segunda, 9 de março de 2026
Publicado em 09 ago 2021 - 11:24:00
Nos últimos meses, tanto nas delegacias do Norte Pioneiro do Paraná como no Sudoeste Paulista, os registros de crime de “estelionato on-line” aumentaram com a pandemia
Alexandre Mansinho
Sábado, dia 24 de julho de 2021, Dona Mercedes*, 72 anos (nome fictício) foi a uma agência bancária na região central da cidade de Ourinhos/SP e, nas proximidades do caixa eletrônico, encontrou um homem trajando roupa social, de fala tranquila e sorriso no rosto: “eu pensei que era um funcionário do banco, só depois que me dei conta (…) poxa, era sábado, de sábado ninguém trabalha no banco (…) como eu fui burra”. O homem ajudou Dona Mercedes em uma transação, ela precisou sacar R$ 500,00 de uma conta poupança: “na segunda eu voltei na agência, precisei sacar mais R$ 100,00 (…) mas a conta, que deveria ter mais de mil reais, estava zerada”. A idosa teve seu cartão clonado enquanto era “ajudada” pelo estranho: “foi aí que a ficha caiu, a vergonha foi tanta que eu nem fui fazer B.O. (…) poxa, sempre fui uma mulher ativa e independente, agora sou dessas que caem em golpes”. Segundo a vítima, nos dois dias depois dela ter sido abordada pelo provável golpista, foram realizadas várias compras por aplicativo usando o número do cartão.

Casos como o de Mercedes têm aumentado na mesma proporção que os meios eletrônicos de pagamento, recebimento e registro de negócios têm se diversificado: “as pessoas não estavam acostumadas com transações por meio de aplicativos de celular, a pandemia forçou todos a entrarem nesse mundo eletrônico e, por causa disso, os bandidos viram uma oportunidade de “reciclar” golpes antigos, como o do “bilhete premiado” por exemplo, e passar a aplicá-los com cara nova”, diz Dr. Pedro Telles, delegado da Polícia Civil de São Paulo. Segundo o delegado, as pessoas não dão atenção a medidas simples que poderiam livrá-las de problemas: “sabia que todos os bancos oferecem um cartão virtual, vinculado ao cartão de crédito ou de débito do cliente, que tem um número diferente do cartão físico e seu código de segurança muda toda a vez que o cliente usa? É uma forma de nunca digitar os dados bancários na internet (…) é um recurso que, embora seja gratuito, pouca gente usa”.

Nos últimos meses, tanto nas delegacias do Norte Pioneiro do Paraná como no Sudoeste Paulista, os registros de crime de “estelionato on-line” aumentaram com a pandemia e a necessidade de se realizar alguns serviços de forma virtual: “precisei atualizar um boleto que estava vencido, procurei o nome do banco no Google e o serviço de atendimento ao cliente (…) uma tal de Márcia Nogueira atendeu (…) ela pediu meus dados e enviou o boleto por meio de um aplicativo de troca de mensagens (…) paguei o boleto no mesmo dia, mas, cerca de uma semana depois, recebi uma ligação de cobrança do banco (…) descobri que o telefone que eu havia ligado nunca pertenceu àquela instituição bancária (…) a moça me atendeu perfeitamente”. Verônica* (nome fictício), a vítima do golpe, foi à Central de Polícia Judiciária registrar a ocorrência: “queria meu dinheiro de volta, mas, pelo jeito, esse já foi perdido”.
Ainda segundo o delegado Dr. Pedro Telles, é importante que a vítima registre o boletim de ocorrência: “nós, da Polícia Civil, estamos à disposição para orientar a população (…) a maior e melhor dica é antiga, mas ainda é muito válida – se estiver em dúvida sobre a legalidade do negócio, não faça nenhum pagamento (…) procure alguém com mais experiência ou até, em último caso, pode vir à delegacia que haverá sempre alguém para dar esclarecimentos”.

J.C. Novaes, especialista em segurança digital, disse que o brasileiro se informa muito por aplicativos de troca de mensagens e, segundo ele, esses são os meios usados para mais de 90% dos casos de estelionato: “estelionato é diferente de fraude digital, na fraude digital o criminoso instala um arquivo espião no celular ou no computador da vítima e “rouba” os dados (…) no caso do estelionato, a ação da vítima é ativa – ela é iludida ou enganada pelo estelionatário e acaba pagando por um bem ou serviço que nunca vai ser entregue ou realizado”. Ainda segundo Novaes, há sites especializados em denunciar esses crimes e oferecer para as pessoas orientações: “temos o www.e-farsas.com, www.boatos.org e o www.safernet.org.br (…) o problema é que o povo brasileiro é um pouco preguiçoso e resiste a confirmar as informações que recebe por meio de mensagens”.
REGRAS BÁSICAS DE PROTEÇÃO CONTRA GOLPES
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