sábado, 23 de maio de 2026

TROCANDO EM MIÚDOS: Palavras, dúvidas e curiosidades da nossa língua

Publicado em 23 maio 2026 - 13:58:59

           

Um dos assuntos que mais geram dúvidas no dia a dia é o uso da crase

 

 Por Thiago Henrique Trindade

 

Caro amigo leitor,

A língua portuguesa é cheia de detalhes que, à primeira vista, parecem complicados, mas que podem ser compreendidos de maneira simples e prática. Um dos assuntos que mais geram dúvidas no dia a dia é o uso da crase. Afinal, quando devemos utilizá-la? E, principalmente, quando ela não aparece?

Antes de tudo, vale lembrar que a crase acontece na fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a”. Portanto, se um desses elementos não existir, não haverá crase. Simples assim!

Existem algumas situações bastante comuns em que a crase não deve ser utilizada. Vamos conhecer algumas delas.

Não se usa crase antes de palavras masculinas. Por exemplo: “Vou a pé”, “Escreveu a lápis” ou “Entregou o documento a Paulo”. Como não há artigo feminino acompanhando a palavra seguinte, a crase desaparece.

 

 

Existem algumas situações bastante comuns em que a crase não deve ser utilizada

 

 

Também não usamos crase antes de verbos. Frases como “Começou a estudar”, “Aprendeu a cozinhar” e “Saiu a trabalhar” não recebem o acento grave, já que verbos não admitem artigo.

Outro caso frequente ocorre antes de pronomes pessoais e de tratamento, com algumas exceções. Dizemos: “Entreguei o convite a ela” e “Enviei o documento a Vossa Senhoria”. Nesses exemplos, não há fusão entre preposição e artigo.

Além disso, não se usa crase em expressões com palavras repetidas, como “cara a cara”, “frente a frente” e “gota a gota”. A repetição elimina a presença do artigo feminino.

Há ainda os casos envolvendo cidades. Quando o nome da cidade não admite artigo feminino, não ocorre crase. Assim, escrevemos: “Vou a Curitiba” ou “Cheguei a Londrina”. Uma dica prática é transformar a frase para o verbo “voltar”. Se dissermos “voltei de Curitiba”, não há crase. Se dissermos “voltei da Bahia”, aí sim a crase aparece: “Vou à Bahia”.

Perceba que compreender a lógica da crase é muito mais eficiente do que decorar regras soltas. Com atenção e prática, o uso correto passa a acontecer naturalmente na escrita e na fala.

 

 

Thyago Henrique Trindade é Secretário Municipal de Educação de Ourinhos, professor de língua portuguesa, pedagogo, advogado, especialista em estudos linguísticos e mestrando em educação básica, gestão e planejamento

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