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quarta, 27 de outubro de 2021

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Tempo cada vez mais seco aumenta ocorrência de incêndios em Ourinhos

Não bastasse o clima propício, a população ainda tem que conviver com ações irresponsáveis de populares

 

Alexandre Mansinho/Marcília Estefani

 

O Brasil todo passa por um sério período de estiagem e de tempo seco, nas regiões sudoeste do estado de São Paulo e norte do estado do Paraná não têm sido diferente, o que torna os mais diversos ambientes espaços de risco para ocorrência de incêndios.

Em Ourinhos, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil registram incêndios diariamente nessa época do ano e mantêm, junto com as brigadas de incêndio de todas as indústrias e empresas da cidade, esquemas de prontidão para o rápido combate nas eventuais situações de risco.

Não bastasse o clima propício, a população ainda tem que conviver com ações irresponsáveis de populares, que pioram a situação, seja para promover queimadas para limpeza de terrenos, de entulhos ou mesmo por pura imprudência.

Na noite da segunda-feira, 16/8, por volta das 18h00, em Ourinhos, um incêndio de grandes proporções em um ferro velho de Ourinhos, às margens da Rodovia Raposo Tavares, sentido Assis, mobilizou o Corpo de Bombeiros da cidade.

 

Incêndio em um ferro velho na noite da segunda-feira, 17/8

 

Segundo informações, no local, que funcionava um antigo matadouro, próximo de uma boate, foram queimadas algumas carcaças de veículo, além de dois ônibus.

 

As causas do fogo serão investigadas, felizmente não houve vitimas

 

A boate não foi atingida. Não houve vítimas. A polícia vai investigar os motivos do incêndio, que pode ser criminoso.

 

PROBLEMA RECORRENTE – No dia 13/7, houve um incêndio no Jardim Itaipava em Ourinhos, em uma área que estava cheia de paletes já antigos e produtos descartados, que, segundo moradores, é de propriedade da Injex. Ainda não se sabe se o incêndio foi criminoso ou acidental. Não houve vítimas, mas um dos vizinhos afirmou que se estivesse ventando, seria uma verdadeira tragédia. As chamas altas e a fumaça bastante escura chamaram a atenção de toda população. Brigada da Injex e Corpo de Bombeiros controlaram as chamas.

 

Jardim Itaipava – “se estivesse ventando seria uma verdadeira tragédia”

 

Na tarde da quarta-feira, 4/8, houve o registro de um grande incêndio no canavial nas proximidades da Usina São Luiz, entre Ourinhos e Santa Cruz do Rio Pardo: as chamas se espalharam e a fumaça foi tão intensa que atrapalhou a visibilidade dos motoristas que trafegavam nas rodovias Orlando Quagliato e Raposo Tavares. As brigadas de incêndio da Usina São Luiz trabalharam no combate ao fogo.

 

Grande incêndio no canavial nas proximidades da Usina São Luiz

 

No local, a reportagem do Negocião foi informada por um funcionário da USL, que se tratava de um incêndio criminoso. Internautas moradores dos bairros mais próximos acusam a usina e dizem que eles mesmos colocam fogo na cana.

Através das redes sociais a empresa informou: “Sabemos de todos os malefícios das queimadas nos canaviais. Por isso, desde 2010, a Usina São Luiz tem sua colheita feita de forma 100% crua. Desta forma, contribuímos para a redução da poluição atmosférica e o melhor aproveitamento da cana. A USL não compactua com queimadas!”.

 

Era tanta fumaça que deixou o céu da cidade escuro

 

No domingo, 8/8, um ‘fogaréu’ atingiu uma área grande próximo do Jardim Santos Dumont. O Corpo de Bombeiros trabalhou várias horas para controlar o fogo.

 

Incêndio de grandes proporções na noite do domingo, 8 de agosto

 

 

Na última terça-feira, 10/8, o fogo começou no estoque de uma loja na região central de Ourinhos; não houve vítimas, o Corpo de Bombeiros, com apoio do caminhão pipa da Superintendência de Água e Esgoto (SAE) do município, controlaram e extinguiram as chamas.

 

Incêndio no estoque da loja Cris Park no centro de Ourinhos

 

Sabe-se que uma simples garrafa jogada em um campo seco em um dia de muito calor pode criar uma mínima fagulha que se converterá em um grande incêndio – para esses casos o que resta fazer é a prevenção: evitar deixar ambientes com o potencial de ocorrência de incêndios espontâneos.

Por outro lado, a atitude culposa (sem intenção) é também um grande motivo para a formação de chamas: em resposta a um pedido de informação do Negocião, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente disse que “Em 2020, mais de 90% das 269 ocorrências de incêndios florestais tiveram como causa ações humanas que poderiam ter sido evitadas (…) a queda de balão, o uso irregular do fogo em atividades agropecuárias e o vandalismo estão entre os motivos que causam incêndios florestais em São Paulo, segundo dados do Painel Geoestatístico dos Incêndios Florestais em Unidades de Conservação e Áreas Protegidas publicado pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (…) em 2021, das 13 ocorrências registradas até agora, maior parte também está relacionada ao uso irregular do fogo”.

