quinta, 22 de fevereiro de 2024

Tecmaes completa 25 anos e proprietário relembra história para alcançar o sucesso

Paola Belinasi Cachione

 A empresa Tecmaes, que fabrica equipamentos para fechar, codificar e etiquetar embalagens para indústrias em geral, completa neste dia 25 de novembro seus 25 anos de história. O sonho de empreender começou no coração de Adalberto Aparecido Perez, proprietário da marca, quando ainda tinha seus 18 anos. O sonho cresceu junto com a perseverança e luta e nenhum obstáculo foi maior para chegar onde chegou. Hoje Adalberto é dono da TECMAES e da JETFIX, empresas que exportam para toda a América Latina e com recentes lançamentos, seu objetivo é alcançar o mercado internacional em outros continentes.

Com 18 anos, o salto-grandense Adalberto já trabalhava na área de usinagem há três anos em sua cidade natal. Em uma de suas viagens a trabalho no Nordeste, ele ouviu falar de oportunidades em São Paulo e decidiu que iria tentar a vida por lá. “Eu tive sorte, porque cheguei e em questões de dias, consegui uma entrevista para trabalhar como fresador e já estava empregado em uma vaga que eu havia visto no jornal Diário do ABC”, conta.

Adalberto aproveitou a oportunidade também para estudar e fez um curso de desenho mecânico. Paralelamente, ele se filiou ao partido comunista e passou a defender uma política que acreditava ser igualitária. “Acompanhei a guerra do Vietnã e quando terminou, achei que o Vietnã seria um exemplo de país, mas me decepcionei capítulos seguintes a guerra e então resolvi deixar de lado a militância”, fala.

Totalmente focado em sua vida profissional, Adalberto terminou os estudos e se formou em tecnólogo mecânico e engenheiro na Faculdade de Mogi das Cruzes. Nesta altura, ele já havia completado seus 36 anos de vida e estava cheio de fôlego para trabalhar. Em um período de 10 anos, Adalberto se deu o direito de tentar e de arriscar e assim mudou-se diversas vezes entre Ourinhos e São Paulo na tentativa de arrumar um bom emprego ou abrir seu próprio negócio. Sendo assim, passou por grandes empresas como Philips, Technal, entre outras e tentou pela primeira vez administrar sua empresa, Engenharia de Máquinas Especiais, mas ainda não era a hora certa e as portas se fecharam. “Mas não desisti. A vida me criou uma oportunidade de arriscar. Em 1990, a política andava bastante agitada e foi exatamente quando Collor decretou o confisco dos depósitos bancários que eu me vi entre correr atrás de um sonho ou ficar parado. Eu recebi minha carta de demissão. Eu tinha meu FGTS e meu salário e mais nada em mãos. Então eu decidi que partiria para o meu negócio próprio de novo”, lembra.

Aos 47 anos de idade, Adalberto criou a Tecmaes, empresa de máquinas para selar embalagens e montou sua primeira seladora de embalagens com fita adesiva. Na época, a máquina era novidade não somente no Brasil, mas para muitos países. “A Sadia havia trazido para cá uma seladora francesa e quando me descobriram ficaram alvoroçados para que eu trabalhasse com eles. No entanto, no decorrer de oito meses, entre tantos orçamentos solicitados, só encomendaram duas máquinas, o que me incentivou em buscar novos clientes”, conta.

Adalberto decidiu então participar da Fispal (Feira Internacional de Processos, Embalagens e Logística para as Indústrias de Alimentos e Bebidas, a maior feira do setor na América Latina) e decidido a mostrar seu produto para o mundo, colocou a máquina dentro da bolsa e foi até um estande de um conhecido, onde foi muito bem recebido e teve seu produto exposto, obviamente, ganhando visibilidade. “Um fabricante de embalagem se interessou muito pela seladora e em questão de dias criamos um plano de visitação para vender a máquina em toda a região sul do país. Em uma das visitas na Sadia, um representante da marca no setor avícola ficou encantado com o produto e fez um grande pedido e a partir daí, o número de encomendas disparou. Em cinco anos, a Tecmaes atendeu grandes nomes como Perdigão, Aurora, Sadia, entre outras grandes empresas da indústria alimentícia.

