domingo, 29 de novembro de 2020

MAX. º MIM. º
TEMPO:

Médico Dr Paulo Ferreirinha fala sobre o coronavírus em Ourinhos

“Ourinhos e nenhuma cidade do Brasil tem estrutura para atender, caso se atinja o pico da pandemia”

 

Marcília Estefani

 

Em entrevista exclusiva, Dr. Paulo César Ferreirinha esclarece pontos de como Ourinhos se encontra e poderá chegar no quadro atual da pandemia do novo Coronavírus.

Segundo o médico, que também é vice-prefieto da cidade e acompanha a Equipe Técnica de Enfrentamento do Coronavírus em Ourinhos, no Brasil a situação da pandemia não é pior devido ao isolamento social, que foi antecipado em duas semanas, sendo de fundamental importância para o controle da disseminação da doença.

“De acordo com estudos, é ainda possível que o Brasil tenha um pico da doença, e até a nossa região, por isso é necessário que as pessoas respeitem a quarentena, cada um precisa fazer a sua parte quanto cidadão, pensando também no próximo”, disse o profissional.

TESTES RÁPIDOS – Dr Ferreirinha esclareceu que os testes rápidos têm ajudado muito na confirmação de casos de coronavírus, mas que existe um protocolo para seu uso. “Primeiramente, a pessoa tem que apresentar alguns sintomas de gripe, a síndrome gripal, que são febre, tosse, coriza, congestão nasal, dor no corpo. Durante atendimento médico será feita uma avaliação e questionado sobre o início dos sintomas. É importante frisar que os testes rápidos devem ser usados após do 7º dia de contágio. Caso contrário vai dar negativo e vai dar uma falsa impressão de que o paciente não está contaminado, e na verdade ele está desenvolvendo ainda o anticorpo para positivar a partir do 7º dia. É a chamada janela imunológica, quando o paciente ainda não tem o número de anticorpos suficientes para positivar o exame, por isso não é usado para todas as pessoas suspeitas, tem que ter esse tempo de espera”.

O médico afirmou ainda que a eficácia dos testes é quase 100%. “Existe falha, tem os falsos negativos, que podem acontecer, mas a eficácia é grande. Mesmo dando positivo é colhido material para se fazer os exames que são enviados a São Paulo, que aí sim tem 100% de garantia em seus resultados”.

Segundo o médico, a previsão é de convivermos ainda durante meses com o vírus, mesmo com o final da quarentena

MONITORAMENTO DE PACIENTES – Após a avaliação do paciente, os que têm sintomas mais leves, são orientados a cumprirem isolamento em suas residências, e são monitorados diariamente pela equipe de saúde. “É feito um monitoramento diário pra saber se não precisa intervenção da equipe médica, se for necessário o paciente volta para nova avaliação médica para saber se é preciso ser hospitalizado, principalmente aqueles que têm alguma comorbidade, que são diabéticos, hipertensos, que têm doenças crônicas”, conta o médico.

CASOS CURADOS – Muito se questiona sobre os casos de pessoas curadas e sobre a divulgação deles. Segundo a prefeitura, esses dados só serão divulgados quando a saúde considerar a alta definitiva, porque depois de internado, o paciente fica em isolamento social por 14 dias, e a “alta” vai ocorrer apenas quando o período de isolamento for cumprido e o paciente não apresentar mais nenhum sintoma e estiver 100% recuperado. Por isso ainda não são mencionados nos boletins informativos, mas Dr Paulo afirma que eles existem. “Existem sim, em Ourinhos temos ainda vários a confirmar, que estão aguardando exame de São Paulo, mas que já passaram o tempo de isolamento de 14 dias e já estão bem. Inclusive casos de pessoas que foram internadas e até estiveram na UTI, e já se recuperaram”, garantiu Dr. Ferreirinha.

ESTRUTURA DE SAÚDE DEFICIENTE – Questionado sobre a estrutura de saúde da cidade, no caso de um aumento grande de casos, Dr Paulo afirma que não só em Ourinhos, mas no Brasil, não há um sistema de saúde apto a enfrentar a pandemia. “Se tivermos um grande número de casos de infectados e casos graves, não só em Ourinhos, mas em todo o local do Brasil não temos estrutura e suporte, essa é a maior preocupação, se houver realmente um ‘boom’ dessa doença o sistema público não vai comportar. Não tem número de leitos simples e nem de UTI para colocar essas pessoas. Todo esse cuidado que estamos tendo é pra se evitar chegar numa situação como a Itália por exemplo, de ter dois, três pacientes e um leito. Nossa cidade atende 13 municípios da região, temos 10 leitos específicos para coronavírus. As outras doenças continuam acontecendo, pacientes infartados, diabéticos descompensados, pacientes com problemas respiratórios, as doenças continuam acontecendo, cirurgias de emergência continuam acontecendo, acidentados continuam sendo atendidos, e precisam leitos para essas pessoas, tanto simples quanto de UTI”.

O sistema público de saúde possui hoje especificamente para casos de coronavírus 10 leitos de UTI, 102 leitos simples e o hotel que foi repaginado e transformado em hospital, a Central Covid-19, que irá acomodar mais 56 pacientes e tem ainda com 4 leitos de UTI para  estabilização de pessoas que vierem a apresentar piora do quadro de saúde e precisarem ser transferidas para a UTI da  Santa Casa.

ABERTURA DO COMÉRCIO – Na prática, segundo o médico, a abertura do comércio requer muito cuidado e alto controle, mesmo após o término da quarentena. “O medo é abrir o comércio e as pessoas saírem pra passear, e acharem que tudo já passou. Se descuidar do isolamento, das medidas já estabelecidas, corremos um risco muito grande. Vai chegar um momento que o comércio vai reabrir novamente seguindo critérios rigorosos, é o momento de todo mundo se dedicar e contribuir de uma forma que não se perca o controle. Mesmo com o término da quarentena as pessoas vão ter que se adequar, quem vai abrir, quantas pessoas vão atender. O momento, a previsão é de convivermos ainda durante meses com o vírus e a gente espera saber conduzir bem, e que as pessoas cumpram a sua parte como cidadãos cumprindo as regras, as determinações que são importantes para que as coisas não degringolem como nos outros países”, finalizou.

 

© 1990 - 2019 Jornal Negocião - Seu melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.