domingo, 24 de maio de 2020

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“Uma ação de guerrilha dentro de um contexto de Segurança Pública”

Capitão Alysson fala sobre a ação da polícia militar contra os assaltantes e o papel fundamental das câmeras de segurança que evitaram uma tragédia

 

Letícia Azevedo

 

Após o assalto à agência bancária em Ourinhos, considerado o segundo maior da história do Estado de São Paulo, não só o poder de fogo e a ação minuciosa dos bandidos chamou a atenção. As diversas manifestações da população, questionando a conduta dos policiais militares envolvidos no roubo, também marcaram o ocorrido, principalmente sobre o que poderia ou não ter sido feito para “evitar” o roubo.

O Jornal Negocião entrevistou o Capitão da Polícia Militar, Denilson Alysson Corrêa a fim de colher maiores informações sobre a conduta dos PMS no dia do assalto. Cap. Alysson relatou que a manifestação contrária de alguns munícipes a respeito da Polícia impactou os militares “Eu acredito que os valores hoje estejam invertidos. Os criminosos vêm até a cidade, realizam um assalto usando técnicas de guerra e a população acha o máximo. Até uma música foi criada “homenageando” a ação, enaltecendo os bandidos. Onde está o cidadão de bem?” – questionou o capitão.

 

AÇÃO DE GUERRILHA – O militar esclareceu que o crime pode ser considerado uma ação de guerrilha. “Quando você se depara com um grupo grande, como o que realizou o assalto em Ourinhos, cerca de 40 criminosos, armados com fuzis, de calibre de alto impacto, pistolas de 9 mm, ou seja, pessoas que utilizavam paramentos militares, preparados para encarar o que chamamos de pré guerra convencional, é extremamente difícil confrontar com o efetivo e armamento que a polícia militar possui, que está preparada para atender questões de segurança pública, não para ações como esta”.

“Até uma música foi criada  “homenageando” a ação, enaltecendo os bandidos. Onde está o cidadão de bem?”, declarou o Capitão da Polícia Militar, Denilson Alysson Corrêa

 

De acordo com o Capitão, os assaltantes atiravam para o alto, fizeram reféns para causar o terror na população. “Isso é típico da técnica de guerrilha, e a polícia esteve em confronto direto com os assaltantes. Estivemos próximos, tentando conter as células que foram formadas por eles. Essas pessoas demoraram praticamente três horas para perpetuar esse roubo. Nós ficamos uma hora aguardando a chegada do reforço policial, vindo de cidades vizinhas, para tentar realizar a contenção e progredir num terreno já tomado pelos bandidos”.

 

PAPEL DA POLÍCIA “Pelo histórico de assaltos semelhantes no estado, bandidos demoraram menos de quarenta minutos para realizar o roubo. Aqui foi possível encontrar resistência, uma reação contundente. O posicionamento adotado pela PM, das Equipes da Força Tática, foi de 300 a 400 metros de distância da Instituição Bancária, o que dificultou a saída dos assaltantes. O que os munícipes precisam entender é que o nosso papel é servir e proteger, como realizamos. Não tivemos nenhum óbito, nem de civis e nem de policiais. A PM teve que realizar ações que inibissem um tiroteio, em uma área extremamente populosa, como o centro da cidade. Não é apenas atirar, sem pensar nas conseqüências.” – afirmou o militar.

 

AÇÃO COMPLEXA – O caso de Ourinhos chamou a atenção da polícia do Estado pelo uso de novos artefatos, como a utilização de um Drone. “Nós fomos muito elogiados por outras instituições que integram a polícia, como a ROTA, que esteve na cidade e vai desenvolver um estudo para que haja ações preventivas a novos casos. Não há registros do uso de Drones em assaltos, dentro do Estado de São Paulo, como foi utilizado aqui na nossa cidade. Tudo isso será pontuado, para a própria preparação da polícia, num possível caso futuro”.

