domingo, 29 de novembro de 2020

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Falecido no domingo, 26, Dr Curia foi delegado, historiador e artista

Conheça um pouco da trajetória de vida do Senhor Antonio José Romano Curia, publicada no livro “Ourinhos 100 anos – Novas Histórias de Ouro”, lançado em junho de 2019, comemorativo aos 100 anos da cidade.

 

Da redação

 

No último domingo, 24 de maio, faleceu em Ourinhos, aos 82 anos de idade, o Senhor Antonio José Romano Curia, natural de Longobucco, na Itália, que chegou ao Brasil com seus pais, aos sete meses de idade e junto de sua família, morou em algumas cidades do estado de São Paulo.

A seguir, segue um pouco da história de vida de Dr Curia, como era conhecido, reportada pelo Negocião no livro “Ourinhos 100 anos – Novas Histórias de Ouro”, lançado em junho de 2019, comemorativo aos 100 anos da cidade.

 

Dr Curia reunido com a família

 

CARREIRA POLICIAL – Bacharel em Direito, turma de 1963, na ITE, Bauru, iniciou a atividade de Delegado, em 1965. Por força da carreira, atuou em algumas cidades do estado até assumir o posto em Ourinhos em 1969, onde permanece até os dias atuais.

Aposentado há 30 anos, Antonio presenciou mudanças consideráveis na área, como alterações nas leis e desrespeito dos cidadãos ao interpretá-las. “Eu não poderia ser hoje o delegado que eu fui na época”, comenta o antigo delegado que atuou por 24 anos como servidor público.

ARTE – Paralelamente às atividades, Curia despontava e cultivava seu lado artístico, expressando suas intuições e sentimentos através de pinturas. “Comecei a pintar em 1967 com o estojo de pintura da minha primeira mulher”, lembra.

Ele afirma que, desde criança, sempre teve interesse e vocação para tal competência, sendo um entusiasta autodidata, sem compromisso com estilo ou técnicas e sem rotulação a movimentos. “Arte é um gesto de audácia, tem que ter muita coragem. O que eu faço é brincar com as tintas, sem compromisso, sem método, sem receios”, explica com descontração o artista de pintura a óleo sobre tela e materializador de ideia em artes plásticas.

 

“Toda obra que é executada é marcante. Cada obra é um momento. Sinto orgulho de cada obra, porque eu faço o que eu gosto, faço o que eu sinto”

 

Deixado a instituição da polícia civil, Antonio optou por continuar vivendo em Ourinhos e dedicar-se inteiramente ao seu maior prazer, que é praticar a arte. Entre inúmeras exposições coletivas e individuais em Ourinhos e no Brasil, reinaugurou o Espaço Cultural do TUCA, em São Paulo, exibiu suas obras na Academia de Polícia da cidade universitária e auxiliou o lançamento do Espaço Cultural Antonio José Curia, na Fatec de Ourinhos.

Entre os agradecimentos aos apoiares dessa expressão, Curia aponta o professor Francisco Cláudio Granja: “Tenho muito a agradecê-lo, pois, sempre me orientou na minha vida artística com conselhos, incentivos e críticas construtivas sobre minhas obras”.

RECONHECIMENTO – Com arte espalhada por todo o Brasil, em Ourinhos, suas pinturas e esculturas podem ser apreciadas na Prefeitura, instituições de ensino públicas e privadas, museus de faculdades, clínicas médicas e interiores de casas da cidade.

Como resultado da vida artística, Antonio faz parte da fundação da Academia de Ciências, Letras e Artes dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, em 1987, compondo a cadeira vitalícia de número 28.

Questionado sobre a obra mais inesquecível em sua trajetória artística, Curia é enfático: “Toda obra que é executada é marcante. Cada obra é um momento. Sinto orgulho de cada obra, porque eu faço o que eu gosto, faço o que eu sinto”.

Ao longo de suas carreiras, o delegado e artista recebeu o Título de Cidadão Honorário de Ourinhos, em 1981. Também, nos anos 80, Curia foi premiado com duas comendas no âmbito artístico, do Instituto geográfico e geológico e a Comenda Papal da Ordem de São Gregório Magno.

FAMÍLIA – Dividindo mais de 30 anos ao lado de Therezinha Queiroz (im memoriam), Antonio só tem a agradecer pelo apoio da aliada. “Ela foi minha companheira inseparável e maior incentivadora“, recorda com ternura.

 

Com Therezinha, com quem viveu por mais de 30 anos

 

Em Ourinhos, criou os filhos Marco Antonio, Mauro Sérgio, Paulo Roberto e Luciana, também hoje, curte os netos Julia, Bruno, Gustavo e o mais novo sucessor da linhagem que está a caminho.

 

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