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sexta, 19 de agosto de 2022

Casa de Acolhimento O Samaritano: um lugar para quem acredita em segundas chances

Liderada pelo Pr. Jacks Michael dos Santos e a Pra. Cláudia Dias, a comunidade instada em Ourinhos, conta hoje com mais de 100 acolhidos, entre ex-moradores de rua, famílias e pessoas com histórico de uso de drogas.

 

Alexandre Mansinho

 

Os evangelhos relatam que, certa vez, Jesus contou aos discípulos uma história sobre um homem que, após ter sido atacado por bandidos, foi abandonado à beira da estrada apenas com as roupas do corpo. O homem, além de ter sido assaltado, tomou uma surra tão grande que só lhe restava esperar a morte, sozinho e abandonado. No entanto, um morador da cidade de Samaria, que passava pelo caminho, viu a situação daquela pessoa e se dispôs a ajudar: cuidou de seus ferimentos e o deixou em uma hospedaria, com algum dinheiro para que se mantivesse até poder se recuperar e retomar sua vida. Essa passagem bíblica é conhecida como “a parábola do bom samaritano” e é o guia espiritual que norteia a ação de todos os voluntários que trabalham na Comunidade de Acolhimento “O Samaritano” de Ourinhos.

 

Mais de 100 pessoas vivem na Comunidade O Samaritano e já tiveram a oportunidade de recomeçarem suas vidas

 

O espaço no qual a comunidade funciona foi, há muito tempo, uma chácara destinada a eventos culturais, festas e baladas – que os proprietários do local alugam, por um valor muito simbólico, para que a Comunidade possa manter-se ativa. “Se os proprietários fossem cobrar o valor real do aluguel, nunca conseguiríamos pagar”, afirma o pastor Jacks Michael dos Santos que, junto com a esposa, a pastora Cláudia Dias, coordenam os trabalhos dos voluntários, monitores e dos acolhidos. “Não somos uma comunidade terapêutica e nem uma casa de recuperação, nem temos estrutura para isso, somos apenas uma comunidade de acolhimento para pessoas em situação de risco social”, completa Jacks.

 

“Não somos uma comunidade terapêutica e nem uma casa de recuperação, somos apenas uma comunidade de acolhimento para pessoas em situação de risco social”

 

“Cabeça vazia é a oficina do demônio” – Todos os moradores têm em suas histórias de vida pelo menos um episódio em comum: o momento em que o abuso de álcool e drogas acabou fazendo-os perderem tudo e ficarem em situação de rua, mendicância, pequenos furtos e indigência; por isso as atividades diversificadas são extremamente necessárias para os acolhidos. “Cabeça vazia é a oficina do demônio (…) eu cheguei a roubar da minha própria avó, mas, graças a Deus e a Comunidade, hoje posso viver como gente”, disse um dos acolhidos, que pediu para que não fosse identificado.

 

As atividades diversificadas são extremamente necessárias para os acolhidos

 

“O acolhimento, o trabalho e o amor” – A Comunidade mantém todas as pessoas ativas, há a divisão dos acolhidos em grupos de trabalho e, aos poucos, diversos projetos vão tomando forma: “além do trabalho diário, voluntários dão cursos e formações de capacitação para o trabalho (…) existem acolhidos que não podem trabalhar, por terem saúde frágil ou por não terem condições cognitivas para isso, mas, mesmo assim, há regras que devem ser cumpridas”, diz o coordenador. “Já tivemos curso de defumação, dado em parceria com o Sindicato Rural e temos diversos ofícios que os monitores ensinam para os acolhidos”.

 

A chácara onde funciona a comunidade já foi destinada a festas e baladas, hoje os proprietários alugam por um valor muito simbólico

 

“Acolhimento de famílias” – Há sete famílias que estão na comunidade, há crianças e idosos também: “as crianças estudam e fazem suas atividades escolares, todas as que aqui estão têm seus responsáveis também acolhidos (…) o atendimento médico é feito no posto de saúde e cuidamos para que ninguém perca suas consultas ou tenha o tratamento interrompido (…) temos hoje criação de porcos, frangos, coelhos e uma horta (…) temos também uma serralheria e uma marcenaria (…) produzimos os móveis que são usados pelos acolhidos com o material que é doado pelos colaboradores”, completa Jacks.

