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sexta, 19 de agosto de 2022

Morre suspeito de furto atropelado por padre em Santa Cruz do Rio Pardo

Ângelo Marcos dos Santos Nogueira foi atropelado em maio após suposto furto contra a casa paroquial e estava internado na Santa Casa do município

 

Da redação

 

Morreu na manhã desta quarta-feira, 27 de julho, o suspeito de furto na casa paroquial que foi atropelado pelo padre Gustavo Trindade dos Santos, em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), no último dia 7 de maio.

Ângelo Marcos dos Santos Nogueira estava internado na Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo e apresentava sequelas como perda de massa muscular, dificuldade para comunicação, necessidade de uso de fraldas.

Ele chegou a ser hospitalizado em outras ocasiões, inclusive em Ourinhos (SP), mas teve alta médica para tratamento domiciliar. Nas últimas semanas, contudo, foi necessária uma nova internação.

 

 

No dia 17 de junho, o Ministério Público ofereceu denúncia contra o padre por tentativa de homicídio, qualificado pela “utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima”.

A qualificadora se configura, segundo o promotor Reginaldo Garcia, porque a vítima foi atingida sem que “pudesse supor ou esperar semelhante atitude”, ou seja, de surpresa.

Com a morte de Ângelo, segundo o delegado Valdir de Oliveira, que investigou o caso, novas perícias devem ser realizadas para esclarecer se o óbito está diretamente relacionado com o atropelamento.

Caso isso fique comprovado, o caso pode passar a ser tratado como homicídio e não tentativa de homicídio.

A Justiça já aceitou a denúncia da promotoria, o que torna o padre réu. Entretanto, até a manhã desta quarta-feira, 27, não constava no processo informação sobre citação do acusado, que passou a declarar endereço em São Paulo.

Uma câmera de segurança flagrou o atropelamento na Avenida Tiradentes. Nas imagens, é possível ver o momento em que o carro atinge Ângelo, que é arremessado (veja acima).

A TV TEM teve acesso, com exclusividade, ao vídeo do interrogatório, no qual o religioso dá a sua versão sobre o caso.

 

 

O padre Gustavo Trindade dos Santos só foi ouvido no dia 9 de junho porque não compareceu à sede do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), na capital paulista, quando foi intimado pela primeira vez. Quatro dias depois, ele ainda participou de uma missa.

Mesmo assim, o inquérito policial foi concluído, mas o MP solicitou a oitiva do padre para poder avaliar melhor o caso. Durante o interrogatório, o padre afirmou que havia terminado de celebrar um casamento, quando, na saída, escutou o alarme da casa paroquial e avistou um homem pulando o muro e fugindo do local.

Na oitiva, contou que ele e a pessoa que o acompanhava no carro chegaram a pedir para o homem parar durante a perseguição. No entanto, as imagens que flagraram o atropelamento mostram os vidros do carro fechados durante todo o trajeto.

 

 

Ainda conforme o frei, ele encontrou um caminho para fechar o homem, mas, quando ele entrou com o carro na calçada para pará-lo, o suspeito do furto na igreja se jogou sobre o capô do veículo.

Além disso, afirmou, no interrogatório, que foi embora após o atropelamento porque temeu a possibilidade de o homem estar armado. Ele também disse que, ao perceber a presença de pessoas na rua onde ocorreu o acidente, pediu a elas que chamassem a polícia.

Ralatou também que após o atropelamento, foi até o convento onde morava, guardou o carro, que pertence à Diocese de Ourinhos, e viajou para Ribeirão Preto (SP), onde iria aproveitar o Dia das Mães e o próprio aniversário no dia posterior.

Investigação

Durante as investigações, a polícia descobriu que o frei Gustavo, apesar de habilitado, deveria ter renovado a carteira de habilitação em fevereiro de 2020.

A defesa do padre mostrou um documento da União Europeia que o autorizava a dirigir. O aceite, do tempo em que ele morava na Espanha, no entanto, não é válido em território nacional. Por esse delito, Gustavo deve responder apenas administrativamente junto ao Detran.

O inquérito policial indiciou o padre por tentativa de homicídio qualificado. Nas duas vezes em que a polícia fez pedidos de prisão, contudo, o Ministério Público se posicionou contra e os dois pedidos de prisão preventiva contra ele foram negados pela Justiça.

Já o homem atropelado chegou a ser preso em flagrante no dia do atropelamento, mas estava sendo investigado em liberdade. Segundo o BO, ele furtou três moletons e uma camiseta

Fonte: G1

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