 

INCÊNDIOS INTENCIONAIS – O Jornal Negocião tem recebido denúncias que há munícipes que tem promovido atos incendiários às margens da linha férrea que corta a cidade, nos bairros do Jardim Ouro Verde, Vila Odilon e Nova Ourinhos. O hábito de usar do fogo para limpar terrenos ou controlar o crescimento de matagais também figura como causa de grande parte dos incêndios em zona urbana.

Uma das denúncias, de um munícipe do Jardim Ouro Verde, diz que um morador da Rua Cambará, que faz fundos com a linha do trem, coloca fogo todos os dias na altura do reforço escolar próximo a um colégio.

 

Denúncia de queimada criminosa no Jardim Ouro Verde

 

Vale lembrar que, quer seja para o incêndio intencional ou para aquele que acaba fugindo do controle do agente, a lei prevê penas que podem até incluir um tempo de cadeia para os responsáveis – o Código Penal afirma que “provocar incêndio em mata ou floresta: Pena – reclusão, de dois a quatro anos, e multa. Parágrafo único: Se o crime é culposo (sem intenção), a pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa.

 

DEFESA CIVIL – Todas as prefeituras têm um grupo de agentes que estão incumbidos de promover ações de prevenção de acidentes e de combate ‘in loco’ para o caso de tragédias – a equipe da Defesa Civil de Ourinhos, por exemplo, participou de um encontro de formação no último mês de junho com o objetivo de capacitação para as situações de ocorrências com fogo que já estavam previstas por conta dos relatórios meteorológicos que afirmavam o grande período de estiagem que atingiria a região nos meses de julho/agosto/setembro. O encontro, chamado de Oficina Preparatória para a Operação Estiagem, foi na cidade de Garça/SP.

 

Defesa Civil de Ourinhos participa de Oficina Preparatória para a Operação Estiagem

 

OPERAÇÃO CORTA FOGO – As prefeituras, conselhos de defesa civil e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, promoverão até outubro a “Operação Corta-Fogo”. A ideia é prevenir e combater incêndios florestais, alertar para possibilidade do aumento das queimadas. Segundo as orientações da Operação, o Instituto Nacional de Meteorologia, o INMET, mostra que o volume pluviométrico para a região sudeste continua abaixo da média para o período e que ainda teremos um período de temperaturas baixas e a falta de chuva.

 

A ideia é prevenir e combater incêndios florestais, alertar para possibilidade do aumento das queimadas

 

DANOS PARA A SAÚDE – O que agrava ainda mais o problema é que os meses de agosto e setembro é a época de final de colheita e início da aragem do solo para as mais diversas culturas agrícolas das fazendas da região, piorando a qualidade do ar. Somando-se a isso, a fumaça das queimadas acaba tornando a qualidade do ar um verdadeiro veneno para todas as pessoas, sobretudo os que já têm problemas respiratórios, isso sem citar as crianças, os idosos e os que estão com saúde fragilizada pelos mais diversos motivos.

 

Dr. Jadir P. Grillo, médico especialista em saúde da família

 

Dr. Jadir P. Grillo, médico especialista em saúde da família, afirmou ao Jornal Negocião que além da morte, que pode ser causada pelos incêndios, os riscos de queimaduras e o “cheiro de fumaça” que incomoda a todos, há dezenas de outros problemas que podem ser intensificados pela fumaça das queimadas: “podemos começar falando na piora do estado de saúde daquelas pessoas que já têm doenças pulmonares e daquelas que se recuperam de cirurgias ou de tratamentos contra os mais diversos tipos de câncer (…) há também o risco de enfisema pulmonar e da contaminação por elementos tóxicos presentes na fumaça (…) em pequenas quantidades, substâncias radioativas como o estrôncio 90 podem contaminar os humanos, a vegetação e até a água da chuva (…) o excesso de gás carbônico compromete o metabolismo e pode ser causa de doenças cardíacas (…) por fim, há também os problemas causados pela fuligem nas pessoas que são alérgicas”.

 

AGOSTO CINZA – Câmara aprova Projeto de Lei do vereador Anísio Felicetti que institui o movimento “Agosto Cinza” para conscientização da população sobre incêndios e queimadas ilegais.

O Projeto foi aprovado durante a 25ª Sessão, realizada segunda-feira (09). “O mês de agosto é considerado o mais crítico do ano quando o assunto é queimada. Baixa umidade do ar, aumento de ventos, temperaturas mais altas e a realidade de muitas chamadas para o Corpo de Bombeiros combater incêndios, que em grande parte são provocados por ações humanas”, ressaltou Anísio.

O Projeto de Lei estabelece que o Poder Executivo realize campanhas de conscientização, prevenção e combate aos incêndios e queimadas, por meio de ações nas áreas de Educação, Meio Ambiente e Saúde.

“As queimadas sem controle causam sérios prejuízos para a fauna e a flora. Com a redução da cobertura vegetal, diminui a fertilidade do solo, sem contar a questão do comprometimento da qualidade do ar, prejudicando a saúde e causando doenças respiratórias. Queimadas destroem a terra, s qualidade da água diminui, são prejuízos enormes aos animais. Infelizmente, as queimadas geralmente ocorrem de forma criminosa, fogo em terrenos baldios, em materiais inservíveis, nas margens das rodovias, causando perigo iminente de acidentes. Espero que ações efetivas de conscientização aconteçam”, finalizou o vereador.

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