domingo, 25 de outubro de 2020

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Deficiência no abastecimento continua afetando a vida dos ourinhenses

Racionamento foi adotado para amenizar a falta d’água mas a população continua sofrendo com as torneiras secas na maior parte do dia

 

Letícia Azevedo

 

Chamado pela administração pública de “Reservação de Água”, o racionamento estabelecido em Ourinhos não tem sido suficiente para manter toda a cidade abastecida nos horários de pico – manhã e noite, como havia sido previsto por estudo realizado pela equipe técnica da SAE – Superintendência de Água e Esgoto de Ourinhos.

 

Torneiras Secas

 

Desde sexta-feira, 18 de setembro, data de sua divulgação, a medida provisória foi adotada e a contenção acontece todos os dias das 13h00 às 16h30. Porém, são diversos relatos de que mesmo antes ou até após esse horário, o abastecimento continua interrompido.

Rotina Abalada

Tarefas comuns como lavar louça, tomar banho e limpar a casa nunca foram tão complicadas. Além da escassez das chuvas e a alta nos termômetros, que nesta semana ultrapassaram os 41º graus, lidar com o desabastecimento vem se tornando cada vez mais difícil para os munícipes.

A dona de casa Maria Amélia Elias relatou que na Cohab, bairro onde reside com a família a seis anos, o problema com o abastecimento não respeita o horário imposto pela SAE. “Para as crianças poderem tomar banho deixamos o tanque cheio, às vezes até o tanquinho de lavar roupa nós enchemos de água pra que eles possam tomar banho. Eu também guardo água nas canecas para poder cozinhar. A louça suja daí, só Deus sabe quando vamos poder lavar”.

 

Maria Amélia Elias – “Para as crianças poderem tomar banho deixamos o tanque cheio”

 

Maria Amélia acredita que o problema da falta d’água está longe de chegar ao fim, principalmente no bairro onde reside. “Todas as vezes que ligamos na SAE pra saber sobre o desabastecimento, nos falam que há algum problema na caixa d’água da Cohab. Faz seis anos que moro aqui e ouço a mesma desculpa. O que eu quero saber é quando esse problema vai acabar”.

O marido de Maria Amélia, Kilderi Thiago Oliveira, também está revoltado com a situação. “É difícil até para conseguirmos fazer coisas básicas. Nós temos cachorro, precisamos manter o quintal limpo. Gostamos da nossa casa limpa. Nossos filhos têm problemas respiratórios, não podemos de forma alguma deixar acumular poeira em casa, mas pra isso precisamos de água pra poder limpar. Poxa, pagamos as contas, só queremos o que temos direito. A falta d’água aqui já está virando uma questão corriqueira e não podemos acostumar com esse problema”.

 

Kildari Thiago – “Além de sofrer com a falta de água, a conta tem ficado mais cara, como pode isso?”

 

Kilderi demonstra estar irritado com a situação, e diz que não há nem como se programar para enfrentar o problema. “Em determinado horário do dia, simplesmente não tem água. Falta de dia, falta à noite. Não chega um aviso. O único aviso que temos agora é sobre os horários do racionamento. Mas e fora esse horário? É normal também ficarmos sem água? Não agüentamos mais” – reclamou.

Enquanto falta cada vez mais a água, as contas aumentam e a população não entende

Mesmo durante o racionamento, onde o fornecimento é restrito, os moradores continuam reclamando do constante aumento nas contas de água. Uma das hipóteses levantadas é a de ar nos canos. O problema ocorre quando falta água e os canos são invadidos pelo ar, uma vez normalizado o fornecimento, a água empurra o ar que estava na tubulação e quando chega no hidrômetro o ar faz o ponteiro registrar um “falso” consumo, esse feito se torna corriqueiro durante períodos de racionamento de água.

Por conta da deficiência no abastecimento, os munícipes se questionam principalmente sobre os valores pagos pelas contas. Para Kildari não há motivo para o aumento nas contas, sendo que a água quase não é utilizada. “Além de sofrer com a falta de água, a conta tem ficado mais cara, como pode isso? Sentimos bastante o aumento nas contas, de 10 a 15% por mês, mesmo sem o abastecimento.” diz Thiago.

Prefeitura aposta na construção de duas novas ETA’s

Através das redes sociais, o Prefeito Lucas Pocay vem pedindo a colaboração da população para um consumo consciente da água. Quase diariamente uma nota é divulgada apontando que diversos investimentos estão sendo realizados para garantir o abastecimento constante. A construção de mais duas ETAs, segundo a administração, vai resolver de vez o problema da falta de água.

SAE

Procurado pelo jornalismo do Negocião, e questionado sobre as novas ETA’s, o Superintendente da SAE, Inácio J. B. Filho, optou por conversar sobre o assunto nos próximos dias, quando será assinado um contrato de ampliação da ETA.

Foi perguntado também o motivo de, apesar do racionamento, o desabastecimento continuar frequente nos horários de pico, mas o superintendente não se manifestou a respeito.

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