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terça, 22 de junho de 2021

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Artigo: “Entre tapas e beijos” sobre Felipe Chamorro

Diretor do Jornal Negocião relata a realidade vivida durante anos com o ex-secretário de Cultura e Comunicação, que faleceu na semana passada

 

Hernani Corrêa

 

Sempre fui um grande admirador de Felipe Chamorro como profissional de jornalismo. Principalmente, por não ter “papas na língua”, ser muito inteligente e ter facilidade de desenvolver seus textos.

Talvez, pelo meu conhecimento, o que tinha melhor formação acadêmica na cidade. Pelo que me recordo, ele fez doutorado em Jornalismo, mas não tenho certeza.

Sabia muito de legislação e, de vez em quando, eu consultava ele quando tinha dúvidas. Como sempre, muito solícito e solidário.

 

NOVO NEGOCIÃO – Lembro-me do tempo em que trabalhávamos juntos e criamos o Novo Negocião. Ele só aparecia na redação somente no dia de fechamento de edição.

Trazia um monte de papéis, rabiscos e anotações debaixo do braço e começava a escrever. E dali saíam ótimas notícias e reportagens. Sempre com o pitaco aguçado de um bom jornalista.

Eu reclamava sempre que ele nunca vinha com uma notícia boa da prefeitura. Ele retrucava: “sou adepto ao jornalismo frankfurteano, ‘o que a prefeitura faz é obrigação, o que ela não faz, é notícia’”.

E nunca ouvia o outro lado quando tecia suas críticas ou publicava as denúncias. Por isso, brigávamos muito.

Eu sabia, mesmo não tendo tanto conhecimento como ele de Jornalismo, que a ética profissional nos obrigava a procurar todos os envolvidos na matéria.

 

PROFETA – Quando ele começou conosco, o Classificados era nosso carro chefe. E o Notícias (Novo), era apenas um caderno dele.

E ele profetizava, em tom irônico para a Marcília, minha esposa, que sempre teve um grande xodó e cuidou com muito carinho dos Classificados do Negocião: “Daqui um tempo, o Classificado será um caderno do Novo”.

Ela ficava super irritada, mas foi o que acabou acontecendo anos depois. E a Marcília assumiu o jornalismo do Negocião com a mesma dedicação e talento que cuidava antes do Classificado.

 

PERSEGUIÇÃO – Chamorro fazia uma perseguição ferrenha a uma pessoa que sempre admirei e admiro até hoje em Ourinhos. E defendo com unhas e dentes, por fazer ótimos trabalhos voluntários em diversos seguimentos da sociedade ourinhense.

Eu não entendia o porquê da perseguição e isto foi o motivo do rompimento de nosso relacionamento profissional.

Porém, fiquei sabendo dessa mesma pessoa que, em seus últimos dias de vida, Chamorro pediu desculpas por tudo o que havia feito contra ela. E que acabou sendo desculpado: “fique em paz”, respondeu.

 

MIGALHAS – Depois, como secretário de Comunicação, vivíamos tendo atritos, pois nunca concordei com as gordas verbas que a prefeitura de Ourinhos distribuía a diversos veículos de comunicação da cidade.

Todos sabem que sempre combati isso, mesmo recebendo “migalhas” também. Sempre pensei que nós, veículos de comunicação, temos que sobreviver independentes de verbas públicas.

 

MAESTRIA – Mas admirava Chamorro pela sua capacidade de coordenar com muita maestria a equipe de grandes profissionais que colocou na Secretaria de Comunicação.

E também pela forma inteligente como nos respondia as questões em matérias polêmicas. Não perdia a oportunidade de “proteger e blindar” o prefeito e ainda fazer a maior propaganda dele.

 

ÚLTIMO DIÁLOGO – Em nossa última conversa, dias antes de seu falecimento, após ver apelos nas redes sociais a doadores de sangue para ele, eu fiquei preocupado pois sabia de seus problemas de saúde. Transcrevo a seguir:

[23:01, 18/05/2021] Hernani Corrêa: Estimo suas melhoras. Estamos em oração. Qdo puder, me conte o que houve com você.

[10:23, 19/05/2021] Felipe Chamorro: Bom dia. É o meu problema no fígado, tive uma piora mas já estou em tratamento.

[10:38, 19/05/2021] Hernani Corrêa: Continuamos em oração. Se precisar de qualquer coisa, não se acanhe, só falar. Menos dinheiro. Kkkkkk

[12:02, 19/05/2021] Felipe Chamorro: Kkkkkk. Pode deixar. Obrigado.

 

VALOR – O jornalismo ourinhense perde um grande valor. Com apenas 38 anos, Deus levou Chamorro.

Talvez para que possa continuar a escrever sua história com os exemplos e admiradores que deixou aqui embaixo. Eu fui um deles.

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