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quarta, 08 de dezembro de 2021

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Fome também faz parte do dia-a-dia de famílias vulneráveis em Ourinhos

Com o aumento da população em situação de vulnerabilidade, iniciativas de associações e voluntários ganham destaque na região de Ourinhos

 

Alexandre Mansinho

 

Dia 20 de outubro de 2021, região central de Ourinhos/SP, esquina entre as ruas Paraná e Cardoso Ribeiro – o jornalismo do Negocião aborda um grupo de 5 pessoas, uma mulher na casa dos 30 anos e quatro meninas, a mais velha com 14 anos e a mais nova com 10 anos. Esse grupo, todas da mesma família, tinha em comum a missão de revirar os sacos de lixo depositados naquele local em busca de comida.

 

Famílias comendo resto de marmitex (ilustração)

 

Questionadas sobre os motivos de estarem naquela situação, a mulher mais velha respondeu que estava difícil arrumar emprego: “às vezes uma associação aparece lá em casa com uma “cesta”, mas tá tudo difícil, já faz 15 dias que acabou o gás”. Perguntado se ela não procura os centros de referência da prefeitura, como o CRAS, ela responde: “às vezes eles vêm com muita exigência, depois aparece o Conselho querendo tomar meus filhos”, afirma.

Enquanto a entrevista acontecia com a mulher mais velha do grupo, as outras meninas continuavam revirando o lixo, uma até encontrou um marmitex que, segundo ela, “estava boa”. A garota de 14 anos disse, em tom de denúncia, que naquele dia mesmo tinha passado por ali um “velho que ofereceu dinheiro a troco de um “programa”: “O velho queria me dar 50 reais, mas eu tinha que entrar no carro com ele, sai fora!”.

 

Morador em situação de rua aguarda na porta de comércio em Ourinhos

 

Na manhã do dia 21 de outubro, em frente a uma padaria de um bairro de classe média ourinhense, o jovem Valdir (nome fictício) abordava as pessoas que entravam no estabelecimento pedindo algo para comer. Enquanto ele aguardava um senhor que havia dito que iria comprar-lhe um pão com manteiga, Valdir conversou com a equipe do jornal: “não vou mentir pro senhor, eu fumo pedra e fico o dia inteiro fora de casa (…) mas faz uma semana que eu estou limpo (…) emprego não tem, eu até comecei com um pessoal aí que “cata latinha”, mas eu briguei com eles e não deu certo”, completa.

 

Kombi abordagem Naia em Ourinhos

 

Essas cenas estão se tornando cada vez mais comuns, um estudo nacional da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PenSSAN – https://pesquisassan.net.br/) mostra que, atualmente, no Brasil há cerca de 19 milhões de pessoas passando fome. Além destas, outras 43 milhões não têm acesso pleno à alimentação.

 

AÇÕES GOVERNAMENTAIS – Em Ourinhos, a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, chefiada pela secretária Viviane Aparecida Rodrigues Barros e o secretário adjunto Hamilton Ferreira Azevedo, desenvolve ações de visitação e busca ativa de pessoas e famílias que estejam em situação de risco social e alimentar, além das centenas de famílias que são atendidas pelos CRAS (Centros de Referência em Assistência Social) espalhados pelo município. Recentemente uma rede de supermercados efetuou uma doação em cestas básicas, durante o recebimento dessas cestas a secretária Viviane Barros afirmou a importância dos parceiros nas ações contra a fome e disse que, com a estrutura de atendimento existente, em poucos dias todos os alimentos já estariam nas casas das pessoas necessitadas.

 

Supermercado doa 500 cestas básicas ao Fundo Social de Solidariedade em Ourinhos

 

Em Salto Grande/SP, além das ações já tradicionais, a Prefeitura Municipal, em parceira com o Fundo Social da cidade, realiza ações de atendimento às pessoas em risco social. Recentemente houve um almoço solidário com distribuição de marmitas, produtos de higiene (escova de dente e creme dental) e cobertores aos cadastrados no Departamento de Assistência Social. Mário Rosa, prefeito, afirma que haverá muitas outras ações desse tipo como forma de ajudar as famílias em vulnerabilidade social e pessoas em situação de rua.

Em Ipaussu/SP há também projetos, em conjunto com parceiros, nos quais a Secretaria de Assistência Social procura trazer cursos e capacitações para que as pessoas em situação de risco social possam produzir renda e ter uma ocupação remunerada. O destaque nesse sentido foi a implementação de uma Escola de Beleza, com foco nas mulheres chefes de família, para que elas possam, no futuro, serem empreendedoras.

ASSOCIAÇÕES E GRUPOS DE AMIGOS – Como o poder público sozinho não dá conta de enfrentar a situação, as cozinhas solidárias e comunitárias multiplicaram-se na região, somando-se aos grupos de amigos, além das associações já existentes. Cloidas Quitério de Souza Rodrigues Dias e Guilherme Rodrigues Dias, que trabalham em um dos grupos ourinhenses da Associação São Vicente de Paula, os Vicentinos, afirmam que o número de famílias atendidas aumentou muito durante a parte mais grave da pandemia e, infelizmente, continua crescendo: “a quantidade de arrecadação de alimentos caiu, a dificuldade para atender as famílias com as quais trabalhamos tem sido mais intensa (…) mas, com a graça do Altíssimo, estamos vencendo batalha por batalha”, afirmam.

 

Estoque de alimentos dos Vicentinos arrecadação menor e mais famílias atendidas

 

Foi com o apoio dos Vicentinos que um grupo de amigos se juntou, conseguiu apoiadores e arrecadou ingredientes para fazer um sopão solidário (foto), que tem sido uma ação que está se multiplicando em todas as cidades da região. Há registros dessas ações em Santa Cruz do Rio Pardo/SP, Bernardino de Campos/SP, Jacarezinho/PR e Cambará/PR.

 

Ação solidária de grupo de amigos em parceria com os Vicentinos

 

Na Catedral do Senhor Bom Jesus de Ourinhos, desde maio de 2016 a Pastoral Social oferece o sopão toda quarta-feira, e hoje já distribui em torno de 150 a 200 famílias por semana.

 

Pastoral Social da Catedral de Ourinhos

 

“Atendemos em torno de umas 60/80 famílias, mas isso muda muito e com a pandemia, sempre aparece mais pessoas pedindo ajuda”, conta Silvia Tarloto Mariano, uma das voluntárias.

Silvia relata ainda que não atendem mais pois as doações diminuíram e os entregadores também, e que quando falta ingredientes, as voluntárias se unem e cada uma doa pouco para que não falte a refeição.

“Quando tem doação de cesta básica, levamos para algumas famílias em situação mais crítica, é muita gente que precisa”, completa Silvia.

Um grupo de Cursilhistas também têm se empenhado em busca de doações para um sopão distribuído toda terça-feira, que beneficia os acolhidos da Comunidade Samaritanos de Ourinhos e Centro Pop. Ao todo são 210 litros de sopa por semana. A Ação teve início no auge da pandemia e nos meses mais frios deste ano.

 

Cursilhistas fornecem o jantar toda a terça-feira aos acolhidos da Comunidade Samaritanos

 

Para as pessoas em situação de rua, além dos eventuais “sopões” há associações que se especializaram na atenção a essas pessoas, como, por exemplo o NAIA – Núcleo de Atendimento à Infância, Adolescência e Adultos, que realiza uma busca ativa de pessoas em risco social que estejam morando nas ruas e procura dar-lhes atendimento para que possam resolver suas necessidades imediatas.

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