sábado, 20 de julho de 2024

Veja o que mudará na cidade se a SAE for entregue à iniciativa privada

Publicado em 26 jan 2019 - 02:15:05

           

Letícia Azevedo

No início do ano de 2018, em uma audiência pública, o atual superintendente da SAE de Ourinhos, Eng. Marcelo Simoni, disse em sessão na Câmara dos Vereadores que, ao contrário do que sempre se imaginou, a autarquia não é superavitária e que havia muitos anos que ela não tinha tido os investimentos necessários para que pudesse acompanhar o crescimento da cidade.

As palavras de Simoni expuseram uma realidade que o grande público sempre ignorou: embora Ourinhos esteja localizado em uma região banhada por três grandes rios, se o atual modelo de gestão não fosse revisto, poderíamos enfrentar uma crise na distribuição de água.

Nos últimos meses de 2018 e no início de 2019 a distribuição de água em Ourinhos entrou em colapso: em quase todas as regiões da cidade foi implementado um sistema de rodízio para que houvesse pressão d’água suficiente para abastecer todos os bairros, mas, com o aumento do consumo provocado pelo calor, o que se viu foi um sistema ineficiente, que não atendia as necessidades da população ourinhense.

SITUAÇÃO ATUAL –  Na Vila Brasil é feita a captação e o tratamento do maior volume de água consumido na cidade, isso por ser o Rio Pardo o que tem água de melhor qualidade e o que oferece condições técnicas melhores para distribuição. Há, como apoio a estação da Vila Brasil, poços semi-artesianos espalhados pela cidade que tem a função de abastecer os bairros mais distantes. O volume de água tratado nesse sistema é mais que suficiente para abastecer comércios e residências, o problema é que o sistema de canos que levam a água até o consumidor final está ultrapassado.

PERDAS – Marcelo Simoni disse, também na audiência pública da Câmara dos Vereadores no primeiro semestre de 2018, que as perdas no sistema variam entre 45% a 50% – isso motivado pelos vazamentos e possíveis roubos de água que afetam o sistema. O percentual de perdas aceito pelas empresas de saneamento é de 20%. Hoje, segundo informações divulgadas pelo próprio Prefeito, essa perda gira em torno até de 60%.

INVESTIMENTOS – O prefeito Lucas Pocay disse, em entrevista exclusiva ao Jornal Negocião, que o executivo irá fazer os investimentos necessários e, no próximo pico de consumo, no verão de 2019 para 2020, a população não irá sofrer com esse problema. No entanto, consultando técnicos tanto da SAE de Ourinhos como da SABESP em Santa Cruz do Rio Pardo, a conclusão é que não haveria, por parte da prefeitura, condições financeiras para fazer todos os investimentos necessários.

TROCA DE CANOS – A malha de canos do sistema de distribuição de água de Ourinhos é desconhecida até pelos próprios técnicos da SAE. Estima-se, no entanto, que pouco mais de 400 km precisem ser substituídos, por questões de inadequação técnica (feitos com amianto ou muito antigos) ou por estarem com o diâmetro inadequado (muito estreitos para atender o alto consumo).

INSTALAÇÃO DE MACROMEDIDORES – Na última sexta-feira (11), os oito macromedidores eletromagnéticos comprado pela SAE chegaram e segundo a Superintendência, promete ser uma das ações no combate à falta d’água, pois a necessidade de conhecer o real número das perdas é essencial para que uma medida definitiva seja tomada.

TROCA E MANUTENÇÃO DE MAQUINÁRIOS – A compra e troca de motores, tanques e demais aparelhos também aparece como algo necessário – sem aumento nas tarifas não será possível que a prefeitura arque com esse gasto.

COMO SERIA EM UMA EVENTUAL PRIVATIZAÇÃO – A equipe do Jornal Negocião foi até a vizinha cidade de Santa Cruz do Rio Pardo conversar com técnicos da SABESP, que, de forma extra-oficial, contaram como funciona o sistema – embora em média o valor por metro cúbico seja mais caro, os benefícios são inquestionáveis: “o último registro de falta d’água em alguma região da cidade foi a mais de 600 dias”, disse um dos técnicos ouvidos pelo Negocião.

TARIFA SOCIAL – Quase 30% dos consumidores santa-cruzenses se enquadram na tarifa social, que têm um valor por metro cúbico menor inclusive do que é praticado em Ourinhos: enquanto o metro-cúbico de água custa pouco mais de R$ 10,00 na SAE, na SABESP em Santa Cruz do Rio Pardo esse valor, na tarifa social, gira em torno de R$ 8,50.

AUMENTO DOS PREÇOS X QUALIDADE DO SERVIÇO – Em um modelo de serviço privatizado, todas as necessárias alterações e manutenções correm por conta da concessionária, além da coleta e tratamento de esgoto e das eventuais ampliações do sistema, e a prefeitura ainda recebe um valor pela concessão para ser investido em obras de saneamento básico. No entanto o valor médio para o consumidor que não se enquadra na tarifa social sobe em até 60%, comparado com os valores praticados em um sistema de autarquia, pois não há subsídio da prefeitura.

“A PRIVATIZAÇÃO É INEVITÁVEL” – Segundo informações colhidas junto á funcionários da SAE de Ourinhos, será impossível corrigir os problemas e fazer os investimentos necessários com o atual modelo: “a prefeitura não pode tirar dinheiro de setores como saúde e assistência social para ficar fazendo manutenção na SAE, isso é até ilegal, o ideal seria que a SAE fosse autossustentável (…) eu penso que, mesmo com o sucesso das medidas que Lucas Pocay tem prometido, a privatização é inevitável e será muito melhor para a população”.

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