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quarta, 27 de outubro de 2021

MAX. º MIM. º
TEMPO:

O que é, como é ser um entregador, motoboy, motofretista!

A atividade, que não parou com a pandemia, conquista espaço importante em empresas dos mais diversos setores

 

Alexandre Mansinho

 

Quando bate a fome, a necessidade de comprar um remédio, a vontade de buscar aquela bebida gelada ou até mesmo quando, na última hora, falta aquele ingrediente para fazer o bolo, entram em cena os entregadores – profissionais já bastante conhecidos do nosso cotidiano, mas que ganharam lugar de destaque com as restrições impostas pela quarentena decretada por conta da COVID-19.

O Jornal Negocião acompanhou um pouco da rotina desses homens e mulheres que dedicam boa parte dos seus dias para prestar esse serviço muito importante para o comércio das cidades.

Trabalhando de 11 a 12 horas por dia, às vezes vinculados a aplicativos ou até mesmo com vínculo direto com as lanchonetes, os entregadores começam já antes da hora do almoço, período no qual todo o foco das entregas fica nos marmitex e nos sucos e refrigerantes. Passada a hora do almoço, toda a espécie de produto é transportada – de pequenas quantidades de materiais de construção até medicamentos.

O entregador Gustavo Henrique Macedo explica que aplicativos de entrega de comida cadastram os entregadores, indicam o restaurante no qual a refeição deve ser retirada e apontam o endereço do cliente: “logo depois que a entrega é feita e nós confirmamos no celular que a entrega foi realizada com sucesso, o valor do serviço já é depositado em nossas contas”. Gustavo também afirma que os valores repassados para os entregadores em Ourinhos são valores justos: “quem trabalha certinho consegue ter um retorno financeiro que vale a pena (…) algumas plataformas oferecem até um seguro para acidentes pessoais e para a moto”.

 

Gustavo afirma que os valores repassados para os entregadores em Ourinhos são valores justos

 

Os dias de calor extremo e frio congelante são dificuldades que já estão sob controle, conforme diz o motofretista Giovani Antunes Ferreira: “o problema maior é a chuva – aí tudo fica mais difícil (…) esses dias eu caí ao passar por uma poça d’água que “segurou” o pneu da moto (…) só não foi pior porque eu já havia realizado a entrega”. Segundo Giovani, o motofretista tem que ser “focado”, não pode ficar faltando no serviço ou sendo irregular: “é um trabalho cansativo, exigente, mas que dá um retorno (…) ninguém fica rico no motofrete, mas na atual situação, acaba dando pra tirar o salário médio da cidade (…) a gente está vendo que é um serviço que veio pra ficar, pois, mesmo com o retorno de alguns estabelecimentos no atendimento presencial, ninguém nem comenta sobre dispensar as tele-entregas”.

 

Os dias de calor extremo e frio são dificuldades que já estão sob controle, mas o pior é a chuva

 

O salário médio, conforme disseram os entregadores que conversaram com o jornal, gira em torno de R$ 2.000,00. O motoqueiro Marcelo Alves Evangelista adverte que, por se tratar de um serviço sem vínculo empregatício tradicional, alguns cuidados são necessários: “aqueles que trabalham fora dos aplicativos, direto para as pizzarias ou lanchonetes, devem ter o cuidado de ter ao menos o recolhimento do MEI (Micro Empreendedor Individual), para ter a contagem de tempo para aposentadoria e eventuais direitos, como licença saúde”. Marcelo complementa: “se a pessoa não for responsável, regrada, empenhada e certa daquilo que quer, não vai dar certo trabalhar nem uma semana”.

 

O motoqueiro Marcelo Alves Evangelista adverte que, por se tratar de um serviço sem vínculo empregatício tradicional, alguns cuidados são necessários

 

Caio dos Santos Rodrigues, que trabalha a pouco tempo com entregas, diz que o número de pedidos em dias “fortes” chega a ultrapassar a capacidade de entrega dos motoqueiros: “sextas, sábados e domingos; ou até dias de frio ou chuva, chega a faltar entregadores (…) existem pessoas que têm um trabalho normal durante o dia e fazem “bico” durante à noite somente nesses dias mais corridos”. Caio também explica que pizzarias e lanchonetes que têm um fluxo muito alto de pedidos acabam não usando aplicativos de terceiros, eles têm seus próprios aplicativos e “contratam” os entregadores por dia: “há pizzarias que pagam R$ 50,00 o dia, com o limite máximo de 10 corridas, o que vier acima disso é pago à parte, R$ 5,00 a entrega”.

 

Caio trabalha a pouco tempo com entregas, e diz que o número de pedidos em dias “fortes” chega a ultrapassar a capacidade de entrega dos motoqueiros

 

No Brasil, segundo associações de entregadores de aplicativo, o número desses trabalhadores chega a 1,4 milhão; até pouco menos de cinco anos, a quantidade não passava dos 900 mil. No Brasil inteiro a pandemia deu um boom no setor, tanto que no Norte Pioneiro do Paraná e no Sudoeste Paulista foi perceptível que alguns estabelecimentos como restaurantes, lanchonetes, padarias e até supermercados, que nunca tinham cogitado a idéia de atenderem por plataformas eletrônicas, acabaram aderindo em 2020.

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