domingo, 31 de agosto de 2025

Irmãs são presas em Marília acusadas de matarem aposentado de 60 anos e abandonarem o corpo no centro da cidade

Publicado em 11 nov 2022 - 19:14:58

           

Imagens de câmeras mostram as duas mulheres arrastando o saco com o corpo da vítima. Elas tiveram prisão decretada

 

Da redação

 

As irmãs Wania Santos Silveira, de 52 anos, e Andrea Santos Silveira de Sousa, de 49 anos, suspeitas de matarem o aposentado Donizeti Rosa, de 60 anos, em Marília, tiveram as prisões temporárias decretadas pela Justiça na tarde da quinta-feira, 10/11. O corpo da vítima foi abandonado dentro de sacos plásticos no centro da cidade. Câmeras de monitoramento flagraram as duas arrastando o corpo pela rua.

 

Imagem Alycir Netto – Marília Notícias

 

O corpo do aposentado foi encontrado próximo ao cruzamento das ruas Prudente de Moraes e Quatro de Abril, no centro de Marília. Por volta das 11h00 da quarta-feira, 9/11. A Polícia Militar, Civil e perícia foram acionadas até o local e foi necessário interditar o trecho. A vítima apresentava sinais de violência, inclusive de tortura, e pelo forte odor que exalava, devia ter morrido a cerca de 10 dias, pois estava em avançado estado de putrefação.

Imagens de circuitos de segurança instaladas pelo local onde tudo aconteceu foram fundamentais para que a equipe da DIG de Marília identificasse as possíveis criminosas. Segundo entrevista do delegado Luís Marcelo Perpétuo Sampaio, responsável pelo caso, antes de arrastarem o corpo pela rua, elas tentaram colocá-lo em um automóvel, supostamente de um motorista de aplicativo, mas, de acordo com as filmagens, ele teria se recusado a ajudar e deixou o local. O motorista já foi identificado e a polícia quer saber se ele percebeu ou não do que se tratava.

 

 

As suspeitas foram localizadas na manhã da quinta-feira, 10, através de um outro chamado recebido pela polícia, de um suposto roubo, e que duas mulheres seriam as vítimas. “Quando chegaram ao local acabaram desconfiando que elas poderiam ser as suspeitas e pelas imagens dos vídeos foi confirmado o envolvimento delas”, afirma o delegado.

 

ENVOLVIMENTO DAS AUTORAS E A VÍTIMA – Ainda de acordo com as investigações, Donizete Rosa morava com as duas mulheres que seriam suas cuidadoras, num apartamento do edifício Center Franco, bem próximo de onde o corpo foi encontrado, um edifício com poucos moradores. Provavelmente ele foi morto dentro de seu apartamento.

 

 

Em depoimento inicial, apesar das imagens capturadas, as mulheres negaram o crime, mas os policiais encontraram nas bolsas delas fita adesiva semelhante à que estava envolta ao corpo e luvas.

No apartamento em que o aposentado morava, a DIG encontrou sinais de sangue, mas não localizou objetos que teriam sido utilizados no crime. Também não se tem ainda um resultado oficial sobre a causa da morte.

“O que aconteceu lá, se elas não confirmarem para a gente, vai ter que aguardar o laudo necroscópico mesmo”, disse o delegado.

 

INVESTIGAÇÕES – Em coletiva de imprensa na manhã da quinta-feira, o delegado informou também que moradores vinham sentindo a falta de Donizete, e que eles relataram ter presenciado várias brigas entre o idoso e as mulheres.

“Ele tinha debilidades, mas o pessoal do prédio já fazia tempo que não o via. O pessoal do comércio que o conhecia assistiu várias brigas entre elas e a vítima. Discussões eram rotineiras no local, mas como eu disse, agora vai depender de uma série de exames, não é rápido. Contudo, acreditamos que o caso está esclarecido”.

As investigações identificaram ainda a existência de empréstimos consignados já debitados em nome do aposentado, no valor de R$ 25.000,00.

 

PRISÃO DECRETADA – As irmãs Wania e Andrea tiveram as prisões temporárias com prazo de 30 dias decretadas na tarde da quinta-feira, 10, e permanecerão presas, podendo o período ser estendido para mais 30 dias. Ao final do prazo, a Polícia Civil também pode pedir a prisão preventiva das suspeitas.

As irmãs passaram a noite na carceragem da Polícia Civil na CPJ de Marília, sendo encaminhadas na manhã da sexta-feira, 11, para uma unidade prisional da região.

 

NOVAS DESCOBERTAS – De acordo com matéria publicada pelo portal Marília Notícias, as irmãs tinham uma ordem de despejo para desocuparem o apartamento do edifício Center Franco onde moravam com a vítima.

De acordo com a sentença da juíza Ângela Martinez Heinrich, expedida no dia 18 de outubro, era procedente o pedido de despejo contra as elas, que tinham o prazo de 15 dias para desocupação voluntária do imóvel.

Além do despejo, elas foram sentenciadas ao pagamento dos aluguéis atrasados e encargos do contrato, no valor de R$ 26.947,76, acrescidos de juros de mora a partir da citação e correção monetária com o ajuizamento da ação.

As irmãs também foram condenadas a quitarem os valores vencidos após o ajuizamento da ação de despejo, até a efetiva desocupação do imóvel. Elas também teriam que arcar com custas e despesas processuais, além de honorários advocatícios, fixado em 10% sobre o valor da condenação.

Segundo a ação de despejo, o contrato de aluguel teve início em junho de 2017, no valor de R$ 769,32. Contudo, desde setembro de 2019, as duas não estariam honrando com o pagamento.

O valor cobrado de aluguéis chama a atenção, já que a Polícia Civil afirmou que teria encontrado extratos de empréstimos – somados em R$ 25 mil – em nome da vítima. O valor estava sendo descontado da aposentadoria do idoso.

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