terça, 21 de maio de 2024

Veja ação dos criminosos em roubo cinematográfico de malotes

Alexandre Q. Mansinho

Carros de luxo, armamento pesado, fuga em alta velocidade, troca de tiros, logística avançada e ações coordenadas: seriam os ingredientes de mais um filme da franquia ‘12 Homens e Um Segredo’, se não fosse um acontecimento real no Aeroporto de Ourinhos no último dia 6. Enquanto a população e os funcionários da empresa assaltada se recuperam do susto, um questionamento é levantado: como combater ações cada vez mais violentas e organizadas das quadrilhas especializadas em roubo de valores? Segundo o que a polícia apurou até o momento, foram 10 homens, divididos em duas pick-ups de luxo, que abordaram o avião da empresa de transporte de valores ainda na pista do aeroporto, exatamente no momento em que os malotes eram transferidos para o carro forte. Os bandidos estavam armados com fuzis, submetralhadoras e uma metralhadora ponto 50 (arma de guerra, de uso restrito do Exército), houve troca de tiros mas diante do altíssimo poder de fogo dos bandidos, não houve como impedir a ação.

O saldo do roubo foi cerca de 20 milhões de reais, divididos em 10 malotes. As polícias Civil e Militar saíram a caça dos ladrões com todo o efetivo: houve fechamento de rodovias, incursões por trechos de mata na beira dos rios que cruzam a região, mas todo esse esforço foi inútil – ao que tudo indica tratava-se de bandidos experientes e houve informações privilegiadas de dentro da empresa de transporte de valores. A fuga foi igualmente cinematográfica, as pick-ups importadas com tração nas 4 rodas serviram para que os bandidos embrenhassem na mata, ignorando as estradas da região, e abandonassem os veículos próximo a uma estrada secundária, onde havia provavelmente outros veículos esperando os marginais. “Os carros de fuga foram encontrados numa mata no Jardim Guaporé, embebidos em gasolina e com um timer para explosão, mas o timer falhou”, afirma o investigador de polícia.

Detalhes que estão sendo aos poucos revelados pela polícia indicam que o roubo estava sendo planejado há dias: o caminho do aeroporto até onde foram abandonadas as pick-ups foi “preparado”, cercas foram cortadas e os buracos foram camuflados com galhos e folhas; os veículos foram preparados e adaptados para o crime: não havia bancos traseiros e a metralhadora ponto50 estava fixada na parte de trás da pick-up como um veículo de guerra. Após o susto, a população agora cobra das autoridades ações de segurança para que tal crime não aconteça mais: “não estamos acostumados com esse tipo de coisa, Ourinhos é uma cidade que não tem tradição nesse tipo de crimes”, afirma Eliane, funcionária do posto de combustíveis pelo qual a polícia passou a caça dos bandidos. Como tais ações estão se tornando comuns, empresas de transportes de valores já pediram ao Governo Federal que homens das forças de segurança comecem a fazer parte das equipes de escolta.

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