Capitão Alysson enfatizou que a ação foi muito mais complexa do que a população pode imaginar. “As dinamites e bombas que foram deixadas em pontos específicos da cidade, não foram um cenário simples para a polícia. Nós tivemos que trabalhar pensando em diversos detalhes, e principalmente com a nossa responsabilidade em preservar vidas. A polícia pensa nos munícipes, o criminoso não. Não existe bandido bonzinho. Não há como um criminoso usar um civil como escudo humano e ele ser bonzinho, como pudemos observar diversas pessoas, nas redes sociais comentando: eles só vieram pra roubar. Os valores se inverteram? Quer dizer que os bandidos vêm até a sua cidade, sem medir esforços, praticam o crime, levam o dinheiro e colocam toda a população em risco, usando explosivos e armas de grosso calibre e ainda nos deparamos com comentários das pessoas dizendo que são bonzinhos? Realmente, é lamentável que as pessoas pensem assim” – finalizou.

 

SEGURANÇA PÚBLICA – As câmeras de monitoramento também foram alvo de questionamento, inclusive durante Sessão da Câmara Municipal. O vereador Flavinho do Açougue apontou o valor gasto para implementar o sistema de câmeras na cidade e questionando a sua eficácia. “Quantos milhões foram gastos com esse sistema de monitoramento? Ele não conseguiu impedir que a quadrilha viesse e levasse o dinheiro”.

“Eu critico a quem não confia nos órgãos de segurança, pois o resultado é o que acompanhamos, infelizmente”, declarou o Diretor Operacional da Secretaria de Segurança Pública, Cel. Wagner Soares

 

O Diretor Operacional da Secretaria de Segurança Pública, Cel. Wagner Soares, relatou que o Sistema de Monitoramento todos os dias dá um retorno positivo para a cidade. “Um furto, uma depredação em uma praça, a invasão de uma escola, um acidente de trânsito. Tudo isso é flagrado pelas câmeras e as imagens colaboram com as investigações, colaboram diretamente com as policias, civil e militar para a solução de diversos atos criminosos”.

 

SOBRE O ASSALTO – Cel. Wagner relatou que os órgãos de segurança da cidade, como a polícia militar, polícia civil e secretaria de segurança pública não tinham conhecimento de que a instituição bancária invadida abrigava anexo a agência o SERET (Setor de Retaguarda e Tesouraria), setor mantido e coordenado pelo CENOP (Centro de Apoio aos Negócios e Operações de Logística), que tem a responsabilidade de guardar o dinheiro em espécie que é distribuído para as demais agências bancárias da região.

Segundo o diretor, a ciência desses órgãos quanto a grande quantia de dinheiro dentro da instituição é de suma importância, a fim de evitar que o local fosse alvo de quadrilhas especializadas. “Como a polícia civil, militar, os órgãos de segurança vão se preparar para algo que elas não conhecem? Sim, para os órgãos de segurança pública de Ourinhos, não existia uma instituição que abrigava um numerário tão grande de valores. A polícia militar atende ao padrão de um roubo de caixa eletrônico, um roubo a banco comum. Ela sabe como agir, há um plano traçado para onde enviar as viaturas. Agora como se preparar para atender a uma ocorrência, envolvendo milhões de reais, se eles desconhecem que na cidade há um local que guarda esse volume tão alto de dinheiro? Eu critico a quem não confia nos órgãos de segurança, pois o resultado é o que acompanhamos, infelizmente” – afirmou.

Central de Videomonitoramento de Ourinhos

 

O Diretor Operacional parabenizou a ação dos militares envolvidos na ação “A Polícia agiu de forma rápida e sensata. Ela conteve a ocorrência, não deixando-a se expandir, evitando danos a vida. Os valores serão reavidos, mas se acaso houvesse ocorrido alguma morte, essas sim, não poderiam ser reavidas. O Estado tem todo o tempo do mundo para resolver esse caso. Não cabe ao município. Todos aqui em Ourinhos fizeram o seu trabalho, e estão de parabéns. Eles fizeram tudo o que puderam fazer com excelência. Muitas pessoas falaram, opinaram, inclusive o vereador em sessão. Mas é importante salientar que Segurança Pública a gente discute com quem entende, e não com quem não faz a mínima ideia do que está falando” – finalizou.

“Segurança Pública a gente discute com quem entende, e não com quem não faz a mínima ideia do que está falando”, desabafou Cel. Wagner

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