sbado, 11 de julho de 2020

MAX. º MIM. º
TEMPO:

Jazigos são construídos de forma irregular no Cemitério de Ourinhos

O local conta com mais de 47 mil pessoas sepultadas, 11.106 jazigos em um espaço que não suporta mais novas construções

 

Letícia Azevedo

 

No início da semana, um grupo de munícipes denunciou a construção irregular de túmulos no Cemitério da Saudade em Ourinhos, sem respeitar as normas ambientais. Enquanto a resolução nº 335/2003 do Conselho Nacional do Meio Ambiente determina que a distância entre os locais de sepultamento e os muros que marcam os limites do terreno deva ser de, no mínimo, 5 metros, houve a construção de novos túmulos em um local que não guarda nem 1 metro. O mais grave é que “colado” ao muro do cemitério há residências de um bairro bastante povoado na cidade: o Jardim Flórida.

O fato é retrato da situação que se encontra o sistema funerário público de Ourinhos, como já denunciado em matéria do Jornal Negocião. O local conta com mais de 47 mil pessoas sepultadas, 11.106 jazigos em um espaço que não suporta mais novas construções.

 

Túmulos construídos com poucos centímetros de distância do muro do cemitério: totalmente em desacordo com as normas ambientais

 

Daiane Michele, moradora do Jardim Flórida, contou para a nossa reportagem como foi que a família percebeu as construções irregulares “Uma vizinha ouviu barulhos de marteladas que pareciam estar “dentro do quarto dela”. Então ela subiu na laje para poder ver do que se tratava e se impressionou com o que descobriu. Sem ligar para a possibilidade de contaminação, mau cheiro ou até de doenças eles vão colocar pessoas mortas do lado de onde a gente mora”.

 

Daiane Michele – “Percebemos que estavam construindo do lado de nossas casas e já fizemos a denúncia”

 

Flávia Nicoletti da Silva Barbosa, vizinha de Daiane, afirma que a revolta foi grande “Nós fizemos as denúncias, eles disseram que iriam resolver o problema. Nós chamamos a imprensa, mas parece que ainda nada foi feito. Parece que como tem gente enterrada lá, vão ter que pedir à Justiça para poder exumar os corpos” – lamentou a moradora.

 

Flávia Nicoletti – “Temos idosos, crianças e animais de estimação, enfim, todos estamos correndo risco de contaminação”

 

PREFEITURA – Questionada sobre a problemática, a Prefeitura de Ourinhos não se manifestou, porém, ao Passando a Régua, o Secretário Municipal de Meio Ambiente, Maurício Amorosini, disse que os jazigos construídos de forma  irregular seriam retirados, porém quatro deles já têm corpos sepultados e só poderão ser retirados através de decisão judicial.

ESTRUTURA QUE NÃO ACOMPANHOU O CRESCIMENTO DA CIDADE

Em meados dos anos 30, quando foi inaugurado, o Cemitério ficava em uma região considerada periferia da cidade, cercado de sítios e fazendas. Hoje, com quase um centenário de história, bairros populares e empreendimentos imobiliários cercam os mais de 11 mil jazigos, que enterram mais de 47 mil pessoas, túmulos estes que foram sendo construídos sem um plano a longo prazo e sem nenhuma preocupação ambiental.

TERRENO PARA AMPLIAÇÃO

O governo Belkis desapropriou uma área para construção de novos túmulos. As licenças ambientais e todos os trâmites já foram concluídos. No entanto, fontes ligadas à administração afirmaram que o executivo não teria disponibilidade de dinheiro em caixa para que fosse feita a estrutura desse novo terreno.

 

Terreno já desapropriado para a construção de novos túmulos: projeto ainda não saiu do papel

 

PROPOSTAS PARA ENFRENTAR O PROBLEMA

Recadastramento – Desde 2014 há um esforço para atualizar os registros de túmulos que estão aparentemente abandonados. Assunto que já causou repercussão negativa por parte de familiares.  Há também ações no Ministério Público para reestruturar jazigos enormes, com espaço até para capelas e gramados, que foram construídos por famílias tradicionais de Ourinhos em um tempo em que espaço não era problema.

Ossários – A exemplo de cemitérios mais antigos, há projetos para a construção de ossários que seriam construídos em áreas de acesso, dando lugar para novas sepulturas.

Um novo cemitério em uma nova área – Haveria estudos avançados para a desapropriação de uma nova área para um segundo cemitério público. Porém há além das barreiras de certificados de liberação de órgãos de controle, o fator financeiro, o que impede a nova construção.

Possibilidade de “um respiro” – Há às margens do Córrego Christoni, um sítio de pouco mais de 47 mil metros quadrados. A desapropriação do mesmo poderia dar ainda alguns anos de exploração para o Cemitério da Saudade. No entanto o valor para a desapropriação seria alto e estaria impedindo a Prefeitura de realizar o processo.

© 1990 - 2019 Jornal Negocião - Seu melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.