 Após proposta de prefeito, empresa se muda para Ourinhos

 Em 1995, no auge de suas vendas, Adalberto já acostumado a viajar para apresentar equipamentos, veio a Ourinhos para uma demonstração de esterilização de material hospitalar e encontrou o antigo prefeito, Claury Alves da Silva, que fez uma proposta tentadora. “Ele queria que eu trouxesse minha empresa para cá, me mostrou o mapa de um bairro ainda desocupado, me levou até lá e me deixou escolher o terreno. Eu havia acabado de comprar todo o material para construir a empresa ao lado de minha casa no ABC e fiquei dividido com a proposta”, lembra.

Ao chegar de volta a região metropolitana, ele foi surpreendido com uma notícia. O terreno onde iria construir era de seu sogro que na época, embora tivesse dado de presente o espaço, não queria construção de um galpão no local. “Esse foi um sinal de que eu deveria vir. Não pensei duas vezes, peguei minha mulher e vim embora para Ourinhos”, fala.

Adalberto alugou um salão na rua Cambará e durante dois anos e meio ficou instalado ali até que a construção da empresa fosse finalizada. Depois se mudou para o Distrito Industrial II, onde finalmente começou a trabalhar em endereço de construção própria.

 Seladora é pioneira no Brasil

 O produto comercializado pela Tecmaes é pioneiro no Brasil. Segundo Adalberto, além de seus equipamentos, há apenas as versões chinesas. Com o decorrer dos anos, seus produtos ganharam evolução em custo, material e qualidade. “Antes uma máquina seladora, por ser feita de inox e ter tantos detalhes tinha um custo altíssimo. O que eu fiz? Troquei todo o material dela por nylon e fibra de vidro, que é um material que você pode jogar da janela de um prédio que não quebra e isso barateou grandemente os custos, me permitindo aumentar as vendas da empresa e distribuir nosso equipamento para outros setores como supermercados e vestuários”, conta.

A primeira seladora da marca era feita de inox com um carretel, depois vieram as de nylon com fibra de vidro, com o tempo, nasceram as pneumáticas e de dois carreteis, e a partir daí foram sendo criadas diversas máquinas para fechar embalagens nos mais diversos segmentos. Vendo a necessidade de atender um grande número de clientes que precisam seguir normas de qualidade para comercializarem seus produtos, Adalberto criou a Jetflix, que funciona no Distrito I, produz rótulos, etiquetas e fitas adesivas lisas e impressas. Hoje a Tecmaes e a Jetflix colecionam um catálogo com mais de 50 itens de linhas especiais.

Sua última novidade é o lançamento da máquina automática de frangos que fecha até 1.200 frangos por hora. Um produto totalmente pioneiro no Brasil que utiliza um sistema robotizado para embalar alimentos. Hoje as empresas de Adalberto exportam para a Argentina, Peru, Colômbia, Paraguai, e Bolívia. Com essa máquina, ele espera alcançar outros países de outros continentes. A Tecmaes e a Jeflix não atuam só na área de carnes. Com a expansão na tecnologia de lacres para embalagens e rotulação, as empresas estenderam seu atendimento para todo o setor alimentício, farma, cosméticos, vestuário, bebidas, entre outros. Ambas empresas reúnem mais de 100 funcionários em sua equipe na produção desses produtos. De semblante calmo e fala mansa, seu Adalberto é um homem humilde que se orgulha de ter vencido seus obstáculos, mas é modesto em suas palavras. “Eu não acho que fiz muito, mas me considero um homem dedicado por ter conseguido ter meu negócio próprio. Me sinto realizado e vitorioso, mas ao mesmo tempo, sou preocupado e receoso com o mercado”, fala.

Sobre a situação atual do país, ele afirma que o setor alimentício, seu principal cliente, sofreu muito com a crise política e econômica, mas deseja que surjam muitos outros “Moros” (se referindo ao juiz Sérgio Moro que mandou prender diversos políticos corruptos no Brasil nos últimos meses), que ocupem cadeiras importantes na administração pública em Brasília. “O Brasil é carente de educação. A China investiu uma geração inteira em educação para passar de terceiro mundo para primeiro mundo. E essa é a única solução para o nosso país”, conclui. A Tecmaes está localizada na Avenida Feodor Gurtovenco, 41 no Distrito Industrial II e o telefone de contato é o (14) 3302-2222 e a Jetflix na Avenida Comendador José Zílio, 810, no Distrito Industrial I e o telefone de contato é o (14) 3302-2822.

 

 

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