quarta, 17 de julho de 2024

Tiro não foi acidental, aponta relator de Direitos Humanos

Publicado em 24 jun 2016 - 08:38:53

           

O relator do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, Luiz Carlos dos Santos, na tarde de terça-feira, 21, disse durante entrevista exclusiva para o Jornal NovoNegocião, que o tiro que matou o jovem Brian Bueno da Silva de 22 anos, na madrugada do dia 9, próximo ao Recinto da FAPI, não foi acidental.

Luiz Carlos, em posse do processo de 400 páginas e a filmagem que registrou toda ação militar, relatou para a reportagem que ficou estarrecido. “As imagens mostram com bastante nitidez a crueldade em que o jovem foi morto. O procedimento policial foi de maneira errada, de forma despreparada na abordagem e a introdução da arma. A arma disparou de uma forma tendenciosa, e tem que ser apurada e repassada uma avaliação no comando local de Polícia. Fiquei em estado de choque em saber que ainda existe um abuso de autoridade e uma forma tão drástica, que me compromete em dizer que não vejo a ação como uma forma acidental e sim uma questão muito dolosa”.

A vinda do relator para Ourinhos foi para acompanhar o trabalho de investigação que vem sendo executado pela Delegacia Seccional através da DIG – Delegacia de Investigações Gerais, e saber quais providências estão sendo tomadas em relação ao caso, uma vez que, segundo ele, o inquérito era para ter sido concluído em cinco dias.

O relator revelou que dois dias após o acontecimento o fato chegou ao Condepe (Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana), ele tomou conhecimento dos fatos uma vez que toda a mídia local noticiou o ocorrido, e por isso, como sendo o relator da Comissão da Violência Policial e Letalidade abriu um procedimento de apuração sobre a gravidade em Direitos Humanos.

Em posse de todo o processo e as imagens, Luiz Carlos retornou para São Paulo no mesmo dia após conversar com o delegado Seccional José Carlos Costa, delegados da DIG Dr. André Rossignoli e o Dr. João Ildes Beffa e o Promotor de Justiça Dr. Silvio Brandini.

 

“Vou levar cópias das folhas do inquérito e as imagens para serem analisadas pela Comissão na Secretaria da Justiça e tão logo vamos fazer um relatório parcial do acontecimento. Pois a resposta para a sociedade e os familiares de jovem deve ser rápida e todo trabalho executado até agora deve ser de forma de transparência e exemplos e que não pode acontecer um jovem ser baleado sem necessidade nenhuma por um policial, um agente que é para nos proteger. Acredito que em sete dias eu consigo produzir um relatório e voltar a Ourinhos para fazer uma devolutiva para a sociedade local”, concluiu o relator Luiz Carlos.

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