 

A Comunidade mantém todas as pessoas ativas, há a divisão dos acolhidos em grupos de trabalho

 

“Meu “apetite” era só na pedra” – Cristiane F. Brito, 40 anos, afirma que viveu um inferno antes de ser recebida na Comunidade: “eu tive uma recaída, saí daqui e voltei a morar na rua, só com o objetivo de fumar crack (…) mas eu voltei, agora estou longe do vício”. Cristiane contou para o Negocião que agora, depois de “ficar limpa”, pôde recuperar o contato com os filhos e recuperou os laços familiares. “Meu “apetite” era só na pedra, eu nem comia, só esperava terminar um cachimbo para ir atrás do outro (…) eu já tive outras oportunidades de mudar, já fui internada, mas as coisas só dão certo se houver vontade, agora eu tenho”.

 

Cristiane Brito, 40 anos, afirma que viveu um inferno antes de ser recebida na Comunidade

 

“Eu fui gesseiro e gráfico, nas drogas eu perdi tudo” – João Carlos Jacinto, 39 anos, é monitor da Comunidade e ajuda os outros internos ensinando ofícios, no entanto ele afirmou que as drogas e o álcool fizeram dele um indigente: “eu fiquei em situação de rua, perdi meu emprego e não conseguia mais me manter (…) por meio de um amigo eu acabei chegando aqui”. João diz que, mesmo com as oportunidades que acabam surgindo, se não houver a disponibilidade da pessoa em mudar, nada acontece: “não tem mágica, a oportunidade tem que contar com a vontade de mudar, senão de nada adianta”.

João Carlos Jacinto, 39 anos, é monitor da Comunidade e ajuda os outros internos ensinando ofícios

 

“As drogas roubaram minha vida” – Douglas Henrique Fernandes, 34 anos, estava em Santa Cruz do Rio Pardo, vivendo na rua. Ele afirma que é jardineiro e que, depois de mergulhar nas drogas e no álcool, passou a viver de esmolas: “a gente sai pedindo pela rua, sempre tem alguém que nos ajuda, mas o dinheiro é todo para comprar “corotinho” ou para comprar drogas (…) hoje eu tenho uma vida recuperada, mas eu vivia de cidade em cidade pedindo e me drogando”. Douglas acabou casando na Comunidade com uma jovem que ele conheceu nos tempos de mendicância: “a gente se conheceu em um albergue, viemos de Limeira, sempre andando bêbados (…) hoje somos uma família”.

 

Douglas Henrique Fernandes, 34 anos, estava em Santa Cruz do Rio Pardo, vivendo na rua e hoje mora na Comunidade e se casou

 

“Aceitamos todas as doações” – Pr. Jacks disse que nenhuma doação é perdida ou demasiada para a Comunidade: “hoje temos mais de 100 pessoas que precisam de tudo que você possa imaginar, desde fraldas geriátricas até roupas para crianças e, principalmente, alimentos (…) estamos montando um lago para piscicultura, estamos trabalhando na horta e com os animais de corte, mas ainda não conseguimos produzir a quantidade necessária de comida para alimentar todos os acolhidos (…) aceitamos móveis usados e qualquer estrutura que possa ser aproveitada para reforma”.

 

Segundo Pr. Jacks, nenhuma doação é perdida ou demasiada para a Comunidade

 

Quem quiser ajudar de qualquer forma pode entrar em contato pelo telefone (14) 99799-4646 que os parceiros da comunidade podem ir recolher a doação.

Facebook: @ComunidadeOBomSamaritano

Instagram: @samaritanoourinhos

→ Endereço para doações em Ourinhos: Vip Store, rua Pará, 557, Centro; ou, Grifes Atacadista, rua Lourenço Jorge, 530, Vila São Luís – (ao lado da Biblioteca Fama).

 

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