diálogo POR PARTE do IAMSPE, o contrato foi dado como concluído.

A Santa Casa de Ourinhos é uma instituição séria, idônea, que tem como meta um atendimento humanizado, de qualidade, com estrutura adequada, corpo clínico altamente qualificado e que coloca a vida dos pacientes sempre em primeiro lugar. Essas características tão marcantes e verdadeiras é que levaram a Santa Casa de Ourinhos a ser considerada um dos 50 melhores hospitais do país.

Servidores afirmam surpresa na decisão e falta de negociação

Em entrevista ao Negocião na última semana, Denizal Vieira, vice-presidente da Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo – AOJESP, e membro da Comissão Municipal do IAMSPE, afirmou que os servidores foram pegos de surpresa. “De um dia pro outro soubemos que não seríamos mais atendidos pelo convênio. Nem tivemos tempo de tentar uma negociação. É triste, desvalorização a toda a classe de servidores”.

Luís Horta, coordenador regional e diretor estadual da APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), também citou a falta de negociação. “Não houve nem sequer uma negociação. Apontaram que os valores repassados pelos procedimentos e pelas consultas não são o suficiente. O que nos leva a pergunta: Qual a diferença dos serviços prestados pela Santa Casa de Ourinhos, haja vista que o Hospital de Marília, por exemplo, continua realizando os atendimentos. O que a Santa Casa oferece para que os mais de 4 milhões de reais não sejam o suficiente para atender aos usuários?”.

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