quinta, 18 de abril de 2024

Jackson Silva: O sucesso meteórico de um virtuoso do contrabaixo

O baixista, compositor e arranjador já gravou dois discos e tem uma série de participações em gravações de outros artistas

 

José Luiz Martins

 

Jackson Silva nasceu na cidade vizinha de Salto Grande, onde residiu até bem pouco tempo. Quando garoto ainda encontrou esquecido em um quarto na casa de sua avó, um violão que ele nunca tinha visto alguém da família tocar. Nem mesmo seu tio – dono do quarto onde via o instrumento todo decorado como aqueles usados em festas de Folia de Reis.

Foram muitas as vezes que brincou com o velho violão até que, o que era apenas uma curiosidade e diversão de um garoto de 12 anos, passou a ser o maior interesse de um adolescente que já gostava de música e sentia que poderia tocar bem aquele instrumento. Mas segundo ele próprio, jamais imaginaria que se tornaria um músico profissional, o que ocorreu muito rápido graças ao seu talento e virtuosismo.

Passados pouco mais de 15 anos o contrabaixista Jackson Silva, músico hábil com grande conhecimento técnico, tem se projetado como um dos grandes nomes da música instrumental brasileira, integrando uma nova geração de instrumentistas que vem se destacando no cenário nacional.

A descoberta de sua forte vocação para música veio cedo, como também veio o seu intento de se dedicar ao estudo musical, fase que começou na Escola de Música de Ourinhos, tendo aulas com os professores Fernando Nogueira e Jairo Cavalcanti, com quem mergulhou de vez nos estudos de música por quatro anos conhecendo novos estilos e influências musicais.

Formado na Escola de Música de Ourinhos e pela ETEC, Jackson rumou para o renomado Conservatório de Tatuí, onde estudou contrabaixo elétrico MPB/Jazz, por mais 5 anos e desde que deixou Tatuí o músico está radicado em São Paulo.

O baixista, compositor e arranjador já gravou dois discos e tem uma série de participações em gravações de outros artistas passando por diversos shows nacionais e internacionais, além de participações em festivais no país e no exterior.

Seu primeiro disco solo denominado “Projeto Natural” saiu em 2018, com Jackson assinando todas as composições, o que se repete no seu 2º álbum denominado “Brio”, lançado em abril deste ano. Os trabalhos estão disponíveis em todas as plataformas de música.

Projeto Natural primeiro album lançado em 2018

O músico esteve em Ourinhos por ocasião do XII Festival de Música acompanhado por um quarteto de instrumentistas, foi uma das principais atrações na série de shows do festival no Teatro Municipal, que ficou lotado. Em entrevista exclusiva para o Negocião, Jackson falou de sua trajetória desde Salto Grande, onde junto com outros garotos da sua cidade natal formaram uma bandinha de rock, até os dias de hoje na capital paulista onde desenvolve seu trabalho autoral.

Ele tem contribuído em trabalhos de outros artistas, atuado ao lado de grandes nomes da música instrumental, como: Hamilton de Holanda, Nenê Baterista, André Marques, Arismar do Espírito Santo, Camille Bertault, Léa Freire, Salomão Soares, Fabio Torres, Carol Panesi, Fabio Leal, Fernando Corrêa entre muitos outros.

Discos com a participação de Jackson

 

 

Conte como, quando e onde a música te pegou de vez?

Foi em Salto Grande, ainda bem garoto, onde comecei com essa coisa de banda de garagem, tocando heavy metal, rock e pop rock com meus amigos, uma turma bem novinha lá de Salto Grande, dos 13 para 14 anos, tudo informal, aprendendo, tirando de ouvido, eu ainda não tinha contrabaixo era tudo no violão. Depois apareceu um pessoal de São Paulo já mais velho, eles já tinham na época os seus 40 anos e se mudaram para Salto Grande, me viram tocar e me convidaram para tocar com eles, tinham instrumentos, caixas de som, amplificadores e aí eu comecei a tocar no contrabaixo de verdade. Fiquei tocando com eles até os 16 anos em várias motofests na região, Assis, Ourinhos foi minha primeira experiência já mais profissional.

 

Como foi a fase em que se dedicou a estudar música, de Ourinhos a Tatuí?

Quando tocava com aquela galera do rock em Salto Grande, que tinha outras bandas também, conheci um rapaz que já tocava bem e estudava na Escola de Música de Ourinhos, tocava violão e me falou que a escola era muito legal. Disse que eu estava indo bem e que tinha que estudar lá, que iria aproveitar bastante. Fui na escola, fiz o teste, fui aprovado, e no ano seguinte comecei a estudar. Ao mesmo tempo, também cursei Técnico em Música na ETEC, foi a primeira turma do curso, depois fui incentivado pelo Fernando e o Jairo a ir estudar no Conservatório de Tatuí.

 

Por quanto tempo você estudou no Conservatório de Tatuí?

Foram cinco anos e nessa altura do campeonato já vivia de música dando aulas, tocava com parceiros em shows em Ourinhos e região. Me formei em Tatuí em 2010, aí as minhas opções era voltar para Salto Grande, Ourinhos, ou ir para São Paulo. Decidi por São Paulo para viver de música, desbravar mais a carreira e consegui conquistar muitas coisas, já faz 8 anos que estou aqui. Toco com muitos grupos e artistas, tem sido uma fase muito boa tocando bastante, todo dia dando aulas online e a coisa só tem crescido, não tenho o que reclamar.

 

Fale sobre seu novo disco e shows.

O “Brio” é o segundo CD que gravei, formei um quinteto para esse disco e tenho trabalhado na apresentação desse álbum, inclusive, foi o repertório do show no festival de Ourinhos e no Festival de Música de Assis no dia 28 e 29 de julho. No momento tenho datas com esse show do “Brio” no “JAZZ B” uma casa superimportante de jazz aqui em São Paulo no “Steel Bar”, que tem uma programação mesclada entre Jazz e Rock and Roll. O show lá é em setembro. Tenho priorizado o meus disco, meu som, as minhas composições, mas participo de vários grupos de música instrumental com vários artistas. Além do trabalho autoral com minhas composições e de outros artistas, sou músico fixo, contratado do “Baretto” um bar de jazz e bossa nova do Hotel Fasano, tradicional aqui em São Paulo, que tem mais de 30 anos. Toco todas as noites nessa casa, e às vezes quando pinta quase que ao mesmo tempo outros trabalhos, faço uma dobradinha. Ou até mais, uma “tripladinha” (risos).

BRIO segundo album lançado em abril de 2023

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