quinta, 18 de abril de 2024

Homenagem ao pai, herói, conselheiro e inspiração Fernando Cavezale

Homenagem ao pai, herói, conselheiro e inspiração Fernando Cavezale

 

Por Ananda Ribeiro

 

Hoje é um grande dia. Claro, é Dia das Mães, mas não é disso que estou falando. Anunciem nas escolas e nas praças públicas de Ourinhos: 14 de maio de 2023 é o dia em que o autor do hino, que ecoa por toda a cidade, completa 60 anos! Completaria, se estivesse conosco. Mas no próximo 5 de junho, ele completará dois anos ao lado de Deus.

Meu pai, Fernando Henrique Mella Ribeiro — para os íntimos — ou Fernando Cavezale, era genial. E nem mesmo na hora da morte foi comum. Morreu de uma doença desconhecida, cercado de orações de pessoas do mundo todo. Foi contado entre os 500 mil mortos pela covid-19 e até na capa da Folha de São Paulo ele saiu. Seu velório foi emocionante, com direito a carro de som e transmissão ao vivo pelas redes sociais. Vaidoso que era, não deixou que ninguém o visse sem vida, para que sua vida sempre fale mais alto.

E fala. Fernando Cavezale, ourinhense raíz, não é autor apenas de um hino só. Além do belíssimo hino de Ourinhos, o único municipal que já vi uma população saber cantar, ele também compôs o hino da Guarda Mirim da cidade. Feito este que só descobri após sua morte. Meu pai era tão sonhador e realizador, que de tempos em tempos descubro algum novo feito seu.

Algum novo feito, algum novo amigo, alguma nova música composta. Ele, que era jornalista por formação, músico por paixão, marqueteiro por vocação, escritor por natureza, professor por generosidade, também foi secretário municipal da Cultura em Ourinhos, de 2013 a 2016. E teria sido e feito muito mais, se assim Deus tivesse permitido.

Meu pai tinha muito amor por este chão. Filho de pioneiros — Elziro Ribeiro da Silva e Carolina Mella Ribeiro — sempre lutou para construir uma cidade melhor. E para ser melhor. Quando perdemos o Fernando, Ourinhos perdeu um cidadão de muito valor. E eu perdi o meu pai, meu herói, meu conselheiro e minha inspiração.

Cavezale deixou seis filhos, a mulher que ele amava e muitos sonhos pelo caminho. Agora, ele canta nos Céus. Está longe de nós, mas também está longe da dor e de toda tristeza deste mundo. Ele foi curado e voltou pra casa. A dor e a falta que sinto e são imensas, nunca serão maiores que o amor e o legado que ele nos deixou.

Para finalizar esta singela homenagem ao responsável por minha maior saudade, gostaria de te fazer um convite. Chame alguém que você ama para perto, agradeça a Deus por tê-lo contigo, e continue essa canção comigo, se souber: “Canto a nossa terra, berço que encerra um povo varonil! Canto o pioneiro que a semente um dia fez florir…”.

 

Ass.:

© 1990 - 2023 Jornal Negocião - Seu melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.