terça, 23 de abril de 2024

Peça “Fala da Fome…” estreia dia 09 no Teatro Municipal

A montagem conta a história de catadores de materiais recicláveis num cotidiano muitas vezes difícil e tem entrada gratuita

 

 

José Luiz Martins

 

 

No próximo dia 9 de maio às 20h no palco do Teatro Miguel Cury com entrada franca, será encenada a peça “Fala da Fome… Diário de uma favelada”, baseada no livro “Quarto de Despejo”, uma edição dos diários de Carolina Maria de Jesus, migrante de Sacramento Minas Gerais, mãe solteira e moradora da Canindé, a primeira grande favela de São Paulo.

O livro relata a amarga realidade dos favelados na década de 1950: os costumes de seus habitantes, a violência, a miséria, a fome e as dificuldades para ter o que comer. A obra de Carolina tem se tornado leitura obrigatória em diversos vestibulares e foi um dos temas do Enem do ano de 2022.

Com direção de Valfredo Inforzatto o espetáculo é uma livre adaptação do livro, fragmentado em falas dos diversos personagens criados, numa tentativa de refletir o pensar da escritora nas mais variadas figuras humanas.

O diretor destaca que a montagem conta a história de catadores de materiais recicláveis num cotidiano muitas vezes difícil. São alguns fragmentos do que Carolina viu, viveu e sentiu pelo tempo que morou na favela do Canindé em São Paulo, pelos olhos do elenco jovem desse trabalho.

A apresentação é o resultado das oficinas de teatro promovidas pela Secretaria de Cultura de Ourinhos (SMC), o diretor da peça que atua no ensino teatral desde 2011, explicou à reportagem do Negocião como tem funcionado as oficinas promovidas pela secretaria. “As inscrições são abertas para idade mínima de 12 anos, é feita a distribuição por horário e idade. Hoje tem alunos dos 12 até os quase 80 anos participando das oficinas. São feitos jogos e dinâmicas voltadas para área teatral, como de desenvolvimento da fala, por exemplo, para palco, jogos de interação e técnicas de interpretação”.

Ele revelou que a aplicação desses exercícios vai amadurecendo a cognição dos alunos, também a capacidade física, de entendimento e interpretação de texto. A partir da aplicação desses jogos e técnicas começa a produção do espetáculo com a leitura, os ensaios praticando o que é ensinado nas oficinas.

Crupo do CAPs nas oficinas de teatro

 

O ator e diretor

Valfredo Inforzatto começou como ator frequentando as oficinas promovidas pela Secretaria de Cultura em 1993 com o diretor Sérgio Nunes, com quem realizou vários trabalhos, montagens e apresentações em cidades da região e em festivais de teatro importantes como de Londrina.

“Depois de alguns anos fui cursar artes cênicas em Londrina na UEL e também me formei como tradutor intérprete, desde 2011 eu venho trabalhando com as oficinas de teatro primeiramente num projeto através do PROAC e depois já em 2014 pela Secretaria de Cultura de Ourinhos. Trabalho também com a curadoria da amostra de teatro de Ourinhos e tenho me relacionado a tudo que diz respeito às artes cênicas na cidade através do poder público da Secretaria de Cultura”, contou.

Segundo ele o trabalho nessa área é uma batalha diária, tem sua dinâmica como toda profissão. Toda arte tem as suas dificuldades que têm que ser sanadas através de muito esforço, estudo e de muita pesquisa.

“Isso é muito legal porque a gente tem a certeza que o teatro como todas as artes, são transformadoras na vida de qualquer pessoa. Gente com dificuldade de relacionamento como, por exemplo, excesso de timidez, vergonha de falar em público, é trabalhado através das oficinas de teatro e isso pode ser usado na vida pessoal. Como exemplo as dinâmicas de romper a timidez de falar em público, você aprende numa aula de teatro e pode usar para uma entrevista de emprego, para apresentar um seminário, enfim para muitas coisas não só na vida pessoal como na profissional e na estudantil também acadêmica”, destacou o diretor.

Orgulhoso e gratificado com a evolução dos alunos ao longo do processo Valfredo explica que as oficinas começam no início do ano em março, em junho ou julho a fase de montagem se conclui com o início das apresentações. “Mais ou menos nessa época a gente vê o resultado através das montagens com esses grupos dessas oficinas e aí acontece dos pais irem conversar com a gente, já aconteceu também de psicólogas vir conversar e apontar para a melhora, do adolescente, do adulto e da criança no comportamento, na socialização no cognitivo do indivíduo de modo geral”.

Para o ator/diretor, o teatro não trabalha só intelectualidade, trabalha também posturas da pessoa frente a situações, postura física, moral e ética. “O teatro trabalha tudo isso aliado à psicologia também porque isso melhora a autoestima e a visão de mundo da pessoa se transforma. Eu falo pelo teatro que é meu campo de atuação, mas, as artes de uma maneira geral, assim como a dança, dão a disciplina. A música também tem as suas benesses, o teatro está aí e engloba tudo isso”, concluiu.

O ator e diretor teatral Valfredo Inforzatto

 

 

Ficha técnica:

Elenco:

Helena G. Brandão, Sofia V. Schmeiske, Anna Beatriz S. Ezaki, Gabrielly de Oliveira Pinto Rodrigues, Maria Eduarda da Silva, João Vitor F. Gonçalves, Yuri Henrique Pontes, Giovanna de Oliveira, Marjorie V. Brisola, Julia P. Berto.

Direção: Valfredo Inforzato

Aprox. 60 min.

Classificação: 12 anos.

 

Valfredo e o elenco da peça Fala da Fome

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