quarta, 11 de março de 2026

12/03 – DIA DO BIBLIOTECÁRIO: Profissional é essencial para mediação da informação e na formação de leitores

Publicado em 11 mar 2026 - 13:36:57

           

Em tempos de desinformação, bibliotecários tornam-se guardiões da leitura crítica

 

Assessoria de Comunicação

 

Celebrado em 12 de março no Brasil, o Dia do Bibliotecário é uma homenagem ao nascimento de Manuel Bastos Tigre (1882–1957), reconhecido como o primeiro bibliotecário concursado do país.

Engenheiro, poeta, publicitário e profissional da informação, Bastos Tigre foi um dos pioneiros na organização técnica de bibliotecas brasileiras e contribuiu para a valorização da Biblioteconomia como campo estruturado de conhecimento.

A escolha da data reconhece não apenas sua trajetória, mas também a importância histórica da profissão na promoção do acesso à informação, à leitura e à cultura no país.

 

O QUE FAZ UM BIBLIOTECÁRIO? – Para ser um bibliotecário, é preciso ter ensino superior em Biblioteconomia e registro no Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB). De acordo com dados do Conselho Federal de Biblioteconomia, existem cerca de 21 mil desses profissionais no Brasil, número insuficiente para a demanda no País – estimativas diversas calculam ser necessários mais de 100 mil deles.

Em um cenário marcado pelo excesso de informações, conteúdos digitais de diferentes níveis de confiabilidade e novas formas de leitura, o bibliotecário assume um papel central na mediação do conhecimento, na democratização do acesso à informação e na formação de leitores críticos, autônomos e conscientes.

Muito além da organização de acervos, esse profissional atua como curador de conteúdos, parceiro pedagógico e agente de transformação cultural dentro das escolas. Ao integrar leitura, tecnologia e educação, o bibliotecário contribui diretamente para o desenvolvimento acadêmico, socioemocional e cultural dos estudantes, fortalecendo competências essenciais para o século XXI.

Ao promover acesso igualitário ao conhecimento, incentivar a leitura e fortalecer a educação, esses profissionais reafirmam a biblioteca como espaço vivo de aprendizagem, cultura e transformação social.

 

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FALTAM BIBLIOTECAS NO BRASIL – Segundo dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), o Brasil tinha 5.293 bibliotecas públicas em 2020, número que representa cerca de uma biblioteca para cada 40 mil habitantes no País.

Nesse cenário, as bibliotecas das escolas são grandes aliadas ao acesso à leitura, apesar de nem todas possuírem esse recurso. Segundo o Censo Escolar 2023, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas 55% das escolas públicas e privadas possuem bibliotecas.

 

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O QUE FAZ O BIBLIOTECÁRIO NA ESCOLA? – No ambiente escolar, o bibliotecário atua na orientação do uso de catálogos, bases de dados e fontes confiáveis, ensinando o estudante a pesquisar com autonomia.

Ao incentivar a busca por diferentes pontos de vista e estimular a reflexão sobre o que é lido, contribui diretamente para o fortalecimento do pensamento crítico.

Na prática, o uso frequente da biblioteca reflete em ampliação de repertório, melhora no desempenho acadêmico e desenvolvimento socioemocional dos estudantes, fortalecendo competências que extrapolam a sala de aula.

 

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Para Denilson Santos de Matos, bibliotecário de Barueri (SP), a biblioteca é estruturada como espaço de acolhimento, inclusão e pertencimento, com atividades culturais e acesso aberto à diversidade de ideias e vozes. “Quando a biblioteca é organizada como um ambiente acessível e respeitoso, as pessoas se sentem parte do espaço”, explica.

O trabalho em parceria com professores e equipes pedagógicas também amplia o impacto da biblioteca no currículo e no processo de aprendizagem.

Denilson escolheu a Biblioteconomia pela amplitude de possibilidades e pelo impacto social da profissão. Para ele, a carreira une educação, tecnologia e transformação, permitindo atuar em diferentes contextos e contribuir diretamente para a formação de pessoas mais críticas e informadas. “É essa combinação entre diversidade de atuação e relevância social que dá sentido ao trabalho diário. É uma carreira que une educação, tecnologia e impacto social, com grande relevância na era da informação”, afirma.

 

 

GESTÃO, INOVAÇÃO E FORMAÇÃO DE LEITORES – Para Renata Santos, bibliotecária de São Paulo (SP), entre os principais desafios de uma biblioteca escolar estão a atualização constante do acervo e o engajamento dos alunos. Em sua opinião, a biblioteca contemporânea também atua como centro de formação cultural.

Rodas de conversa, mediação de leitura e contação de histórias fazem parte das estratégias para estimular o interesse e transformar o contato fragmentado com a informação em leitura significativa.

 “Estamos diante de uma geração hiperconectada, que lê de forma diferente. O desafio é transformar essa leitura em experiência crítica e profunda”, afirma.

Segundo Renata, a atuação do profissional deve levar em conta que a biblioteca é um organismo em crescimento, em constante adaptação.

Renata vê na profissão uma missão: democratizar o acesso à informação, incentivar a leitura e fortalecer o pensamento crítico.

