terça, 10 de março de 2026
Publicado em 06 jul 2020 - 10:36:58
Manter o distanciamento e as normas de higiene será o grande desafio
Letícia Azevedo
O Governo do Estado de São Paulo anunciou no último dia 24 de junho o possível retorno as aulas presenciais. A data prevista para as escolas voltarem a receber alunos é o dia 8 de setembro, seguindo um rodízio de estudantes.
Plano de Retomada da Educação – A retomada será realizada em três etapas. Na primeira fase, serão atendidos 35% dos alunos, preservando distanciamento de 1,5 m entre eles. Na etapa 2, 70% e, por fim, o chamado “novo normal”.
As normas valem para a rede pública e particular de todo o estado e também para todos os níveis, da educação infantil até o ensino superior. A educação complementar, como cursos livres e de línguas, também entra nesse plano de ação.
De acordo como plano, cada escola definirá o revezamento de alunos e o nível de ensino que será priorizado (se infantil, fundamental ou médio), sendo que cada estudante deverá ter ao menos um dia de aula presencial por semana. Os alunos que ficarem em casa seguirão com as aulas virtuais.
O retorno das aulas presenciais só vai acontecer se todas as regiões do estado permanecerem na etapa amarela – a terceira menos restritiva, segundo critérios de capacidade hospitalar e progressão da pandemia – por 28 dias consecutivos.
MEC – Na última quarta-feira (2), o MEC divulgou as diretrizes a serem seguidas nas escolas, com um protocolo de biossegurança para a retomada gradual das aulas nas instituições do sistema federal de ensino. De acordo com o protocolo, alunos do grupo de risco (portadores de doenças crônicas), deverão seguir outras estratégias para a reposição das atividades.
O anúncio gerou grande repercussão e dividiu opiniões de pais e educadores. A incerteza de como será monitorado o comportamento dos alunos quanto a normas de distanciamento e higiene, fez com que muitos pais se posicionassem contrários ao retorno das aulas presenciais. Em Ourinhos o cenário não é diferente e pais consideram o ano perdido.
Opinião dos pais de alunos – Cléber Cordeiro da Silva, pai de aluna do ensino fundamental, é contra a volta das aulas e defende que o ano letivo seja suspenso “Além do perigo iminente, tenho certeza de que eles não irão respeitar o distanciamento e as normas de higiene. Eu acredito que o ano já esteja perdido. Nós estamos sofrendo, tendo muita dificuldade para passar o conteúdo a nossa filha. Não temos prática em ensinar e isso com certeza irá prejudicá-la futuramente” – afirmou.

Maria Aparecida da Silva, mãe da aluna, também não é favorável ao retorno das aulas. “Essas matérias propostas pelos professores não estão bem claras. As crianças têm dúvidas e nós não sabemos saná-las. Eles continuam com dúvidas e passam pra outra lição, ou seja, aquela matéria a criança não aprendeu. Definitivamente minha filha não volta pra escola esse ano” – apontou.
O gestor e educador Lucas Shoiti afirmou que entende a ansiedade dos pais e fez apelo às famílias. “As famílias têm que continuar incentivando os alunos a fazer as atividades, mesmo que seja de forma remota. Temos conversado com muitos pais, que têm medo de mandar seus filhos para o colégio, mas ainda é cedo pra dizer como será. Apesar da proximidade com o mês de setembro, o retorno as aulas é ainda apenas uma possibilidade”.

Shirlei Alexandra da Cunha, mestre em Educação pela Unifesp, defende que neste momento garantir a vida é uma condição primordial. “O período trouxe mundialmente novas condições, novos aprendizados, novas relações sendo estabelecidas entre a tecnologia e os seres humanos. Neste sentido quem conseguiu driblar as adversidades, criativamente mudou a forma de estudar. Hoje o mínimo, pensando num retorno as aulas presenciais, é condenar a morte. Pais e funcionários da educação estão temerosos com razão, pois sabem que nunca o poder público garantiu inteiramente condições adequadas de trabalho. Acredito que voltar com as aulas presenciais é no mínimo irresponsabilidade do Estado”.

Em razão da pandemia, o Ministério da Educação, no dia 29 de maio, homologou o parecer 05/20 do Conselho Nacional de Educação, que determina a reorganização do calendário escolar e a análise das atividades não presenciais para definir o cumprimento da carga horária mínima anual. No entanto o documento não traz em seu teor a quantidade mínima necessária de horas presenciais para a efetivação do ano letivo.
Secretaria Municipal de Educação de Ourinhos – A Secretaria informou que planeja o retorno às aulas presenciais junto a uma comissão formada por representantes do Ministério Público, Secretaria Municipal de Saúde, Órgãos Colegiados, Gestores das Unidades Escolares, Docentes da Rede Municipal e Pais de Alunos. As escolas seguirão os critérios estabelecidos para garantir a segurança de alunos e profissionais da educação.

Com o retorno, será realizada uma avaliação para verificar os níveis de aprendizagem que os alunos alcançaram durante o ensino remoto. Esses dados vão nortear a retomada das aulas presenciais auxiliando os professores no planejamento dos conteúdos que deverão ser trabalhados.
Só após a retomada das aulas presenciais será reavaliado o calendário escolar. A instituição também pede conscientização de pais e alunos, que será fundamental para estimular o retorno dos estudantes às escolas.
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