quarta, 12 de agosto de 2020

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Cemitério de Ourinhos não tem mais espaço para novas sepulturas

Sepultamentos para quem não possui jazigo estão sendo realizados em “gaveta coletiva”

 

Letícia Azevedo

 

A falta de espaço no Cemitério Municipal tem criado situações constrangedoras para os familiares dos falecidos, pois a não ser que a família possua um jazigo, os corpos estão sendo sepultados em uma espécie de “gaveta coletiva”. O local conta com mais de 47 mil pessoas sepultadas, 11.106 jazigos e não há espaço para novas construções.

No início do mês de junho, moradores do Jardim Flórida descobriram que algumas sepulturas foram construídas de forma irregular, em um local que não guarda nem 1 metro do muro do cemitério, sendo que “colado” ao muro há diversas moradias.

Sem respeitar o distanciamento mínimo, e nem os limites dos muros que cercam o local, que é de cinco metros, após denúncias aos meios de comunicação da cidade, algumas das sepulturas tiveram que ser destruídas. Quatro dessas sepulturas já estavam ocupadas e só podem ser retiradas com decisão judicial.

POSSÍVEL SOLUÇÃO

De acordo com o Secretário do Meio Ambiente, Maurício Amorosini, o cemitério há tempos já vem dando sinais de que não suportaria mais muitas sepulturas. “Desde que o Cemitério veio para a pasta do Meio Ambiente, já estava entrando em colapso. Esse é um problema que, como vários outros, já se arrasta desde as outras gestões. E é de suma importância que as pessoas saibam que é um processo lento e burocrático”.

A área de 5 mil metros quadrados que existe nos fundos do cemitério, segundo o Secretário, já foi desapropriada e já existe um projeto a ser desenvolvido. “Essa área já foi paga pela municipalidade, e faltam apenas os trâmites legais para iniciar as obras. O local dará espaço para 1.200 novas sepulturas. A Prefeitura está contratando a empresa licenciada pelos órgãos ambientais para a construção, o que deve ao menos desafogar o cemitério que não conta com mais nenhum espaço para construção de novas covas”.

 

Área desapropriada que servirá de ampliação para o Cemitério

 

Segundo Maurício, a área deverá ter um novo modelo de construção a fim de otimizar o espaço e diminuir o impacto visual. “Se o órgão ambiental autorizar pretendemos fazer as sepulturas subterrâneas, com apenas o gramado em cima e as placas de identificação. Salientando que é necessária a autorização do órgão ambiental que fiscaliza esse tipo de construção”

Ao lado dessa área de 5 mil metros quadrados, existe uma outra área equivalente a 32 mil metros quadrados que provavelmente também servirá como terreno para o cemitério. “O proprietário dessa área já entrou em contato com a secretaria, manifestando interesse na venda do local. Essa proposta já foi enviada para o gabinete e está em análise. É importante deixar claro que, se for viável tanto ao Poder Público quanto ao proprietário desse terreno, a área poderá ser adquirida pela Prefeitura Municipal”.

 

Terreno deve abrigar cerca de 1.200 sepulturas em novo formato

 

SÓ O RECADASTRAMENTO NÃO RESOLVE

Sem a realização do recadastramento desde 2014, diversos túmulos abandonados continuam ocupando o escasso espaço do Cemitério Municipal. A reorganização é um problema que infelizmente demanda tempo. “Além de ser um assunto complexo, o cemitério até pouco tempo atrás não possuía um cadastro informatizado, o que dificulta o reconhecimento de algumas sepulturas e o contato com as famílias. É necessário realizar um novo recadastramento, para que esses túmulos que não tiverem cadastro atualizado possam ser retomados e utilizados. Mas por ser um processo demorado, só o recadastramento não é o suficiente neste momento” – afirmou o secretário.

 

“O que realmente vai pôr fim ao problema da superlotação é uma nova área para que as sepulturas possam ser construídas de maneira definitiva”, diz secretário.

 

TERCEIRA GAVETA FUNCIONA APENAS PARA TÚMULOS JÁ EXISTENTES

Em 2018, uma lei de autoria do vereador Abel Fiel passou a permitir que uma terceira gaveta fosse construída na sepultura, aumentando a capacidade de sepultamentos nos jazigos, porém, de acordo com o secretário, a medida serve apenas para túmulos já existentes. “Essa lei deu apenas uma sobrevida para as sepulturas, mas resolveu apenas de forma paliativa. Mas esse não é o melhor caminho para a gestão. Claro que para quem já tem os jazigos, a lei funciona e acaba solucionando alguns casos. Mas o que realmente vai pôr fim ao problema da superlotação é uma nova área para que as sepulturas possam ser construídas de maneira definitiva”.

CONSTRUÇÃO DE UM NOVO CEMITÉRIO POR ENQUANTO ESTÁ FORA DE QUESTÃO

Há um projeto para a construção de um novo cemitério, mas segundo Maurício, o Poder Público ainda não identificou uma área que fosse acessível aos cofres públicos e licenciada pelos órgãos ambientais. No momento, o foco é a ampliação do Cemitério já existente.

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