quarta, 12 de agosto de 2020

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Policial aposentado que matou casal na madrugada de sábado vai responder processo em liberdade

A audiência de custódia aconteceu virtualmente na tarde do domingo, 19. Washington passou menos de 24 horas no presídio militar Romão Gomes, em São Paulo.

 

Marcília Estefani

 

Washington Luís Sá Freire Paulino, 55 anos, morador da cidade de Marília, policial da reserva, acusado de duplo homicídio qualificado por motivo fútil, na madrugada do sábado, 18, teve sua liberdade provisória decretada após audiência de custódia realizada virtualmente devido à pandemia, na tarde do domingo.

O crime aconteceu na chácara Recanto do Paranapanema, localizada no Jd Itamaraty em Ourinhos, onde o autor desferiu vários tiros contra o casal Júlio Barbosa, 40 anos, e Aline Aparecida Balbino, 31 anos, também moradores da cidade de Marília. Ele alega legítima defesa.

O advogado que representa o policial, Claudio Márcio da Cruz Marvulle, alegou que ele não oferece nenhum risco à sociedade e nem ao andamento do processo. Washington passou menos de 24 horas no presídio militar Romão Gomes, em São Paulo.

Pesou na decisão, para que ele responda em liberdade, o fato de ter se apresentado após o crime e entregue a arma à polícia.

O também pedreiro Aparecido Barbosa, irmão de Júlio Barbosa, morto com três tiros, disse que a família foi surpreendida pela notícia. Em entrevista a uma emissora de TV da região, ele afirmou que não acredita que o irmão tenha atacado o policial sem motivo.

“Tem que ser apurado, porque tem muitas contradições. Pra gente, uma coisa muito estranha é que dizem que uma faca foi encontrada com o cabo na mão direta dele. Mas meu irmão era canhoto”, disse.

Os corpos de Júlio e Aline foram sepultados neste domingo. Segundo familiares, eles tinham a intenção de permanecer na chácara de Washington, após a reforma, trabalhando como caseiros.

Relembre os fatos – O policial é proprietário da Chácara Recanto do Paranapanema, localizada no Jd Itamaraty em Ourinhos, e há alguns dias, trouxe de Marília o pedreiro Júlio Barbosa, com intenção de realizar reformas no local. Após alguns dias, o pedreiro trouxe sua amásia, Aline, para ficar consigo na chácara.

Na noite da sexta-feira, 17, os três estiveram em um churrasco na chácara do sobrinho de Washington. Em determinado momento, houve uma discussão entre o casal, e depois Júlio teria se voltado contra o policial.

Logo o casal se recolheu ao seu quarto, enquanto o acusado continuou no quintal. Ao adentrar no imóvel, e se dirigir para seu dormitório, teria visto Julio vindo em sua direção com uma faca na mão, momento em que desferiu um tiro com seu revolver de calibre 38, que teria atingido o braço de Júlio, momento em que entraram em luta corporal, caindo no colchão do quarto, tendo o policial desferido mais dois disparos contra o tórax de Júlio.

 

Imagem – TV San

Aline, que também estava no colchão, teria se levantado e investido na direção do homem com outra faca na mão, sendo atingida por três disparos e caindo no colchão.

O indiciado afirmou ter tentado acionar socorro, porém sem êxito, por falta de sinal de celular no local. Por isso, trancou a casa, foi até a residência de seu sobrinho e ambos seguiram ao 31º BPMI, onde entregou sua arma e relatou o ocorrido, apresentando inclusive foto das vítimas.

DIVERGÊNCIAS – Após o relato, Washington acompanhou a equipe policial até o local dos fatos, abriu a casa, onde os corpos foram encontrados no quarto citado. Porém o corpo de Aline estava em posição diversa da foto apresentada anteriormente, onde aparecia com uma faca ao seu lado. Ela foi encontrada pelos policiais em posição fetal, lateral, com as costas poiadas na parede e a faca entre seu corpo e a parede.

A equipe plantonista compareceu ao local com a equipe de perícias criminalísticas de Ourinhos, e constataram que a posição da mulher foi modificada em relação à primeira foto.

Apesar da aglomeração de objetos e sacos de roupa no local, não havia sinais de luta corporal no quarto, nem em outras partes da casa.

No quarto que supostamente seria o de Washington, foi encontrado uma cápsula de calibre 38 no chão. Os talheres velhos que estavam na pia da cozinha em mau estado de conservação, também chamaram atenção, pela diferença das facas encontradas com as vítimas – armas brancas, típicas de colecionador, em estado de pouco uso, e não de uso rotineiro.

O sobrinho do indiciado, Alisson Gouveia Paulino, prestou esclarecimentos no plantão, informando que seu tio e o casal estavam pernoitando em sua chácara enquanto havia obras na chácara de Washington, que participou do churrasco, mas se ausentou antes dos fatos, apenas informando que só ouviu gritaria do casal dentro da casa, sem se recordar exatamente o que diziam, não tendo visto nenhum embate contra o tio.

AUTORIDADE POLICIAL – Diante das precárias versões apresentadas (face a ausência de testemunhas) e exame do local dos fatos, o delegado Dr Valdir Alves de Oliveira, ratificou a voz de prisão em flagrante de Washington, sendo o mesmo indiciado e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, após ter sido submetido à exame de corpo de delito no qual o médico legista informou que ele não apresenta lesões corporais visíveis que comprovem o histórico alegado por ele.

O caso deve ter desdobramentos nos próximos dias. Laudos da perícia, nos corpos e também no local do crime, podem trazer novas revelações.

 

(Com informações de Carlos Rodrigues pelo Marília Notícias)

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