quarta, 21 de fevereiro de 2024

Vacinação – contraste entre indicadores positivos e os protestos dos que se consideram “esquecidos”

Município é destaque acerca da agilidade que tem conseguido aplicar o imunizante na população, por outro lado, grupos profissionais ainda criticam os critérios de definição de “grupos prioritários”.

 

Alexandre Mansinho

 

O município de Ourinhos começou a semana sem vacinas. Nesta segunda-feira, 28, não houve vacinação no município, que aguarda a chegada de novo lote do governo federal. Até o dia 25, já havia imunizado maiores de 18 anos com comorbidades e todos os cidadãos a partir de 43 anos – essa fase do processo de imunização coloca a cidade entre aquelas que melhor tem gerido o processo de vacinação entre todos os municípios brasileiros. Por outro lado, há quem questione os critérios de definição dos grupos prioritários e considere que a escolha não tem levado em conta o risco de exposição ao vírus.

 

 

“ESTAMOS EXPOSTOS E ESQUECIDOS” – Os comerciários que não pertencem aos quadros que foram colocados como prioritários, como caixas de supermercados e atendentes de farmácias, reclamam que estão expostos ao risco e podendo ser vetores da COVID-19 para seus familiares. Evelyn Ribeiro de Góis Domingues, comerciária, concorda que a cidade tem conseguido avanços importantes, mas critica o fato de que a classe dos comerciários como um todo não foi considerada prioritária: “todos os dias eu venho trabalhar com medo de levar essa doença para minha família, atendemos pessoas de Ourinhos e de todas as cidades da região que visitam nosso comércio (…) é injusto não sermos colocados como preferenciais (…) no momento estamos expostos e esquecidos”.

 

Evelyn trabalha no comércio e afirma que tem medo de levar o vírus para sua família

 

Aparecido Bruzarosco presidente do sindicato que representa os trabalhadores do comércio, afirma que entende essa demanda da categoria e até já buscou uma articulação para poder comprar um determinado número de doses de vacinas para poder imunizar mais pessoas, mas tem encontrado dificuldades: “conseguimos que a prefeitura colocasse como prioritários os caixas de supermercados e atendentes de farmácias e continuamos articulando para incluir as outras funções (…) até separamos um fundo para a aquisição de doses de vacinas para imunizar os associados, mas, no momento não temos encontrado nenhuma fornecedora que possa negociar venda de vacinas que não seja pelos órgãos governamentais”.

 

Aparecido Bruzarosco, presidente do sindicato que representa os trabalhadores do comércio

 

A POLÊMICA DA VOLTA ÀS AULAS – Há algumas semanas a Secretaria Municipal da Educação retomou as aulas presenciais nas escolas da rede, ainda de forma opcional e com o limite de 35% dos alunos em sala. A medida é polêmica e divide professores, pais e estudantes. Há quem afirme que o risco de contaminação é superestimado e que a falta das aulas presenciais é muito nociva, sobretudo para os estudantes mais pobres. Por outro lado, representantes da categoria dos professores têm criticado publicamente a medida.

 

O Prof. Luís Horta, membro de mesa diretora da Apeoesp critica o retorno ao trabalho presencial

 

O Prof. Luís Horta, membro de mesa diretora da Apeoesp (Sindicato dos Professores das Escolas Oficiais do Estado de São Paulo) Subsede Ourinhos, critica o retorno ao trabalho presencial e aponta motivos que fazem com que a escola seja um foco de transmissão da COVID-19: “os prédios nos quais as escolas funcionam não têm condições de dar segurança sanitária para os professores e alunos (…) a maioria dos docentes receberão a segunda dose da vacina somente em meados de agosto, acredito que antes de setembro não haveria de se falar em aulas presenciais (…) há escolas em que as janelas não abrem há anos, prédios sem a ventilação adequada e arquitetura que não colabora com o distanciamento necessário (…) continuo achando que aulas presenciais nesse momento será um risco a mais e não colaborará com o combate à pandemia”.

 

Joana, munícipe ourinhense, elogia a gestão da Secretaria da Saúde no processo de imunização

 

“A FILA ESTÁ ANDANDO” – Joana Vitória Félix Martins, munícipe ourinhense, elogia a gestão da Secretaria da Saúde no processo de imunização, concorda que, em comparação com outras cidades, Ourinhos está com bons resultados: “eu considero positivo o resultado, estamos vendo que a vacinação está bem rápida (…) isso é bom para a população (…) aqui em Ourinhos a fila está andando”.

O prefeito Lucas Pocay afirmou em diversas oportunidades que o que tem permitido o avanço do processo de imunização na cidade tem sido a “gestão das sobras” e que, graças aos servidores públicos da Secretaria Municipal da Saúde, o desperdício está muito baixo (0,33% segundo números do Ministério da Saúde) e isso tem permitido que haja vacinas para que mais pessoas possam ser atendidas: “nosso processo está mais adiantado que o calendário de vacinação do estado, em breve poderemos dizer que todos os munícipes ourinhenses serão atendidos”.

 

DADOS VACINAÇÃO EM OURINHOS:

Doses recebidas: 66.253 (última atualização em 28/06 pelo Gov. Estadual ÀS 15H42)

1ª dose aplicadas: 51.455

2ª dose aplicadas: 15.723 (~13,73% da população)

Doses aplicadas (total): 67.178

Fonte: Retirado do site Vacinômetro do sistema Vacina já (Secretaria de Saúde do Governo do Estado de São Paulo), às 19h06 no dia 28/06/2021.

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