terça, 23 de julho de 2024

Trânsito: o maior desafio em uma cidade que cresce mais que a média nacional

Publicado em 12 dez 2017 - 06:06:14

           

Alexandre Mansinho

Muitas alterações no trânsito de Ourinhos marcaram o ano de 2017. Segundo a administração, todas elas visam a proteção aos pedestres, melhor fluidez do trânsito e ampliação no número de vagas de estacionamento.

No cruzamento da Rua Cardoso Ribeiro com a Avenida Altino Arantes, o antigo “zebrado” – sinalização horizontal no asfalto – foi substituído pelo alargamento da calçada. A mudança, denominada ‘traffic calming’, muito utilizada na Europa, além de forçar os veículos a reduzirem a velocidade, se mostra um sistema eficaz na redução de acidentes e aumento na segurança no trânsito.

Entre as medidas implementadas estão também o estacionamento 45 graus em volta da Praça da Catedral e da Praça da Santa Casa, a implantação de duas faixas de rolamento na rua Rio de Janeiro, o reforço na sinalização em toda a extensão da Avenida Domingos Camerlingo Caló e ampliação no número de vagas de estacionamento nas proximidades do Fórum de Ourinhos. 

Entretanto a mudança que mais gerou polêmica foi a reorganização do mapa de estacionamentos em três quadras da Rua Cardoso Ribeiro: os comerciantes “foram dormir” no sábado com uma estrutura e “acordaram” segunda de manhã com mudanças consideráveis – o resultado foi uma quantidade enorme de protestos.  

A Associação Comercial e Empresarial de Ourinhos – ACE entrou no debate exigindo que as mudanças fossem debatidas com o Conselho Municipal de Trânsito antes de serem implementadas. Atualmente há o referido conselho e há prévias discussões entre lideranças dos diversos setores da sociedade antes de haver qualquer reestruturação.

Modernizações necessárias – Não foi só a população ourinhense que cresceu, houve também uma verdadeira explosão no crescimento dos veículos registrados na cidade. Nossa atual relação automóvel por habitante é de 1,67 – ou seja, a cada dois habitantes há pouco mais de três veículos. Diante desse crescimento há a necessidade de medidas incisivas e modernas para o fluxo. Em 2007, há dez anos, essa relação era de 2,28 – isso representa um crescimento de 73% na relação habitante/automóvel.

Educação no trânsito – O Departamento de Trânsito foi encampado pela recém-criada Secretaria Municipal de Segurança Pública e agora, juntamente com o Conselho Municipal de Trânsito, há projetos de levar a educação para o trânsito nas escolas e nas ruas – as campanhas de conscientização irão enfocar a necessidade de atenção dos pedestres e motoristas, tendo em vista que a frota de carros em Ourinhos chega próximo aos 80 mil veículos.

Fabiano Trovo, arquiteto e urbanista, explica quais são as motivações levadas em conta nas recentes mudanças e nas futuras alterações no trânsito ourinhense: “Ourinhos tem uma frota de veículos que ultrapassa o número de 67 mil automóveis, há também uma frota de veículos de outras cidades que vem para nossa cidade para, principalmente, comprar em nosso comércio (…) essa frota flutuante é de 11 mil automóveis (…) todo esse fluxo, que chega perto dos 80 mil veículos, tem no centro da cidade seu foco principal (…) precisamos garantir a segurança dos pedestres e garantir que o fluxo seja mantido (…) as obras que estão sendo realizadas e a reestruturação que estamos promovendo tem esse objetivo”.

Trecho urbano das rodovias – O crescimento de Ourinhos também representou a saturação dos trevos e alças de acesso das rodovias que cortam o município e dão acesso aos bairros ou a região central. Atualmente há três trevos que colecionam acidentes: Parque Minas Gerais, Vila Brasil e Itamaraty/Pacheco Chaves, os dois primeiros são da Rodovia Raposo Tavares e o último da Rodovia Melo Peixoto. 

No trevo do Itamaraty/Pacheco Chaves há, além da quantidade de acidentes, um outro pormenor: o desenho dos trevos isolou do restante da cidade um grupo de bairros densamente povoados e produz uma quantidade grande de problemas de mobilidade.

Trevo de FIO – Uma alteração no desenho do cruzamento das rodovias Raposo Tavares e BR 153, bem no trecho que dá acesso às Faculdade Integradas de Ourinhos, produziu, para funcionários e alunos, um imenso problema. O projeto não levou em conta que, pela inexistência de retorno, aqueles que precisam ir à instituição “ganharam” um aumento de seis quilômetros em seu percurso diário – o que representa um acréscimo de custos e tempo nesse processo. 

Nas últimas semanas, por meio de articulação de diversos grupos políticos, foi anunciada a liberação de uma verba para fazer um trevo que dará acesso as FIO, mas, o problema ainda se arrasta enquanto os pormenores de engenharia e contratos estão em andamento.

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