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segunda, 20 de setembro de 2021

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Ourinhos tem presídio que é referência na ressocialização de detentos

Centro de Ressocialização de Ourinhos tem foco no trabalho e na educação.

 

Alexandre Mansinho

 

Na última terça-feira, dia 31 de agosto, uma equipe de reportagem do Jornal Negocião foi recebida na unidade prisional de Ourinhos do Centro de Ressocialização – CR, e entrevistou diversas pessoas que vivem o cotidiano do projeto da Secretaria de Administração Penitenciária/SP que pode ser considerado referência para o trabalho com indivíduos apenados por todo o Brasil.

O que a equipe registrou, desde o portão de entrada até o pátio, é uma realidade muito diferente da imensa maioria dos presídios do país: poucos detentos, todos exercendo alguma atividade; fazendo desde trabalhos externos com empresas parceiras até obras de reforma na própria unidade, e 100% da população de 140 apenados matriculados em cursos profissionalizantes, incluindo também o ensino regular. O ambiente, se não fossem as grades, cadeados, detectores de metais e a postura séria dos funcionários, lembraria muito mais uma escola técnica do que um presídio.

 

Unidade prisional de Ourinhos do Centro de Ressocialização – CR

 

No entanto, nem sempre foi assim. Antes do Governo do Estado de São Paulo iniciar a reestruturação das unidades prisionais, no início dos anos 2000, o espaço onde hoje é o CR já foi uma temível cadeia pública.

Eu sou bastante antigo aqui, moro há 30 anos nesse mesmo lugar e posso falar “de conhecimento de causa” (…) quando era a cadeia pública, ninguém tinha paz nesse lugar, já houve rebeliões e fugas (…) hoje é tudo calmo e silencioso, tem gente que mora aqui já faz tempo e nem sabe que aqui é um presídio”, diz A.A.L.S, 72 anos, morador das proximidades do CR. Hoje os detentos dividem lugar com um orquidário, vários espaços usados para os cursos profissionalizantes e uma horta com grande variedade de verduras.

 

Dra. Adriana Silene Logerfo Puglerino é diretora da instituição

 

Segundo a Dra. Adriana Silene Logerfo Puglerino, diretora da instituição, os C.R. surgiram como uma alternativa para oferecer aos detentos que não têm relações com o crime organizado, não têm condenações superiores a 10 anos e queiram retornar aos estudos, uma nova chance de, através do trabalho e empenho, voltarem com uma postura diferente para a sociedade após o cumprimento da pena: “trabalho no sistema prisional há mais de 20 anos e posso dizer que a maioria da população quer que as pessoas que cometem erros sejam punidas, mas não se preocupam com as condições nas quais esses egressos do sistema vão voltar para o convívio da sociedade (…) aqui nós nos esforçamos para dar a essas pessoas oportunidades de retomarem suas vidas em melhores condições, para não voltarem a cometer delitos”, afirma Dra. Adriana.

 

Agente penitenciário Alcebíades Gomes Júnior é responsável pelo Núcleo de Trabalho e Educação do CR Ourinhos

 

Para o agente penitenciário Alcebíades Gomes Júnior, responsável pelo Núcleo de Trabalho e Educação do CR Ourinhos, uma das suas maiores alegrias é encontrar um ex-detento já no convívio social, trabalhando honestamente, ou em companhia da família.

 

Os apenados também cuidam da horta existente no local

 

Não é raro que eles me chamem e me apresentem esposa e filhos, isso me deixa bastante feliz”. O agente afirma que as matrículas para o ensino regular e para os cursos profissionalizantes são disputadas: “eu tenho a responsabilidade de conversar com cada interno e divulgar as oportunidades assim que elas aparecem (…) uma das condições para o reeducando ficar aqui é estar disponível para estudar e participar de todas as atividades, caso isso não aconteça, o reeducando é mandado de volta para outras unidades prisionais”.

 

Orquidário cuidados pelos detentos

 

CONDIÇÕES PARA CUMPRIR PENA NOS ‘C.R.’s – A diretora Dra. Adriana e o agente penitenciário Alcebíades Gomes explicaram que, além da análise do passado criminal do reeducando e do tempo e tipo de pena que ele está cumprindo, há também uma entrevista na qual eles são muito claros quanto às condições de permanência na unidade: “não pode ter falta disciplinar e nem se recusar a estudar”, afirmam. “Há inclusive um caso de um reeducando que entrou aqui analfabeto, mas acolheu todas as oportunidades oferecidas e saiu com o Ensino Médio completo além de diversos cursos de capacitação profissional”.

 

Valdir Fogaça de Lima é reeducando do C.R. Ourinhos

 

Valdir Fogaça de Lima, reeducando do C.R. Ourinhos, diz que se sente mais tranquilo para quando chegar o dia de sua soltura: “eu aprontei muito, mas hoje tenho consciência de que preciso tomar decisões melhores na minha vida – para mim e para minha família”. Segundo Valdir, que já passou por outras unidades prisionais, o Centro é um lugar que oferece alternativas que serão a diferença no mercado de trabalho: “aqui os agentes e a diretora chamam a todos pelo nome, acompanham nossos aprendizados e estão sempre nos informando sobre cursos para aprendermos mais”.

 

Pelo CR já passou um reeducando que entrou analfabeto e saiu com o ensino médio completo

 

A unidade já ofereceu cursos de traçador de caldeiraria, pedreiro, eletricista, encanador, azulejista, revestimentos, pintor, hidráulica, jardinagem e os cursos de Educação Básica. Por conta da pandemia, houve a suspensão desses trabalhos, mas já há planos de retomada e de realização de novas parcerias com empresas a fim de continuar a oferta.

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