sábado, 20 de junho de 2026
Publicado em 12 mar 2024 - 09:53:55
Duas vítimas aceitaram falar com o Negocião Digital sobre como foram enganadas por estelionatários e amargaram prejuízos que chegaram a 16 mil reais
Alexandre Mansinho
É possível afirmar que nunca houve um campo tão fértil para a criatividade dos golpistas quanto há no mundo tecnológico da atualidade: as mesmas facilidades eletrônicas que tornaram a vida das pessoas mais prática e permitiu pagamentos, transferências e compras com a rapidez de um clique também tornou possível para os bandidos ampliarem as formas de atacar suas vítimas. Não há lugar seguro no mundo virtual, o que resta para as pessoas é tomar precauções para não perder dinheiro.
Infelizmente, como a tecnologia avança mais a cada dia, é também crescente a quantidade de golpes novos ou “repaginados” que os usuários de aplicativos e redes eletrônicas estão expostos. Os cibercriminosos utilizam táticas engenhosas, exploram as vulnerabilidades dos usuários na busca por informações sensíveis ou ações que comprometam a segurança individual e organizacional. Conhecer as formas mais comuns desses golpes é crucial para prevenção.

Golpes antigos, mas que ainda fazem muitas vítimas — Por meio da engenharia social, ou seja, a pesquisa da vida de uma pessoa pelos seus perfis nas redes, criminosos entram em contato com as vítimas por telefone, passando-se por parentes ou amigos para obter ganho financeiro. Há também a fórmula que os estelionatários usam de oferecerem vantagens “irresistíveis” prometendo vender produtos diversos, desde carros até casas, por preços muito mais baixos que os praticados no mercado.
A FALSA CENTRAL TELEFÔNICA — Carla* (nome fictício) é professora de uma conhecida escola particular ourinhense, para o Negocião Digital ela afirmou que se considera uma pessoa esclarecida, mas, no início do mês de fevereiro ela procurou a Central de Polícia Judiciária (CPJ) para fazer registro de um crime no qual havia sido vítima: “eu estava no meu trabalho e recebi uma ligação de um telefone 0800, deixei o que estava fazendo e fui atender no banheiro porque estava no meio de uma aula (…) quem falou comigo era uma gravação, muito parecida com as gravações de central de atendimento de bancos (…) a gravação falou que havia sido feita uma movimentação atípica na minha conta e que, se eu aguardasse na linha, um atendente iria conversar comigo dando mais detalhes (…) olha, era tudo muito parecido com o que os bancos de verdade fazem, musiquinhas de fundo, tudo (…) envolvida na conversa do “atendente” eu acabei dando dados sigilosos para ele, sem perceber na hora (…) recebi códigos, repassei códigos, no fim eu, achando que havia acabado de me livrar de uma dor de cabeça, acabei arrumando outra (…) o falso operador, enquanto conduzia a conversa, transferiu 16 mil reais que eu tinha na conta para uma conta de um desconhecido (…) eu fiquei sem acesso ao aplicativo do banco, acho que ele acabou usando os dados para entrar no aplicativo se passando por mim”.

Carla até agora não entende como que o golpista conseguiu passar pelas barreiras de segurança que existem no aplicativo e, com bastante vergonha, acabou admitindo que foi descuidada: “eu acabei me deixando enganar por toda aquela dinâmica, pela forma de falar do atendente, que era bem articulado e usava os termos bancários corretamente”, completa.
FALSO BOLETO ELETRÔNICO — Esse golpe foi “repaginado” pelos golpistas logo que surgiu o serviço que os bancos oferecem pelos aplicativos de celular, o DDA (Débito Direto Autorizado). Antigamente as pessoas recebiam por e-mail um boleto falso, com um valor qualquer, junto com uma história: era uma conta de luz atrasada ou uma taxa que não havia sido paga. Com o DDA este golpe ficou mais fácil para os bandidos, basta que esse indivíduo tenha o número do CPF de uma pessoa, coisa que pode ser obtida com muita facilidade pelo Diário Oficial, por exemplo, criar uma empresa com um CNPJ e emitir um boleto.
Automaticamente esse boleto é registrado no Banco Central e fica disponível para ser pago pelo aplicativo do banco que a pessoa tem conta.
Antônio* (nome fictício) é dono de uma pizzaria também no município de Ourinhos, ele encontrou a reportagem do Negocião enquanto estava na delegacia para fazer o boletim de ocorrência e aceitou dar detalhes do seu caso: “me sinto um burro, eu tenho o aplicativo do banco instalado no meu celular e sempre que aparece o boleto na aba do DDA eu pago o mais rápido possível, dependo de fornecedores e os boletos têm que ser quitados em dia (…) acontece que, no meio dos meus boletos legítimos, apareceu um de R$ 76,50 de uma empresa chamada Atlântica Distribuidora (…) eu pensei que fosse de algum dos meus fornecedores, porque às vezes o nome da empresa é diferente na nota fiscal ou até no boleto (…) acontece que eu estou pagando esse dinheiro há alguns meses e, só recentemente fui procurar saber que empresa era essa (…) como o valor era pequeno, não chamou a atenção, mas era golpe, a empresa não existe e nunca fornaceu nada para mim”, lamenta.
No site do Banco do Brasil, na aba ‘segurança’, há informações atualizadas sobre os golpes que têm surgido na internet e também é possível pesquisar pelo próprio Google quando houver um contato estranho por parte de empresas que despertem desconfiança. Na dúvida, não dê atenção às ligações das “centrais telefônicas” e também não pague os boletos, se for um contato legítimo, ou uma dívida legítima, a empresa irá usar outros meios mais confiáveis para contato.
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