Ela escolheu seguir a carreira pensando em mediar conhecimento em uma sociedade cada vez mais digital e complexa – e o que a mantém apaixonada é saber que seu trabalho tem impacto direto na formação cultural e cidadã dos estudantes.

“O conhecimento e o acesso à informação na sociedade está cada vez mais digital. Não se trata apenas de trabalhar com livros, mas de mediar informação, cultura e aprendizagem. É uma profissão com forte impacto social”, destaca.

 

 

COMBATE À DESINFORMAÇÃO E CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA – Aline Santos, bibliotecária também de São Paulo (SP), encontrou na Biblioteconomia a síntese de sua própria história.

Cresceu cercada por livros, histórias e trocas de cartas, em um ambiente familiar que valorizava a leitura. Ao unir essa vivência afetiva à sua afinidade com organização e análise, construiu uma carreira que conecta memória, conhecimento e propósito — motivação que continua guiando sua trajetória até hoje. Hoje, ela define o bibliotecário como mediador entre pessoas, informação e conhecimento.

Aline ressalta que ainda existem estereótipos sobre a profissão, associando-a apenas à organização de livros e ao silêncio. “Em meio ao grande volume de conteúdos disponíveis, muitas vezes sem critérios de qualidade, o bibliotecário orienta no uso consciente, ético e crítico das fontes”, explica.

No entanto, o bibliotecário contemporâneo atua na curadoria de conteúdos, no apoio às práticas pedagógicas e na integração da biblioteca ao currículo escolar, transformando o espaço em ambiente ativo de pesquisa, cultura e formação cidadã. “Esse trabalho promove a competência informacional, a autonomia na pesquisa e o desenvolvimento do pensamento crítico desde a primeira infância”, afirma.

 

 

TECNOLOGIA E CURADORIA DA INFORMAÇÃO – A transformação digital também tem redefinido a rotina das bibliotecas e ampliado as possibilidades de atuação do bibliotecário.

Com o avanço de sistemas de gerenciamento de acervos, bases de dados e catálogos online, o acesso à informação tornou-se mais ágil e diversificado, integrando conteúdos físicos e digitais.

Para a bibliotecária Jacqueline Borges, de Campinas (SP), a tecnologia não substitui o papel humano da profissão, mas amplia sua capacidade de conectar pessoas ao conhecimento. “Muitas atividades que antes eram feitas manualmente passaram a contar com o apoio de sistemas e ferramentas digitais. Isso facilita a organização dos acervos e amplia o acesso dos usuários à informação”, explica.

Segundo ela, o bibliotecário contemporâneo também exerce um papel estratégico na curadoria de conteúdos. Isso envolve selecionar, avaliar e organizar materiais de acordo com as necessidades informacionais dos usuários, seja no acervo físico ou em ambientes digitais. “Hoje a informação está presente em diferentes suportes. O bibliotecário atua justamente nesse processo de identificar fontes confiáveis e orientar as pessoas na busca por conteúdos relevantes”, afirma.

Além do domínio de ferramentas tecnológicas, a profissional destaca que competências como pensamento crítico, ética no uso da informação e capacidade de adaptação às novas tecnologias são fundamentais para a atuação na era digital. “Mais do que organizar informações, o bibliotecário ajuda a preencher lacunas informacionais e orienta os usuários a encontrar aquilo que realmente precisam”, conclui Jacqueline.

 

 

CURRÍCULOS DOS ESPECIALISTAS – Aline Souza Silva dos Santos é bibliotecária, formada pela UNIFAI (2010) e pós-graduada pela FESPSP em Gestão da Informação Digital.

Atuou por dez anos na Biblioteca da Aliança Francesa de São Paulo e, atualmente, é bibliotecária no Brazilian International School – BIS, onde desenvolve projetos de incentivo à leitura e acredita na biblioteca como um espaço vivo de aprendizagem e formação de leitores sensíveis, críticos e reflexivos.

 

Denilson Santos de Matos possui ampla formação na área da Educação. É graduado em Biblioteconomia e pós-graduado em Planejamento e Gerenciamento de Sistemas de Informação, com mais de 15 anos de experiência profissional. Atualmente, exerce a função de bibliotecário sênior na Escola Internacional de Alphaville, em Barueri-SP.

 

Jacqueline Borges é bacharel em Biblioteconomia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), com formação concluída em 2025. Atua há quase dois anos como auxiliar de biblioteca no Colégio Progresso Bilíngue, onde iniciou sua trajetória profissional na área.

Possui experiência em biblioteca escolar, desenvolvendo atividades de organização de acervo, atendimento a alunos e professores e promoção da leitura, além de colaborar na organização e realização de eventos culturais e educativos no ambiente escolar.

 

Renata Santos é bacharel em Biblioteconomia pela FAINC – Faculdades Integradas Coração de Jesus (2014) e pós-graduada em Gestão Cultural (2016). Construiu ao longo de mais de uma década uma trajetória dedicada ao universo das bibliotecas e da cultura.

Sua experiência inclui atuação em bibliotecas públicas, universitárias e também especializadas em arte, sempre com olhar atento para o cuidado com o conhecimento e com as pessoas.

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