quinta, 29 de outubro de 2026

LIVROS & DESAFIOS: Ourinhos e o desafio de se tornar uma cidade leitora

Publicado em 29 out 2026 - 10:28:34

“A utopia é apenas a antemanhã de uma realidade, o berço em que dorme uma certeza” – Olavo Bilac (Conferências Literárias)

 

Coletivo de Leitura

 

Imagine uma cidade onde o livro não seja um item empoeirado na estante e a leitura não se limite a uma exigência escolar. Onde grandes autores se sentem à mesa conosco para dividir lágrimas e risos, como velhos e bons amigos.

 

 

 

 

Imagine crianças que descubram novos mundos nas páginas de um livro e jovens que encontrem na leitura possibilidades para seus sonhos. Uma cidade onde o conhecimento e o encantamento façam parte da vida cotidiana, onde os livros tenham espaço nas casas e os contos cheguem às crianças antes mesmo das telas.

Agora que você imaginou, pergunto: esse lugar lhe parece inalcançável?

É essa cidade que queremos para Ourinhos.

 

 

 

 

Desde 2025, grupos da sociedade civil e bibliotecas vêm se articulando para fortalecer a leitura no município. Em outubro daquele ano, essa mobilização deu origem ao Coletivo de Leitura de Ourinhos, que reúne integrantes de clubes de leitura e pessoas envolvidas com a promoção do livro e da literatura.

 

 

 

 

PMLLLBE – Entre as propostas do grupo está a construção do PMLLLBE – Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura, Bibliotecas e Escrita.

A iniciativa busca estabelecer diretrizes para políticas públicas de incentivo à leitura, fortalecimento das bibliotecas e valorização dos diferentes profissionais e agentes que participam da cadeia produtiva do livro.

A intenção é dar continuidade às ações existentes e criar condições para que o acesso à leitura faça parte do planejamento cultural e educacional do município.

 

 

 

 

 

15ª FLOu – Foi com a participação do Coletivo de Leitura, o apoio de parceiros e recursos do edital de Apoio a Festivais do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), que Ourinhos realizou, em maio de 2026, a 15ª edição do FLOu — Festival Literário de Ourinhos.

 

 

 

 

Durante cinco dias, o festival promoveu oficinas, palestras, mesas literárias e contações de histórias. A programação ocupou três espaços públicos de leitura: a Biblioteca Municipal Tristão de Athayde, a Biblioteca do CEU e a Biblioteca Clarice Lispector, aproximando o público de escritores, mediadores, estudantes e diferentes expressões literárias.

 

 

 

 

O trabalho da FATEC Ourinhos permitiu registrar em números parte do que aconteceu durante o festival. Quase 600 pessoas passaram pelas três bibliotecas, e 58 visitantes entraram em uma biblioteca pela primeira vez.

 

 

 

 

IMPORTANTE – Esse último dado merece atenção. Para 58 pessoas, o festival representou o primeiro contato com uma biblioteca. O levantamento não permite afirmar o que acontecerá depois dessa visita, mas mostra que eventos literários podem alcançar pessoas que ainda não frequentavam esses espaços.

 

 

 

 

O desafio é fazer com que essa aproximação tenha continuidade. A visita motivada por uma oficina, uma palestra ou uma contação de histórias pode ser o início de uma relação com os livros. Para que isso aconteça, as bibliotecas precisam manter suas portas abertas, oferecer atividades regulares e acolher leitores com diferentes interesses e experiências.

É nesse contexto que o Coletivo de Leitura e a construção do PMLLLBE ganham importância. O festival mobiliza a cidade em torno da literatura; o Plano pretende estabelecer diretrizes para que o incentivo à leitura tenha continuidade.

São iniciativas distintas, mas que se relacionam na busca por ampliar o acesso aos livros e fortalecer a formação de leitores.

 

 

 

 

ACESSIBILIDADE – Uma cidade leitora depende de bibliotecas acessíveis, escolas, clubes de leitura, escritores, mediadores e iniciativas da sociedade civil. Depende também de políticas públicas que reconheçam a leitura como parte da formação cultural dos cidadãos e garantam condições para que as ações não se restrinjam a eventos pontuais.

O caminho exige participação, planejamento e continuidade. A construção do PMLLLBE abre espaço para que a população contribua com propostas e para que as necessidades do município orientem as futuras ações. Quanto mais ampla for essa participação, maiores serão as possibilidades de formular uma política que dialogue com a realidade de Ourinhos.

 

 

 

 

UTOPIA NÃO – A utopia de Olavo Bilac nos convida a pensar na distância entre aquilo que imaginamos e aquilo que conseguimos realizar. Em Ourinhos, a mobilização em torno da leitura já produziu encontros, parcerias e iniciativas concretas.

 

 

 

 

O próximo passo é consolidar esse trabalho e ampliar seu alcance.

Queremos uma cidade em que crianças tenham acesso aos livros, jovens encontrem na literatura novas perspectivas e adultos descubram ou redescubram o prazer da leitura. Uma cidade em que as bibliotecas sejam espaços presentes na vida da população e em que o acesso ao conhecimento não dependa das condições econômicas ou da proximidade com os meios culturais.

 

 

 

 

Uma cidade leitora não nasce pronta. É construída por pessoas que acreditam na importância dos livros e se dispõem a trabalhar para que mais gente tenha acesso a eles.

Em Ourinhos, esse trabalho está em curso. O sonho agora é fazer com que a leitura ocupe, cada vez mais, o lugar que merece na vida da cidade.

 

 

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